Pular para o conteúdo principal

Guardiola e a Esfinge

Se há alguém que não gostou do sorteio para as semifinais da Champions League realizado na última sexta-feira, este alguém foi o técnico catalão Josep Guardiola. As bolinhas colocaram frente-a-frente o seu antigo e até agora único clube, o Barcelona, e seu clube até a próxima temporada, o Bayern de Munique.

Até agora Guardiola tem apenas um único e excepcional trabalho, quando dirigiu o Barcelona entre 2008 e 2012, período no qual ele conquistou todos os títulos possíveis e imagináveis. Mesmo assim, é normal que existam contestações sobre a sua capacidade como técnico. Seria ele um gênio ou apenas alguém que comandou um time excepcional?

Quando o sorteio determinou o encontro entre Barcelona e Bayern, os corneteiros de plantão devem ter ficado felizes. Qualquer que seja o resultado, todos poderão dizer que Guardiola não é nada demais.

A vitória do Barcelona irá diminuir o trabalho realizado. Comprovará que o Barcelona independe do treinador e que quem decidia os jogos eram Messi, Xavi e Iniesta, não Guardiola.

Já a vitória do Bayern irá diminuir o trabalho futuro. Dirão que Guardiola pegou um elenco já qualificado e vencedor e que sua presença em nada interferiu no andamento da equipe.

(Não que seja um mérito exclusivo de Guardiola. No mundo do futebol, todos estão sujeitos as cornetas que dizem que ninguém é tudo isso).

Comentários

Postagens mais visitadas

Doze discos especialmente diferentes

Alguns artistas lançam ao longo de suas carreiras discos que se destacam absolutamente em relação ao resto que foi produzido. Não só pela qualidade, mas pela sonoridade, temática e enfim. Não se trata apenas de ser o melhor disco, mas de ser um disco diferente. Mas um diferente que não foi pensando (tipo igual o Radiohead faz), mas um diferente quase acidental. Não pretendo falar de bandas que tem um álbum excelente e outros que seguiram o mesmo estilo, só que menos inspirado (tipo Television ou Strokes). Ou artistas que tem fases bem marcadas com um grande disco dentro delas (Pink Floyd e David Bowie), ou ainda dos camaleões como Bowie, Beck e Neil Young. Ainda tento evitar a armadilha de citar muitos discos de estreia, em que essa sonoridade era fruto da inspiração e angústia da juventude, bandas que começaram muito bem e depois apenas tentariam repetir a fórmula mas sem tanta inspiração (Black Crowes, Fratellis). Bert Jansch - Bert Jansch (1965) Disco de estreia do monstro sagrado d...

Aonde quer que eu vá

De vez em quando me pego pensando nisso. Como todos sabem, Herbert Vianna, dos Paralamas do Sucesso, sofreu um acidente de avião em 2001. Acabou ficando paraplégico e sua mulher morreu. Existe uma música dos Paralamas, chamada "Aonde quer que eu vá" que é bem significativa. Alguns trechos da letra: "Olhos fechados / para te encontrar / não estou ao seu lado / mas posso sonhar". "Longe daqui / Longe de tudo / meus sonhos vão te buscar / Volta pra mim / vem pro meu mundo / eu sempre vou te esperar". A segunda parte, principalmente na parte "vem pro meu mundo" parece ter um significado claro. E realmente teria significado óbvio, se ela fosse feita depois do acidente. A descrição do acidente e de estar perdido no mar "olhos fechados para te encontrar". E depois a saudade. O grande detalhe é que ela foi feita e lançada em 1999. Dois anos antes do acidente. Uma letra que tem grande semelhança com fatos que aconteceriam depois. Assombroso.

Oasis de 1 a 7

Quando surgiu em 1994, o Oasis rapidamente se transformou em um fenômeno midiático. Tanto por suas canções radiofônicas, quanto pela personalidade dos irmãos Gallagher. Eles estiveram na linha frente do Britpop, movimento que redefiniu o orgulho britânico. As letras arrogantes, o espírito descolado, tudo contribuiu para o sucesso. A discografia da banda, no entanto, não chega a ser homogênea e passa a ser analisada logo abaixo, aproveitando o retorno do grupo aos palcos brasileiros após 16 anos.  Definitely Maybe (1994) O primeiro disco do Oasis foi durante muito tempo o álbum de estreia mais vendido da história do Reino Unido. Foi precedido por três singles, sendo que dois deles são clássicos absolutos - Supersonic e Live Forever . O vocalista Liam Gallagher cantava em algum lugar entre John Lennon e Ian Brown, enquanto o som da banda bebia de quase tudo o que o Reino Unido havia produzido nos 30 anos anteriores (Beatles, T. Rex, Sex Pistols, Smiths, Stone Roses). O disco começa c...