14/02/2010

Sapos suicidas

Por anos, as galinhas ocuparam o lugar de animal mais idiota do mundo no meu imaginário. Se estão seguras na calçada, elas preferem se jogar na frente do carro para sair correndo. Uma atitude típica de um animal que gosta de viver a vida perigosamente. Ou de maneira idiota.

Mas ontem descobrir que sapos são piores. Eles não arriscam sua vida com corridas perigosas. Eles preferem a clara tentativa de suicídio.

Estava voltando a noite para casa. Chuvisco leve, rua molhada, paredes úmidas. Anfíbios gostam de climas assim. E do nada, vejo um sapo saltando alucinadamente na direção do meu carro. Tentei desviar, mas não sei se poupei a vida do batráquio, depois de sua corrida kamikaze.

Pouco mais a frente, outro sapo, menorzinho, repete o ato desesperado. Comecei a pensar que fosse o fim do mundo e que os sapos estivessem cometendo suicídio em um ato desesperado.

Depois descobri o real motivo. A luz do carro reflete nos insetos. Os sapos então são atraídos pela imagem do farto banquete e partem em direção aos insetos como se não houvesse amanhã.

Assim, passei a entender as várias carcaças de sapo que sempre encontrei nas ruas. Sempre pensei "como tantos sapos são atropelados?". Agora entendo, a culpa é do sapo. Ou a culpa é do farol.

Um comentário:

Ana Rosa disse...

Lembrei do Paul Thomas Anderson e sua chuva de sapos.