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Postagens

Promoção de aniversário

Já faz algum tempo que o marketing de toda e qualquer empresa tenta capitalizar em cima dos aniversários das pessoas. Com mensagens prontas que tentam parecer personalizadas e inúmeros descontos, a indústria tenta aproveitar a fragilidade emocional provocada pelo assoprar de velinhas para reforçar sua marca, fidelizar o cliente e, se pá, vender alguma coisa. Como os seus dados hoje em dia estão nas mãos de várias empresas, chegamos ao insólito momento em que você muito provavelmente é mais parabenizado por marcas e seus robôs, do que por pessoas de verdade. Neste ano, resolvi analisar as mensagens corporativas de aniversário que recebi na semana passada. O primeiro de todos foi o NuBank, que enviou uma mensagem de parabéns pelo próprio aplicativo, com uns dois dias de antecedência, redirecionando para um vídeo no youtube que começava com a interrogação "achava que a gente ia esquecer?". Até eu ainda não me lembrava no momento. Achei um pouco desnecessário fazer com que ...

É preciso admirar Marta enquanto ainda há tempo

Nunca houve outra jogadora como Marta. A brasileira estará para sempre na história do futebol feminino por ser, entre outras coisas, um paradigma do jogo. Eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo, não há nenhuma outra que se compare a Marta. As outras jogadoras se destacavam pelo absurdo poder de finalização, algumas se beneficiavam da força física para atropelar as adversárias, há aquelas que são muito técnicas, mas nenhuma é mágica. Marta é habilidade pura, domina o espaço do jogo e é capaz de algumas jogadas antológicas, como seu inesquecível gol contra os Estados Unidos na Copa do Mundo de 2007. Mas, estes são os fatos concretos. A imortalidade de Marta está no imaginário que ela representa. Para todo o sempre, sempre que uma jogadora aparecer e fizer jogadas espetaculares em qualquer lugar do mundo, ela será comparada a Marta. A brasileira é praticamente o modelo de jogadora ideal, será um eterno ponto de comparação de qualidade, é quase um mito fundacional do esporte, daq...

Niki Lauda

Dentro das pistas, é possível dizer que existiram dois Niki Lauda. Um antes e outro depois do acidente em Nurburgring, 1976. O primeiro era mais rápido e impetuoso. Conquistou 12 das suas 25 vitórias nos dois anos e meio de Ferrari antes do acidente. No mesmo período marcou 21 das suas 24 poles. Foi campeão mundial e teria sido bicampeão em 1976, não fosse o acidente. Também poderia ter ganhado em 1974, quando fez mais poles e liderou mais voltas. O segundo Lauda era mais tático, não dava show, mas era consistente. Foi campeão em 1977 com um recorde de segundos lugares. Aliás, ganhou dois títulos mundiais tendo menos vitórias que os seus oponentes. O que torna Lauda único é que ele foi dois e venceu de ambas as formas. O que o torna ainda mais especial é a maneira como perdeu o titulo de 1976. Depois de quase morrer e carregar sequelas para a vida inteira, depois de superar as dores e voltar ...

Top 8: Sequências de Três Discos

Depois de ver um tuíte questionando se haveria uma sequência de três discos melhores do que The Bends, Ok Computer e Kid A do Radiohead, segue uma lista pessoal com as oito melhores sequências de três discos lançadas por qualquer artista que eu conheça. Tentei juntar discos que de alguma forma realmente pareçam parte de uma trilogia e manter na lista apenas sequências em que os três discos tem suas qualidades. (Sem Radiohead, porque eu acho o Kid A um saco). 8 The Clash - The Clash (1977) / Give 'em Enough Rope (1978) / London Calling (1979). Em três discos o Clash fundou o punk rock, passeou pelo rock de arena e terminou em um lugar indefinido. Músicas tocadas com urgência, letras políticas e apocalípticas e uma porção de clássicos. 7 Oasis - Definitely Maybe (1994) / (What's The Story) Morning Glory (1995) / Be Here Now (1997). A glória e miséria do britpop e dos anos 90 em três discos. Ascensão, apogeu e queda. Uma brilhante estreia, seguida pela explosão comercial e...

Encontrando Ricardo

Encontrei Ricardo na fila do Subway. Entre os queijos e a salada fiquei sabendo que ele está casado e mora no mesmo bairro em que eu moro. Quando éramos pequenos, tínhamos a mesma idade e também morávamos no mesmo bairro. Conheci Ricardo na pré-escola e segui estudando com ele até o 2º ano, nem sempre na mesma turma. Ricardo lembrou de quantas vezes jogamos bola no gramado da minha casa. Perguntou dos meus pais e perguntei dos dele. Se lembrou dos cachorros e do vizinho da frente, todos já morreram. Lembrei das tantas partidas de International Super Star Soccer Deluxe, jogadas no meu quarto e na sala da casa dele. Quando começamos a voltar a pé para casa do colégio, voltávamos juntos e eu sempre parava para tomar água na casa dele. A essa altura o pai dele já tinha comprado um galpão do lado da casa dele. Quando nos conhecemos éramos filhos únicos, mas agora ele já não é mais. No começo dos anos 2000 ele ganhou uma irmã, que caramba, já deve ter 18 anos. No dia em que ela nas...

Distopia Flutuante

Tive que pesquisar o nome no Google: Hoverboard. Durante algum tempo, em minha ignorância sobre as novas tecnologias, pensei que eram apenas Segways, aquela mistura de patinete invertida motorizada com púlpito ambulante, que confere aos seguranças de Shopping um aspecto de autoridade. No entanto, os Segways têm um guidão, manopla, braço de apoio ou que quer que seja utilizado pelos referidos seguranças para se equilibrarem enquanto deslizam onipresentes pelos espaçosos e bem iluminados corredores dos estabelecimentos comerciais. O Hoverboard não tem este apêndice fálico, sendo apenas uma prancha de skate com rodas laterais. Um meio de locomoção que parece surgido diretamente de "De Volta Para o Futuro" e que virou uma febre incurável entre as crianças. Saio para correr no condomínio onde moro e por um instante acho que fui abduzido para uma ficção distópica disponível para os assinantes de um serviço de Streaming. Por onde ando, vejo crianças mesmerizadas sobre estes apar...

Professores

Estive pensando na figura dos professores que temos no colégio. Durante alguns anos de nossas vidas, acabamos por conviver com eles tanto quanto com nossos pais. Odiamos alguns, idealizamos outros, eles se tornam os responsáveis por avaliar se estamos aptos a conviver em uma sociedade de informação - repassando-nos, se possível de maneira didática, essas informações. E então desaparecem. Ou melhor, continuam no colégio, nós é que saímos de lá e somos substituídos por outros alunos que irão ocupar o mesmo estereótipo que um dia nós ocupamos (o bom aluno, o preguiçoso, o bagunceiro, aquele que só precisa se esforçar mais). Tive alguns professores pelos quais guardo muito carinho e que depois nunca mais vi na minha vida. Assim como também pouco vi os professores dos quais eu não gostava e provavelmente já não lembro de tantos outros, que por uma razão ou outra não ficaram marcados na minha memória. Chego a pensar que professores não devem gostar muito de sair de casa, correr o risco de ...

Jesus Apagado

Dava para ver em sua expressão corporal que ele estava fazendo uma obra de arte. Os carros passavam devagar na sequência de três quebra-molas em frente a uma escola na Morada do Ouro, mas nada desconcentrava o pintor que desenvolvia seu processo criativo em um muro de Igreja. O desenho, como não poderia deixar de ser, tinha motivação bíblica. Em um campo, Jesus - o nosso pastor - era seguido por um grupo de ovelhas, mas, mais do que isso, carregava uma ovelha em suas costas, como se estivesse participando de um crosfit da antiguidade. Cada par de patas do ovídeo se debruçava sobre cada ombro do filho de Deus, com o torso macio e coberto de lã do animal envolvendo seu pescoço santo. Dentro dessa composição, nada tomou mais tempo do artista do que o céu. O espaço pintado todo de azul foi ganhando pinceladas precisas de tinta branca, mostrando que o tempo estava parcialmente nublado naquele dia, naquele pasto. O pintor recuava dois ou três passos, analisa sua obra, a composição, a...

Magnólia

Enquanto o relógio do aplicativo de corrida ainda chegava no seu primeiro minuto, me deparei com três sapos na esquina da rua de baixo. A situação me pareceu estranha, mas não quis criar nenhuma teoria sobre isso. Aos poucos, enquanto eu ganhava mais quilometragem e passava por mais ruas fui percebendo que todas elas estavam infestadas de sapos. Sempre em grupos de três ou quatro, exceção feita a um, o mais assustador dos sapos que eu já vi - e os outros sapos também deviam pensar isso, pois ele estava pulando sozinho embaixo de um poste. A cada nova rua que eu entrava, lá estavam a pequena quadrilha de sapos e eles logo se dispersavam quando eu me aproximava, como se fossem um grupo de anfíbios subversivos percebendo a chegada de uma viatura policial. Sapos tem um estranha maneira de se portar diante dos inimigos. Eles ficam completamente paralisados a medida que você se aproxima deles. Esses pré-históricos animais se camuflam muito bem em seu habitat natural e acho que a estr...

Cinco reflexões sobre as eleições

"Uma câmera na mão e um ódio na cabeça". Eis um lema que definiria bem vários dos candidatos que tiveram votação recorde no último domingo. Uma eleição que pode ser apenas um ponto fora da curva de nossa história recente ou uma mudança de paradigma na forma de se realizar uma campanha - o que é mais provável. O impacto das novas formas de comunicação sobre a sociedade logicamente se refletiria na política. Eis alguns pensamentos sobre o que se passou. 1) A internet venceu a televisão Antes da campanha eleitoral foi posto que o embate entre Geraldo Alckmin e Jair Bolsonaro serviria como um tira-teima entre a importância da internet e da televisão na disputa. (Vale lembrar que a primeira pesquisa Ibope mostrava Bolsonaro com 20% dos votos e Alckmin com 9%). O resultado mostra que a internet venceu. Sim, acredito que o eleitor ainda acompanhe a TV, alguns vejam as propagandas e debates, se informem e formem opiniões por lá. Mas, o equívoco é colocar a disputa internet x tel...

Regressiva dos candidatos à Presidência da República

Seguindo uma tradição iniciada em 2014, minha ordem de preferência de candidatos. 13 Jair Bolsonaro O candidato da barbárie fica aqui acompanhado do incômodo número 13. Não há uma única razão lógica para votar em Bolsonaro, além de uma raiva desnorteada contra tudo o que está aí. Deputado Federal incompetente, ganhou repercussão em programas humorísticos e montou sua primeira base de fãs entre setores preconceituosos da sociedade. Foi amaciando o discurso preconceituoso e focou no combate à corrupção e violência para ganhar novos adeptos. Sabia que não perderia os convertidos e por isso poderia mudar de opinião para agregar novos setores. O pior candidato que o Brasil já teve deverá ser eleito e só restará aos outros o direito de no futuro poder falar "eu avisei que ia dar merda". 12 Cabo Daciolo O candidato folclórico dessa eleição mantém a audiência dos debates e uma coerência que só os loucos têm. No entanto, tudo tem limite e o Cabo Daciolo deveria ficar restrito ao...

A narrativa de uma realidade paralela

Liguei a TV ontem exatamente às 20h05, para ver como seria a cobertura política do Jornal Nacional sobre as manifestações do dia. Estava 10 minutos atrasado em relação ao início do jornal e, assim, acredito que perdi o que foi mostrado sobre o #EleNão. Sintonizei a Globo no momento em que começava uma matéria sobre a volta de Bolsonaro para casa em um voo que teve xingamentos e gritos de apoio. Logo depois, o jornal mostrou as manifestações, em sua maioria carreatas, feitas em apoio ao presidenciável do PSL. Pessoas de verde e amarelo em Copacabana, buzinaço em Teresina, Joinville, Divinópolis, 16 cidades no total. Uma delas, no interior de São Paulo, contou com a presença de um dos filhos do capitão. Bolsonaro ainda foi entrevistado dentro do avião e repetiu que, pelo o que vê nas ruas, não aceitará outro resultado que não seja sua vitória em PRIMEIRO TURNO. Falou sobre fraude nas urnas. Houve tempo ainda para uma matéria com a ex-mulher do candidato, antes do início da cobertura ...

Mudança de Estratégia

Feliz é o candidato que consegue manter o seu discurso durante toda a campanha. Antes das eleições, a equipe de cada candidato traça uma estratégia, sobre a imagem pública que ele quer passar, o discurso que ele vai manter durante a campanha para conquistar, se não o coração, pelo menos o voto do eleitor. E lá se vão as pesquisas qualitativas, os publicitários e coordenadores em busca das palavras-chaves para se comunicar com o cidadão. Dessa forma, tanto a candidatura do PT quanto a do Bolsonaro não foram desconstruídas pelo decorrer dos fatos ou dos adversários. Desde o começo, o PT estava aí para fazer o Brasil feliz de novo, apostando na percepção de parte da população que as coisas estavam melhores antes. O mesmo ocorre com o Bolsonaro, que sempre foi a candidatura da defesa do país contra a ameaça comunista (?), contra tudo o que está aí, e pela preservação dos valores conservadores. Em ambos os casos, são narrativas que estão sendo construídas há algum tempo. Desde que Bol...

As dúvidas de Alckmin

Aos poucos, Geraldo Alckmin foi se convertendo no candidato do PSDB para as eleições presidenciais de 2018. Sua re-eleição em primeiro turno para o Governo de São Paulo colocou seu nome no páreo e então, foi só esperar a profecia de Jucá ser cumprida (Aécio será o primeiro a ser comido) para que o nome de Geraldo fosse ungido para a disputa. Ser o candidato do PSDB à Presidência é um ótimo negócio. Desde 1994 os tucanos estiveram juntos com o PT nas duas primeiras posições da disputa. Na eleição do Brasil mais dividido desde a redemocratização e com Lula preso, ser o candidato do PSDB parecia ser o passaporte garantido para o segundo turno, onde tudo pode acontecer. De fato, o caminho parecia traçado dois anos atrás, quando Alckmin chegou a liderar a campanha. Só que tudo se perdeu. Os seus aliados dizem que ele tem a convicção de que no fim tudo vai dar certo (para ele). Mas o fato é que falando um mês para as eleições, ele não consegue chegar aos dois dígitos nas pesquisas de int...