Estou eu na academia em uma manhã de domingo, um dia providencialmente bom para fazer exercícios com tranquilidade, sem precisar encarar uma longa espera pela oportunidade de utilizar o peck deck ou a puxada na frente.
Historicamente, o domingo é um dia em que as pessoas não estão acostumadas a treinar já que tradicionalmente as academias não abriam neste dia. Foi só com o advento das grandes redes, como SmartFit, que as pessoas pararam de guardar o domingo.
Mesmo assim, o domingo é um dia propício para se estar de ressaca, com preguiça ou outros planos que não sejam adentrar um espaço fechado e levantar pesos de maneira repetitiva ao som de um bate-estaca aleatório - que ninguém escuta mais, já que não há quem não esteja com fones de ouvido lá dentro.
O único dia que é tão bom quanto o domingo é a sexta-feira, quando as pessoas também resolvem sextar e emendar o trabalho com um chopp ou coisa parecida, em vez de malhar.
As segundas, por sua vez, são terríveis, com todo mundo tentando recuperar o tempo perdido no fim de semana e piores ainda são os feriados durante a semana, quando todos os frequentadores do empreendimento resolvem aparecer lá no horário condensado de abertura.
Que seja. Estava eu lá sentado no peck deck, quando vejo surgir um rapaz - latino americano, com uma camisa do Joy Division.
Sim, era a camisa do Joy Division que mais poderia se esperar, aquela que reproduz a capa do disco Unknown Pleasures, preta com várias linhas, representando frequências de rádio. Já seria um pouco estranho encontrar alguém celebrando Ian Curtis em uma academia, mas o meu maior estranhamento é que a camisa era regata.
Aí sim estava tudo errado. Basicamente, não dá para usar uma camisa regata do Joy Division. Muito do sofrimento psicológico de Ian Curtis, provavelmente, foi baseado na possibilidade de imaginar que alguém usaria camisetas regatas da sua banda um dia.
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