25/01/2010

O dia em que Narciso errou

O Santos sobrava em campo. Havia dominado o primeiro tempo e jogou melhor o segundo, até a metade e com isso garantia a vitória por 1x0. Nos minutos finais o time cansou. O técnico santista, Narciso, recuou a equipe e o São Paulo passou a pressionar em busca do empate. A pressão resultou no empate são-paulino, aos 40 do segundo tempo. A pressão continuou e os minutos finais foram de sufoco para a defesa santista.

Narciso dos Santos foi um volante medíocre (mediano), jogador limitado. Mas virou um exemplo de superação, quando aos 28 anos descobriu que tinha leucemia. Teve um tratamento complicado, mas conseguiu voltar a campo, para jogar apenas uma partida. Foi aplaudido de pé. Não conseguiu voltar a jogar novamente, mas a figura humana se tornou notável. Aposentou-se oficialmente em 2005 e virou treinador das categorias de base do Santos.

O erro de Narciso não foi recuar a equipe. São coisas do futebol. Narciso errou ao meio-dia, assim que o jogo acabou e ficou decidido que a Copa São Paulo seria decidida nos pênaltis. Tudo graças a um lance polêmico, aos 6 do segundo tempo. O atacante santista recebeu livre e sofreu a falta do goleiro Richard do São Paulo. O juiz poderia expulsar o goleiro, mas preferiu o cartão amarelo.

Acabado o jogo, Narciso partiu para cima do juiz reclamando do lance. Entre dedos na cara e empurrões, a Polícia Militar interveio de maneira brusca e Narciso trocou empurrões com a PM. Os jogadores santistas tiveram que acalmar o treinador.

Houve uma inversão de papéis. Esta era a hora de Narciso, com sua experiência de vida, passar tranqüilidade para os jovens jogadores, todos com menos de 18 anos. O time já poderia estar abalado com o empate sofrido no final e cabia ao treinar amenizar a situação. Mas Narciso se irritou, e ao invés de conversar com os jogadores, discutia com juízes, PMs e organizadores. Narciso errou.

Os pênaltis começaram. O time são-paulino que esteve mal e nervoso ao longo de toda a partida agora estava cheio de confiança, enquanto o Santos não estava calmo. Os batedores do São Paulo deslocaram o goleiro adversário com tranqüilidade. Enquanto o goleiro Richard defendeu, uma por uma, todas as três cobranças santistas. Uma disputa que parece que se decidiu ao meio-dia.

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