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O que há onde há fumaça?

Cuiabá é um cidade com um relevo curioso, de tal forma que você invariavelmente passa por um lugar mais alto e tem uma ampla visão do entorno. Até por conta desse relevo, as ruas de Cuiabá não são retas e não formam quadras perfeitas, para desgosto de Lúcio Costa. Cuiabá também é uma cidade que sofre com um longo período de estiagem, época em que as queimadas urbanas se sucedem interminavelmente, provocando um caos de fumaça.

Quase sempre você está no topo de um morro e vê um desses focos de calor* e começa a imaginar de onde vem essa fumaça. Mas, isso é impossível, com raras exceções.

Com o tempo, aprendi que a fumaça não é tridimensional e é impossível ter qualquer sensação de profundidade ao olhar seu rastro. Simplesmente não dá pra saber se aquilo que vemos é um fiapo de fumaça atrás do prédio do outro lado da rua ou se é um campo de futebol pegando fogo do outro lado da cidade. O Morro de Santo Antônio finalmente se revelou um vulcão adormecido ou é apenas uma ilusão de ótica?

Então, aquela nuvem de fumaça parece estar atrás do meu trabalho. Duas curvas depois, parece que ela está lá para os lados de Chapada dos Guimarães e mais uma curva ao contrário e o seu trabalho volta a pegar fogo. A fumaça está sempre próxima, mas nunca chega. Você anda por algum tempo e nunca chega a origem desse foco. Diria que a fumaça é um arco-íris com menos poesia e menos viadagem.

*uma maneira menos ofensiva de se referir a uma queimada.

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