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Valéria, Valéria

Valéria, você não me conhece, mas eu bem te conheço.

Ainda me lembro do dia em que você entrou na minha vida, três anos atrás. Um sábado de manhã quando uma mensagem chegou em meu celular. Pedia para que você, Valéria, regularizasse sua situação junto ao crediário da Riachuelo.

Não levei a sério, achei que fosse um spam, um engano. Engano o meu, Valéria. A mensagem chegou por vários dias. Chegaram a me ligar Valéria, sua caloteira, acredita? Me ligaram querendo falar com você. Duvidaram que eu não fosse você, ou que você realmente não estivesse aqui.

Um dia me ligaram de uma concessionária. Durante sete dias úteis consecutivos, Valéria. Eu notava o desespero na voz da mulher do outro lado. O que é que você faz Valéria?

A situação saiu do controle Valéria, sua burra, quando passei a receber ligações de pessoas comuns. Escutava crianças chorando, televisões ligadas ao fundo. Será que ao invés de caloteira, você apenas não sabe seu número, heim, Valéria, sua anta. O que custa você dar o número certo para as pessoas? Porque você dá o meu número? Que engano é esse, Valéria? É algo pessoal?

Hoje me chega novamente uma mensagem da Riachuelo, Valéria. Eles ainda querem que você regularize sua situação de crediário. Insistentes eles, não? E você. Ah, você continua a mesma de sempre, não é mesmo

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