Eu gosto de fazer riscos em papel. Quando me sinto ansioso, sem concentração, nervoso, triste. Pego um pedaço de papel qualquer que tenho pela frente e começo a fazer riscos. Podem ser retos, levemente circulares, seguirem algum padrão, ou ligarem o nada ao lugar nenhum. Não fazem sentido nenhum e não possuem nenhuma beleza específica. Mas me acalmam. Acabam por ser uma pequena obra expressionista.
Alguns artistas lançam ao longo de suas carreiras discos que se destacam absolutamente em relação ao resto que foi produzido. Não só pela qualidade, mas pela sonoridade, temática e enfim. Não se trata apenas de ser o melhor disco, mas de ser um disco diferente. Mas um diferente que não foi pensando (tipo igual o Radiohead faz), mas um diferente quase acidental. Não pretendo falar de bandas que tem um álbum excelente e outros que seguiram o mesmo estilo, só que menos inspirado (tipo Television ou Strokes). Ou artistas que tem fases bem marcadas com um grande disco dentro delas (Pink Floyd e David Bowie), ou ainda dos camaleões como Bowie, Beck e Neil Young. Ainda tento evitar a armadilha de citar muitos discos de estreia, em que essa sonoridade era fruto da inspiração e angústia da juventude, bandas que começaram muito bem e depois apenas tentariam repetir a fórmula mas sem tanta inspiração (Black Crowes, Fratellis). Bert Jansch - Bert Jansch (1965) Disco de estreia do monstro sagrado d...
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