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Jack White, somente ele

Jack White não erra. Seus seis discos a frente dos White Stripes e os dois a frente dos Raconteurs mantém um nível sempre bom (os dois do Dead Weather são uma exceção, mas, relevemos, porque ele não é o principal compositor). Com o fim dos Stripes e com os Raconteurs parados, White resolveu sair em carreira solo, um terreno novo para ele.

A dúvida era: o que esperar? Os Stripes já eram uma espécie de trabalho solo. Ele escrevia todas as canções, tocava-as do jeito que ele queria e Meg White tocaria do jeito que ele quisesse. Se fosse para seguir com um som similar ao estilo da banda, ele não precisaria ter terminado a parceria com Meg.

Blunderbuss, a sua estréia solo, tem alguma coisa dos Stripes. Há alguma coisa das guitarras - afinal, ele ainda é Jack White - mas o disco não tem aquela sonoridade infernal do duo (Ele também substituiu o vermelho e branco pelo azul). Blunderbuss está muito mais para os Raconteurs e em alguns momentos até parece conter algumas sobras de estúdio de Consolers of Lonely.

White privilegiou o violão e o piano nas canções, mas a sonoridade está mais para um folk/country similar aos Raconteurs, deixando o blues dos Stripes para trás. A principal diferença, talvez, está numa presença forte de backing vocals femininos. A impressão que fica é que White também controla as rédeas dos Raconteurs. Brendan Benson acaba de lançar um disco, também ótimo, mas de sonoridade bem distante ao da parceria entre os dois.

Blunderbuss é um disco correto, pois, como eu disse, Jack White não erra. Mas a impressão é de que o disco não marca e não chega a acrescentar muito a sua carreira. O principal destaque talvez fique por conta das letras, que mostram um Jack White amargurado com a vida (ou alguém não-amargurado cantaria "eu preciso de um amor que transforme meus amigos em inimigos e diga que a culpa é toda minha?).

Será que White funciona melhor com uma banda ao seu redor? Mesmo com essas bandas sendo controladas por ele próprio. Esperamos os próximos discos para saber.

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