02/11/2017

Vencedores do fundo do Grid

A estatística me apareceu no Twitter após a vitória de Lewis Hamilton no Grande Prêmio de Cingapura. Aquela era a segunda vez que o britânico vencia uma corrida sem largar nas duas primeiras filas. O dado me pareceu impressionante. Pensei "só isso?". Fui atrás e confirmei a informação: a única outra vez em que Hamilton venceu uma corrida nessa condição foi na Inglaterra em 2014, quando ele largou em 6º lugar.

As vitórias de pilotos que vem do fundo do Grid sempre nos marcam e aparecem como uma prova da qualidade do piloto. Mas, uma olhada nos dados mostra que que essas vitórias são justamente marcantes porque são raras. Descontando as 11 edições das 500 milhas de Indianápolis que foram disputadas dentro do Mundial de F1 (por suas particularidades), até hoje foram disputadas 963 corridas no campeonato. Em 148 oportunidades o vencedor veio de trás das duas primeiras filas, o que dá uma vez a cada 6,5 corridas. Acontece duas, ou três vezes por temporada.

Até hoje 59 pilotos conseguiram vitórias assim. Juan Manuel Fangio, Sebastian Vettel, Damon Hill e Nico Rosberg, para citar alguns campeões mundiais, nunca venceram corridas quando largaram abaixo do 4º lugar. No total, 27 pilotos conseguiram a façanha apenas uma vez, incluindo Ayrton Senna - sua solitária vitória partido do 5º lugar veio nos Estados Unidos em 1990.

Eis uma lista dos pilotos que mais venceram saindo depois da segunda fila:
1) Alain Prost - 11 vezes
2) Nelson Piquet - 10 vezes
3) Michael Schumacher, Kimi Raikkonen e Fernando Alonso - 6 vezes
4) Denny Hulme e Niki Lauda - 5 vezes
5) Emerson Fittipaldi, Keke Rosberg, David Coulthard, Ronnie Peterson, Jim Clark, Jackie Stewart e John Watson - 4 vezes
6) Daniel Ricciardo, René Arnoux, Jacques Laffite, Jody Scheckter, Nigel Mansell, Jenson Button, Johnny Herbert e Bruce McLaren - 3 vezes
7) Thierry Boutsen, Lewis Hamilton, Eddie Irvine, Jack Brabham, Stirling Moss, Michele Alboreto, Jochen Rindt, Maurice Trintignant, Carlos Reutemann e Rubens Barrichello - 2 vezes
8) Jean Alesi, Tony Brooks, François Cevert, Patrick Depailler, Heinz-Harald Frentzen, Mika Hakkinen, Ayrton Senna, Patrick Tambay, Peter Collins, Dan Gurney, Graham Hill, Alessandro Nannini, José Carlos Pace, Pedro Rodríguez, Lorenzo Bandini, Elio de Angelis, Luigi Fagiolli, Gilles Villeneuve, Vittorio Brambilla, Giancarlo Fisichella, Innes Ireland, John Surtees, Peter Gethin, Jochen Mass, Giancarlo Baghetti, Alan Jones e Olivier Panis - 1 vez cada.

Se descontarmos as vezes em que os pilotos largaram na terceira fila - o que ainda é considerado uma boa posição de largada, o número cai ainda mais. Apenas 69 vezes - uma vez a cada 14 corridas - um piloto largando a partir do 7º lugar venceu a corrida. Apenas 42 pilotos conseguiram vitórias assim. Eis a lista:

1) Kimi Raikkonen - 5 vezes
2) Fernando Alonso, Niki Lauda, Ronnie Peterson, Jim Clark, John Watson e Jody Scheckter - 3 vezes
3) Nelson Piquet, Michael Schumacher, Denny Hulme, Emerson Fittipaldi, Keke Rosberg, David Coulthard, Jacques Laffite, Jenson Button, Johhny Herbert, Bruce McLaren e Carlos Reutemann - 2 vezes.
4) Alain Prost, Jackie Stewart, Daniel Ricciardo, René Arnoux, Nigel Mansell, Jack Brabham, Stirling Moss, Michele Alboreto, Jochen Rindt, Maurice Trintignant, Rubens Barrichello, Lorenzo Bandini, Elio de Angelis, Luigi Fagiolli, Gilles Villeneuve, Vittorio Brambilla, Giancarlo Fisichella, Innes Ireland, John Surtees, Peter Gethin, Jochen Mass, Giancarlo Baghetti, Alan Jones e Olivier Panis - 1 vez.

Largando a partir da quinta fila, o número de vitórias cai para 35 e o de pilotos para 28. Os únicos a repetir a façanha mais de uma vez:
1) John Watson - 3 vezes
2) Kimi Raikkonen, Fernando Alonso, Niki Lauda, Jody Scheckter e Bruce McLaren - 2 vezes.

John Watson e Fernando Alonso são os únicos 2 a vencerem corridas mais de uma vez largando a partir da 6ª fila e o norte-irlandês é o único a vencer 2 corridas largando depois do 17º lugar, além de ter a vitória partindo mais de trás do grid na história: largou em 22º lugar nos EUA Oeste em 1983.

Considerando que vitórias partindo do fim do grid ficaram ainda mais difíceis nos últimos anos, devido a maior durabilidade dos veículos, dificultando o ganho de posições com quebras alheias, essas são as únicas vitórias de pilotos partindo a partir do 5º lugar no grid de 2000 para cá:

1) Rubens Barrichello na Alemanha em 2000, largou em 18º
2) David Coulthard no Brasil em 2001, largou em 5º
3) David Coulthard na Áustria em 2001 largou em 7º
4) David Coulthard na Austrália em 2003 largou em 11º
5) Kimi Raikkonen na Malásia em 2003 largou em 7º
6) Giancarlo Fisichella no Brasil em 2003 largou em 8º
7) Michael Schumacher nos EUA em 2003 largou em 7º
8) Michael Schumacher no Canadá em 2004 largou em 6º
9) Kimi Raikkonen na Bélgica em 2004 largou em 10º
10) Fernando Alonso na Europa em 2005 largou em 6º
11) Kimi Raikkonen no Japão em 2005 largou em 17º
12) Kimi Raikkonen no Canadá em 2007 largou em 7º
13) Michael Schumacher nos EUA em 2005 largou em 5º
14) Jenson Button na Hungria em 2006 largou em 14º
15) Michael Schumacher na China em 2006 largou em 6º
16) Fernando Alonso no Japão em 2006 largou em 5º
17) Fernando Alonso em Cingapura em 2008 largou em 15º
18) Kimi Raikkonen na Bélgica em 2009 largou em 6º
19) Rubens Barrichello na Itália em 2009 largou em 5º
20) Jenson Button na China em 2010 largou em 5º
21) Jenson Button no Canadá em 2011 largou em 7º
22) Fernando Alonso na Malásia em 2012 largou em 8º
23) Fernando Alonso na Europa em 2012 largou em 11º
24) Kimi Raikkonen na Austrália em 2013 largou em 7º
25) Fernando Alonso na Espanha em 2013 largou em 5º
26) Daniel Ricciardo no Canadá em 2014 largou em 6º
27) Lewis Hamilton na Inglaterra em 2014 largou em 6º
28) Daniel Ricciardo na Bélgica em 2014 largou em 5º
29) Daniel Ricciardo no Azerbaijão em 2017 largou em 10º
30) Lewis Hamilton em Cingapura em 2017 largou em 5º

Exatas 30 vezes em 327 corridas. Uma vez a cada mais ou menos 10 disputas. Se formos descontar as corridas com múltiplos incidentes (coloquei em itálico as corridas com bandeiras amarelas e/ou chuva. Pode ser meio injusto em alguns casos, mas sobram 8 vitórias, as mais distantes duas vezes de Kimi Raikkonen partindo do 7º lugar), então, percebemos que é muito difícil vencer quando não se larga nas quatro primeiras posições. A partir do sétimo lugar então, 16 vitórias, quase impossível.

31/10/2017

Menino Lobo

Vou dizer que eu sei até a data, porque minha memória costuma a associar fatos cotidianos com eventos esportivos. Portanto, foi na madrugada do sábado, 05 de março, para o domingo, 06 de março de 2005. Nesse dia era disputado o Grande Prêmio da Austrália de Fórmula 1, prova que abria aquela temporada. Temporada de mudança, com a expectativa de que a Renault havia construído um bom carro e seria capaz de terminar com a hegemonia da Ferrari. Expectativa que se confirmou naquele dia com a vitória do improvável Giancarlo Fisichella e no fim do ano com o título de Fernando Alonso.

Vivia eu também uma época de mudanças, já que mais ou menos um mês depois eu começaria a faculdade. No entanto, devido aos ajustes de semestre da UFMT, nesse momento eu era um desocupado meio perdido na vida. Mas, enfim, foi nesse dia, nessa madrugada que a Kinu atacou o Mogli.

Kinu era uma boxer que minha tia adquiriu uns quatro anos antes e que sempre teve um comportamento arredio com os outros cães. Depois da morte da Dogue Alemão que fazia a função de líder da matilha, Kinu surtou e começou a atacar todos os outros cachorros da casa. Tempos depois ela acabou tendo que ser doada.

Mogli era um gato vira-lata que havia sido resgatado da rua, quando ainda era um minúsculo gatinho, no fim do ano anterior. Ainda era um pequenino gato quando teve sua cabeça mastigada pela Kinu.

Como sempre acontecia quando havia alguma emergência com um dos animais, meu pai - veterinário - foi chamado, e uma espécie de sala de emergência foi montada na área de serviço da casa da minha tia. Assisti a corrida sozinho e durante todo o tempo a expectativa é de que o Mogli iria morrer.

Lembro da minha melancolia com aquela notícia. Mogli era um gatinho filhote, bonitinho como todos os filhotinhos de gato, mesmo com sua pelagem diferente. Um gatinho simpático e carinhoso que perdia a vida logo no começo, de uma maneira estúpida. Resgatado da rua para morrer atacado por um cão em casa. Tão novo para conhecer o mundo. A vida é muito cruel.

Os dias seguintes se passaram com Mogli desenganado. Mas, sabe-se lá como, ele reagiu e começou a se recuperar. E, milagrosamente, sobreviveu.

Lembro do dia em que ele voltou para casa - não exatamente a data - mas lembro de ver aquele pequeno gato, com seu pelo branco cheio de manchas do iodo usado em suas feridas. Uma das dentadas do cachorro abriu sua traqueia e quando ele tentava miar, seu miado saia rouco, uma característica que nunca perdeu totalmente. Outra dentada partiu sua língua ao meio e ela sempre saia para fora lateralmente. Era de uma crueldade engraçada ele tentando lamber as patas enquanto a língua ia para o outro lado. Sua cabeça havia ficado assimétrica e os olhos pareciam estar em hemisférios diferentes.

Cresceu e virou um gato extremamente sociável, que se comportava como se fosse um cachorro. Quando ia na casa da minha tia, sempre que atravessava o portão conseguia vê-lo correndo de longe, para se esconder atrás dos arbustos, para pular na minha frente, como se quisesse me atacar. Como a tentativa sempre falhava, ele se jogava no chão e dava seu miado rouco.

Mudou-se para Florianópolis junto com minha tia, onde morreu no último fim de semana, vítima de uma leucemia. Sua morte me trás as lembranças daquela noite, melancólica noite, e do milagre da recuperação. Viveu gloriosos 13 anos e posso dizer que com ele a vida não foi tão cruel assim. Ele pode conhecer o mundo.

22/10/2017

Topografia do Terror. Sim o terror existe e é real

Há em Berlim um lugar chamado Topografia do Terror, que é mais um dos memoriais que os alemães mantém para lembrar a população dos horrores da guerra. Afinal, a Alemanha foi protagonista das duas guerras mundiais - sempre do lado perdedor, foi sede de um governo genocida e depois foi dividida em duas por mais de 40 anos, com um muro separando sua capital. Sim, Berlim é um cidade com prédios muito bonitos, mas com um clima um pouco melancólico, porque suas ruas já protagonizaram muitas tragédias e não podemos nos esquecer delas, para que elas não se repitam.

Há o Memorial do Muro de Berlim, há o Palácio das Lágrimas, a Estação de Grunewald (local em que os judeus eram enviados para campos de concentração), o Memorial dos Judeus Mortos, o Checkpoint Charlie, pedras nas calçadas em frente as casas que pertenciam a judeus assassinados no holocausto e, enfim, há a Topografia do Terror.

Este museu/memorial/arquivo é focados na ascensão do Partido Nazista ao poder na Alemanha. Há claro a lembrança da guerra e do holocausto, mas a estratégia para a conquista do poder nazista é o destaque. Às vezes nos esquecemos disso, mas além de um genocida megalômano, Adolf Hitler era também um ditador. A Alemanha vivia em um estado de exceção, de culto ao nacionalismo e a imagem de Hitler. Por vezes nos perguntamos "os alemães não achavam que alguma coisa estava errada?". Bem, alguns talvez até pensassem, mas àqueles que, ao ver um oficial do regime, não fizesse o tradicional cumprimento nazista com a mão estendida, seria entendido como inimigo da nação, perseguido e provavelmente morto. Não é qualquer um que quer ser um inimigo da nação.

A Topografia do Terror é um lugar obviamente perturbador, mas o principal fator de perturbação talvez não seja assim tão óbvio: o memorial parece oferecer uma espécie de spoiler do futuro do Brasil. Sim, é impossível não ler os precedentes da ascensão nazista e não imaginar que aquilo ali na verdade é um relato sobre o Brasil atual. O memorial funciona como um guia da chegada dos fascista ao poder e parece que seguimos esse guia perfeitamente.

A crise econômica de 1929 atingiu a Alemanha fortemente. A tensão provocada pelo desemprego em massa levou ao colapso. Autoridades berlinenses foram envolvidas em um escândalo de corrupção - fraude no fornecimento de uniformes para funcionários da prefeitura. Os donos da empresa envolvida no escândalo eram judeus, o que inclusive fortaleceu o discurso anti-semita. A população perdeu a confiança nos políticos. Toda essa crise favoreceu o crescimento dos Nazistas. Em seis meses Hitler era o chanceler alemão.

Crise econômica, desemprego, corrupção, falta de confiança nos políticos, fascistas. É o Brasil, não é mesmo?

Goebbels, ao assumir um assento no parlamento alemão disse que estava lá para usar as armas da democracia. Os nazistas eram muito bom em fazer mobilizações na rua para chamar a atenção e demonstrar poder (isso te lembra alguma coisa?). Deturpavam informações (oi?). Houve quem defendesse o diálogo com eles e até uma composição partidária.

O que chama muito a atenção é que a estratégia nazista foi, digamos, sorrateira. Eles não chegaram lá e resolveram quebrar tudo. Foram dando passos calculados rumo aos seus objetivos, como se não quisessem tirar ninguém da zona de conforto e chamar atenção. Liberdades individuais foram suprimidas vagarosamente, a perseguição aos judeus - e ciganos, homossexuais, entre outros - aumentaram em doses homeopáticas, até que, quando vamos ver, existiam campos de concentração e a Alemanha estava invadindo outros países.

Chamaram minha atenção alguns panfletos de propaganda nazista que em muito lembram os nossos memes atuais. Um com um cidadão saudável trabalhando enquanto carregava nas costas dois deficientes físicos em muito me lembra o discurso liberal meritocrático de algumas organizações apartidárias dos tempos atuais. E bem, a essa altura é bem difícil não pensar no Bolsonaro, não? Mas então vem essa imagem:

Que dispensa comentários. (Vale um sim. A legenda diz que o panfleto tentava criar a imagem de que Hitler era o idealizador das AutoBahns alemãs, planejadas antes dele. Pós-verdade de raiz).

Sim, eu saí muito assustado da Topografia do Terror. Porque não dá pra negar que o cenário atual do Brasil fortalece a imagem de políticos que se vendem como salvadores da pátria, que personificam a imagem da esperança e isso não é saudável. A discussão política em memes não é saudável. A última pesquisa que mostra que muitos brasileiros tem Lula e Bolsonaro (independente da ordem) como principais opções políticas, João Dória, mesmo Luciano Huck, mostram que o Brasil não pensa em política, mas pensa no salvador dos problemas. A Topografia do Terror nos mostra que esse caminho, invariavelmente, é o caminho do horror mesmo.

20/09/2017

Roupas velhas

Pelas razões que sejam, duas amigas minhas do Facebook estão se desfazendo de itens pessoais, colocando-os a venda. Itens de decoração, livros (seriam livros igualmente itens de decoração?) e roupas.

As roupas me impressionam. Certo que mulheres gastam mais com roupa (em quantidade e qualidade) e por isso tem alguma oportunidade de vender algo que não vão mais usar. Mas, penso no meu caso. Se eu precisasse passar por uma situação assim.

Olho para meus livros e penso que sim, pessoas se interessariam por eles, dependendo do preço que eu definisse. Dois quadrinhos que eu tenho podem interessar alguém. Mas, as roupas, uau, se eu precisasse me desfazer delas duvido que uma pessoa em sã consciência se dispusesse a pagar que valor que seja numa camiseta comprada na Riachuelo uns 10 anos atrás. Talvez um mendigo?

Isso, talvez eu devesse procurar mendigos na rua e perguntar se eles aceitariam as roupas e humilhados pela falta de oportunidades aceitariam. Ou talvez algum lugar que recicle tecido pagando 20 centavos pelo quilo.

Ou nem isso.

08/09/2017

Uma coisa não exclui a outra

Uma coisa não exclui a outra. Nesses tempos de polarização e ódio, me parece que esse é o grande exercício diário de sabedoria, o grande esforço de compreensão que é preciso empreender. Um fato não anula o outro.

Sempre posso citar o caso do Lula, a grande figura da polêmica nacional. É possível aceitar que seu governo proporcionou avanços sociais? Sim. Dá pra dizer que há uma perseguição, ou um superdimensionamento dos fatos relacionados ao ex-presidente na chamada grande mídia, e que mesmo o juiz Sérgio Moro e os procuradores de Curitiba tem atuações muitas vezes partidárias contra ele? Sim. Mas isso não exclui o fato de que, ao que tudo indica, Lula se apoderou de dinheiro público em causa própria, que praticou tráfico de influência, enfim, utilizou o poder em benefício próprio. Mas, geralmente ou se está de um lado ou se está de outro.

O mesmo pode ser dito em relação ao Moro. Errou e agiu de maneira política em alguns casos - vide vazamento de grampos feitos fora do horário determinado pela justiça? Sim. Junto com a própria Lava Jato, cometeu excessos? Sim. Mas a operação é importante e conseguiu uma série de avanços? Sim também.

O fato de um cara ser um péssimo agente público não exclui a possibilidade de que ele seja um ótimo pai de família. Não é porque um cara é muito gente boa, que ele não pode ser um ladrão de dinheiro público. Não é porque o cara é um ótimo administrador que ele não pode ser alguém que bate na mulher.

Há essa busca maniqueísta pelo ideal do canalha ou do homem perfeito. Acho que fruto de uma sociedade cada vez mais individualizada e que busca na sua própria experiência o modelo de vida ideal.

24/08/2017

Drivin' is a gas it ain't gonna last

Uma manhã estranha, tudo parece estranho. Entro no meu carro, um pequeno carro preto e o som começa a tocar Big Black Car do Big Star. Mais uma música tão triste dessa banda tão melancólica. Os arranjos distantes, a voz distante.

"Driving in my big black car, nothing can go wrong, I'm going and I don't know how far. So, so long".

Estou no meu pequeno carro e tudo parece que não vai dar errado. Olho para o céu, enquanto passo por um quebra-molas e vejo um pássaro qualquer batendo assas e ele parece voar no ritmo do piano desconexo no fundo da música.

"Nothing can hurt me. Nothing, can touch me".

Nada, nada. Ali dentro nada pode acontecer. Penso em não sair mais do meu carro.

Why Should I Care? Drivin' is a gas it ain't gonna last.

Não vai durar. A manhã seguirá estranha. Tudo continuará estranho.

14/08/2017

A despedida de Bolt

Foi o maior anticlímax da história. Já havia sido um pouco decepcionante ver Usain Bolt conquistar o bronze nos 100 metros rasos, no fim de semana passado. Desde as Olimpíadas de 2008 nos acostumamos com um Bolt invencível, um fenômeno da velocidade incapaz de ser derrotado. Acabou sendo, ficou em terceiro.

Um sinal de que a idade, ou mais do que a idade, o desgaste físico e a perda de rendimento chega para todos. Que Bolt, por mais que não pareça, é apenas um ser humano com incríveis capacidades musculares e motoras.

No entanto, ainda haveria uma última corrida. A final do revezamento 4x100, prova que a Jamaica dominou nos últimos anos, mas que estava longe de ser a favorita dessa vez. Mesmo sem o ouro e com Bolt já dentro de sua nova dimensão humana, seria pelo menos a oportunidade de vê-lo correndo por uma última vez.

Em uma prova de revezamento, e sendo Bolt o último a correr a esperança é de que ninguém fizesse nenhuma besteira antes, que o bastão não ficasse pelo meio do caminho e que a despedida do jamaicano fosse com ele parado na pista, perplexo, vendo os outros passarem.

Bem, até essa possibilidade talvez não fosse pior do que Bolt tentando arrancar e sendo interrompido por uma lesão muscular. Uma cena rara em competições e ainda mais inimaginável com o maior velocista de todos os tempos. Bolt se despediu estirado de dor no chão do estádio olímpico de Londres.

Talvez seja um fim de carreira que demonstra a transição de deus olímpico para um reles mortal. Ao sair das pistas, Bolt já não era o cara que pegava o embalo nos 100 metros e atropelava todos os seus adversários, ou que fazia a curva dos 200 metros em uma velocidade tão grande que parecia que iria sair decolando, arremessado contra a parede do estádio. Ao sair das pistas, Usain Bolt já era um humano. Um humano muito rápido, mas apenas um ser humano.

02/08/2017

Duas Araras

Molhando a grama em uma manhã ensolarada de quarta-feira, um dia de inverno extremamente seco. O calor do sol já espantou o frio da madrugada. Céu extremamente azul, com aquela névoa seca que caracteriza o nosso inverno.

Escuto um barulho que já escutei outra vez pelos céus sobre minha casa. São araras. Já vi araras-azuis voando sobre minha casa em fins de tarde em outras ocasiões. O barulho é igual, mas desta vez as araras são vermelhas. Duas. Um casal, pai e filho, duas amigas, não sei. Voam de maneira meio descoordenada e fazendo muito barulho.

Penso naqueles clichês sobre Mato Grosso, de onças e jacarés da rua, do destino selvagem que parecemos ser diante do mundo e nesse instante tudo faz sentido. Somos o destino inalcançável, o lugar por onde araras passam por sobre nossas cabeças como se fosse mais um dia normal.

O barulho aumenta e percebo que as araras retornaram, voando no sentido contrário, para onde elas originalmente vieram. Escuto seus gritos e as observo indo cada vez mais longe, batendo asas até que não seja possível perceber as asas, até que não seja possível distinguir qualquer forma, até que elas virem dois pontos indecifráveis no céu e elas seguem voando em direção ao infinito até que minha visão não fosse mais capaz de identificá-las em lugar nenhum, desaparecendo, tragadas pelo azul profundo do céu desta manhã de inverno.

12/07/2017

As instituições estão funcionando

As instituições estão funcionando, elas estão funcionando, esse é o mantra repetido por autoridades, especialistas, comentaristas, para dizer que está tudo bem. Como se fossem aquele meme do cachorro dizendo que está tudo bem enquanto tudo ao seu redor pega fogo. As instituições estão funcionando, temos um vice-presidente eleito e que assumiu dentro do que é previsto pela constituição, o legislativo segue legislando e o judiciário continua julgando.

Teoricamente, a democracia prevê a existência de três poderes harmônicos e independentes entre si. No entanto, o que vemos atualmente é um Poder Executivo acuado diante dos outros dois. Ok, podemos dizer que o Executivo fez por merecer e tem sido ineficiente nos últimos anos. Mas, o que os outros fizeram para não serem tão atingidos pela crise representativa nacional?

Acredito que foi o Cássio Cunha Lima - melhor analista do que senador - que afirmou que o Brasil vive em um momento de parlamentarismo improvisado. O centro nervoso de decisões do país está no Legislativo. O presidente não consegue fazer nada se não se perder em uma série de negociações com a enorme base parlamentar, que envolve cargos, liberação de verbas, atendimento de interesses pessoais. Se Dilma Rousseff caiu, mais do que as pedaladas, ou a crise econômica, o grande motivo de seu impeachment foi sua incapacidade de jogar esse jogo.

Michel Temer assumiu e começou a dar prosseguimento as reformas apoiadas pelos financiadores de campanha. Ele sempre quis fazer isso e encontrou o momento favorável na Câmara? Ou decidiu fazer isso para atender os pedidos da Câmara, ter tranquilidade com aqueles que realmente tem o poder político e também financeiro? O fato é que Michel Temer era quem os deputados, senadores, empresários em geral queriam para fazer o que eles quisessem, dentro de uma proposta que dificilmente seria eleita diretamente pelo povo.

Temer não conviveu mais de uma semana sem um grande escândalo, mas sua capacidade de negociar com o Legislativo e suas reformas bem recebidas pelo Mercado (esta instituição intangível) o garantiam no poder. Temer era o fiador de toda essa situação.

No entanto, o presidente foi cada vez mais se afundando no chorume de suas relações políticas e ao invés de ser a solução, passou a ser um problema para a credibilidade que querem que as reformas tenham. Qual é a solução? Tirar o Temer e colocar qualquer besta quadrada no lugar, que só não se envolva em nenhum grande escândalo e deixem que se mudem o Brasil da forma como a Fiesp quer.

A figura do presidente no Brasil é totalmente dispensável nesse momento. Essa parlamentarismo improvisado se transformou em um grande ser de lama, capaz de tomar decisões independente dos nomes. Será assim pelo menos até as próximas eleições.

Mas, as instituições continuam funcionando, dizem todos.

06/07/2017

Imagens da morte

Quando aquela noiva morreu no fim do ano passado, ou no começo deste ano, não sei direito, todos nós ficamos chocados. Claro que não há um bom dia para morrer, mas existem dias que são piores do que os outros. Ninguém deveria morrer no dia do casamento, no dia do aniversário. Aliás, ninguém tem o direito de ter qualquer sofrimento nestes dias, em que desejamos tanta felicidade para os envolvidos. Assim sendo, uma noiva morrer no dia do casamento, enquanto ia para o casamento e os convidados e o noivo a esperavam, isso é o horror. Certamente terrível para a pessoa que morreu, mas ainda pior para os que ficaram aqui e vão viver os restos de suas vidas com estas lembranças traumáticas.

Agora, ficamos todos chocados novamente com as imagens do acidente. A fotógrafa que acompanhava a noiva filmou todo o trajeto fatal, provavelmente para registrar essas imagens da aventura da noiva, que iria fazer uma surpresa para o seu futuro marido que não sabia que ela desceria de helicóptero no local do casamento.

Podemos ver no vídeo a expectativa de todos dentro da aeronave. Como as coisas foram lentamente piorando até o momento em que a aeronave perde o controle aos gritos de misericórdia e a câmera rola pelo gramado enquanto os quatro ocupantes do helicóptero já estão mortos.

Ver imagens tão intimas de um acidente não é algo que faz parte do nosso cotidiano. Nunca soubemos ao certo o que se passou dentro do Fokker 100 da Tam, do avião da Gol, do voo da Air France, no voo da Chapecoense. Agora sabemos exatamente o desespero da noiva, de seu irmão, da fotógrafa e do piloto do helicóptero.

Dias atrás, também acompanhamos a imagem de um acidente, em que um piloto pousou em um rio na Amazônia e o passageiro filmou tudo. O piloto morreu, o passageiro sobreviveu. Que terrível.

Só consigo pensar que cada vez mais, nessa sociedade hipervigiada e hiperfilmada, teremos cada vez mais imagens como essa. De pessoas que diante da tragédia eminente que irá acabar com suas vidas, não terão outra reação que não seja a de ligar o celular e gravar este apocalipse pessoal. Seremos cada vez mais alimentados a estas imagens sensacionalistas, talvez até o dia em que as imagens da morte se tornem banais e não nos impactem mais.

01/07/2017

Pequenas histórias

Em um primeiro momento, o Celso parecia o chefe louco que veio de algum lugar para aterrorizar nossas vidas. Afinal, tinha um personalidade forte e algo extravagante, falava alto como os cariocas, fumava alucinadamente e não fugia de uma briga. Ninguém sabia de suas origens, o que em Cuiabá sempre pode parecer um crime.  Ao longo do tempo foi possível ver que sua personalidade era tão polêmica quanto parecia ser, o que afugentou e provocou ojeriza de muita gente. Não é a toa que ao final da sua passagem pela Secom-MT, ele foi vítima de uma das maiores sacanagens que já presenciei, tudo por conta da briga pelo poder.

Pois bem, o Celso de Castro Barbosa morreu ontem, me informou o Facebook. Perdi algum tempo lendo as lembranças dos amigos, sempre tão saudosas (provavelmente, ele foi meu primeiro contato do Facebook a morrer). Convivi com o Celso durante dois anos, período em que no fim tivemos uma boa relação, em que ele confiou no meu trabalho. Lembro sempre de que no dia do meu casamento, já na parte final da cerimônia, senti o celular apitando no bolso. Só fui conferir depois que era ele dizendo "soube que você está se casando hoje" e me desejando felicidades.

Mas enfim, foi um convívio curto. Pouco conhecíamos sobre sua vida, tirando algumas histórias loucas, os highlights de nossas vidas que costumamos contar para impressionar os amigos. Lendo as lembranças dos amigos, pude conhecer um pouco mais dos pequenos detalhes, aquelas pequenas histórias que muitas vezes ficam restritas a um pequeno grupo de amigos, ou simplesmente a duas pessoas. Achei particularmente interessante um relato sobre a vez em que ele trancou os donos do Jornal do Brasil no refeitório.

De certa forma nossas grandes histórias podem fazer com que fiquemos conhecidos, podem se perpetuar. Mas as pequenas histórias é que ficam naquela lembrança sentimental mais forte.

27/06/2017

Conversa com Darwin

Meus vizinhos tem um cachorro chamado Darwin, que ao que tudo indica, faz coisas que cachorros normalmente fazem: corre alucinadamente, pula incontrolavelmente, destrói alguns objetos e por vezes provoca intervenções paisagísticas dramáticas.

Por fazer coisas que cachorros geralmente fazem, no caso de Darwin, um labrador branco, essa coisa pode ser sua simples existência, meus vizinhos parecem gostar muito de seu animal.

No entanto, essas outras coisas de cachorro, essa parte que envolve destruição e roubo de objetos, não deixam meus vizinhos tão felizes assim. Nesses dias, eles brigam com o Darwin.

Não sei como é a casa do meu vizinho e por isso não posso dizer exatamente como a cena se desenvolve, mas sei que dia desses ele mexeu no lixo. Sim, o lixo, principalmente quando contém objetos orgânicos em estado de decomposição, pode ser um tanto quanto irresistível para um cão. Por outro lado, este objeto de fascínio canino é bastante repugnante para o ser humano. Essa é uma contradição nessa relação de espécies que deu tão certo nos últimos séculos.

Também não sei se há algum contato físico nas brigas do meu vizinho com o seu cachorro - que volto a repetir, parece ser bem amado pelos donos que o chamam de Darwilindo em momentos mais carinhosos - mas nunca escutei barulhos que indicassem tapas, ou choros caninos - ou mesmo choros humanos.

O método do meu vizinho consiste em questionar Darwin. Você mexeu no lixo, ele pergunta. Foi você que fez isso? Darwin, o que você fez? Quem é que fez isso? Muitas perguntas e Darwin jamais respondeu nenhuma delas.

Aí sim, chegamos a grande ironia da história que é um ser humano tentando conversar com um animal chamado Darwin e não obter nenhuma resposta. Da mesma que não sei o que Darwin, o cão, pensa disso, também não sei o que Darwin, o Charles, pensaria disso tudo.

Ok, este diálogo não correspondido, talvez um monólogo interpretado diante de um cão, não é exclusividade do meu vizinho. Donos de animais costumam a conversar com eles, perguntar como eles estão, o que eles querem. E nunca obtém respostas. São desconhecidas situações em que cães tenham respondido cordialmente aos seus donos sobre os seus sentimentos.

(Eu mesmo quando volto a casa dos meus pais pergunto aos cachorros de lá como é que eles estão e também nunca obtive uma resposta, mas encaro o silêncio deles como um sinal de que está tudo bem).

A evolução canina ao longo dos milênios ainda não possibilitou que eles conversem com seres humanos, eles ainda não foram capazes de aprender nenhum dos idiomas dominados pelos humanos. Eles no máximo latem, fazem suas necessidades em lugares inapropriados, constroem enormes buracos e alteram a decoração da casa para uma configuração heterodoxa. Bater um papo em língua portuguesa não está entre estas habilidades.

O que Darwin acha disso tudo?

26/06/2017

Lua Sorridente

No alto do céu, a lua parecia um enorme sorriso.

Uma lua enorme, talvez uma super-lua.

A porção iluminada da lua era ínfima, um simples risco e a posição da lua no céu nos fazia entender exatamente o seu movimento em relação ao sol. Quem brilhava não era o lado esquerdo ou diretio da lua, mas sim sua porção inferior. Pensando uma um pouco, era possível imaginar o sol escondido depois da curva do planeta e sua luz refletindo naquele pequeno pedaço do nosso satélite.

Um sorriso como o do gato de Alice n país das maravilhas.

Um fiapo de sorriso, mas um sorriso perfeito e absolutamente simétrico. Tão enorme, que era impossível manter a atenção no que acontecia na terra.

23/06/2017

Os 30 anos de Lionel Messi

Foi no dia 06 de Abril de 2010. Não havia uma pessoa no mundo que acompanhasse o futebol que não estivesse espantada com o que Lionel Messi havia acabado de fazer. Pelas quartas-de-final da Champions League, o Barcelona venceu o Arsenal por 4x1, de virada, com quatro gols do argentino. Quatro golaços, que transformaram um jogo complicado em um passeio. Depois da partida, um embasbacado Arsene Wenger declarou que Messi era um jogador de videogame.

Duas semanas antes, Messi havia dado outra demonstração de poderes sobrenaturais, durante a vitória por 4x2 contra o Zaragoza. Três gols, sendo que o segundo foi uma demonstração de luta e técnica poucas vezes vista. Naquele momento, estávamos todos encantados com Messi. Ele já era o cara que tinha feito um gol antológico contra o Getafe, marcado três gols no clássico contra o Real Madrid, já era o melhor do mundo eleito pela Fifa. Mas aqueles dias foram decisivos para percebermos que ele não era apenas um grande jogador. Era algo mais, algo difícil de descrever. Algo que Wenger tentou explicar como um jogador de videogame, mas ele estava errado.

Lionel Messi é um dos primeiros craques cujos passos foram acompanhados pelo mundo desde o começo. Eu me lembro do seu primeiro gol, contra o Albacete, recebendo um passe de Ronaldinho Gaúcho e tocando por cobertura com uma frieza impressionante. Poucos minutos antes ele havia feito a mesma jogada, mas o gol foi anulado por impedimento. Sempre que ele entrava em campo, havia uma expectativa, aquela sensação de "vamos ficar de olho nesse cara", mas era difícil apostar que ele viraria o que virou.

Existiu uma época, entre 2009 e 2012, em que quando Messi dominava a bola na intermediária, próximo a lateral, todos nós sabíamos que iria sair o gol. Ele poderia arrancar para o centro deixando todos para trás, tabelar com Daniel Alves e entrar para a área, chutar da entrada da área em curva, bater no contra pé do goleiro, dar um toque humilhante de cobertura. O repertório era incalculável, apenas sabíamos que o gol iria sair.

Messi ainda não tinha completado 23 anos no dia em que destruiu o Arsenal. Outra razão para que ficássemos espantados, era a perspectiva de que ele ainda não estivesse em seu auge e o quanto é que ele ainda poderia fazer. Bem, de certa forma aquele acabou sendo seu auge, depois de uma lesão sofrida em 2013, Messi perdeu alguma dose extra de magia, apesar de continuar fazendo coisas das quais nossas retinas chegam a duvidar.

Essa, aliás, é a principal qualidade de Messi e que me faz discordar da máxima do videogame de Arsene Wenger. Videogames não tem a imprevisibilidade do jogo de Messi. O drible de Boateng e sua consequente queda não existem em Fifas da vida. Cristiano Ronaldo, com suas skills editadas ao máximo e a maneira como joga como um míssel teleguiado em relação ao gol, se parece muito mais com o jogador perfeito de videogame.

Nos acostumamos tão mal com o nível de jogo estabelecido por Messi, que é possível apontar como frustrante uma temporada na qual ele marca 54 gols em 52 jogos. Nos decepcionamos se ele não faz um gol driblando metade do time adversário. Achamos pouco uma assistência genial que acaba desperdiçada pelo centroavante. Questionamos se ele não merece o status de gênio por não ter ganho uma copa. Chegamos nesse estranho paradoxo do tempo atual, em que alguém fracassa por não ser o melhor da história.

Sete anos depois daquele jogo contra o Arsenal, já é possível observar Messi com aquela estranha sensação de que tudo está terminando. Que ele não vai conseguir fazer mais do que já fez até agora e bem, talvez ninguém seja capaz de fazer o que ele já fez até agora. Lionel Messi sempre será daqueles jogadores que nós diremos para as futuras gerações "nós vimos esse cara jogar. Acredite, era inacreditável".