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A viagem do Carrinho

O aniversário do meu filho estava chegando e o meu pai teve a ideia de dar para ele uma miniatura da Ferrari do Charles Leclerc, já que não deve ter nada que meu filho goste mais do que de carrinho, de Ferrari e do Charles Leclerc (coitado). Pois bem, fui no site da Amazon, encontrei um modelo, o prazo de entrega era compatível e comprei. Só no dia seguinte, quando o produto foi enviado, é que eu percebi que eu acabei enviando o carrinho para a casa do meu tio em Florianópolis. Explico, uma vez eu comprei um presente para minha afilhada lá e o endereço ficou salvo. E, por alguma razão, a Amazon achou que esse era o endereço principal de entrega. Eu sempre trocava, mas dessa vez, pelo jeito, esqueci. Tentei falar com atendentes para trocar o destino, mas não foi possível. Aliás, mais do que impossível, eles me deixaram na dúvida, falando que talvez desse certo, talvez não, só me restava esperar. Bem, a loja que vendeu o carrinho ficava em São José. São José, para quem não sabe, é o muni...
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Ryan Adams, de 1 a 16

Uma das carreiras mais prolíficas e erráticas do século XXI. Começo promissor, o meio é titubeante, um breve retorno à forma interrompido por acusações de abuso psicológico. A discografia de Ryan Adams é desafiadora: muitas músicas, muita coisa ruim e algumas pérolas escondidas no meio do caminho. Heartbreaker (2000) Antes de sair em carreira solo, Ryan Adams lançou três discos pelo Whiskeytown, cultuado conjunto de alt-country, que nunca chegou a ser sucesso de público. Em sua estreia solitária, Adams se aproxima do folk e o resultado é mais um disco bem recebido pela crítica. Coeso em sua produção, Heartbreaker peca por ser extremamente extenso e com alguns momentos sonolentos. O destaque fica por conta de Come, Pick Me Up - a melhor música que Adams escreveu em sua vida. A faixa de abertura To Be Young (is to be sad, is to be high) é outro ponto alto, traçando no início a altura do sarrafo que ele poderia alcançar. Como faixa bônus há uma versão ao vivo de uma canção que não poder...

Campeões piores do que Lando Norris

Ao final da última temporada, Lando Norris entrou para a galeria dos campeões mundiais de F1, clube que tem 35 pilotos participantes. Por razões difusas, Norris acabou se tornando odiado em muitos círculos da Fórmula 1 nas redes sociais, alvo preferencial dos fã-clubes de Verstappen e Piastri (?). O que teve de gente falando que ele seria o pior campeão da história não é brincadeira. Mas isso não é verdade. Norris pode não ter aquele brilho de gênios geracionais como Verstappen, Hamilton, Schumacher e etc, mas está longe de ser uma vergonha na lista. Vejamos: Eram piores do que Norris (mas isso não significam que eram ruins. Ninguém vira campeão de Fórmula 1 sendo um Nikita Mazepin da vida) Phil Hill : o norte-americano foi campeão mundial em 1961, ano em que a Ferrari destruiu a concorrência com seu modelo nariz de tubarão. Neste ano Hill fez pole em cinco das oito corridas e venceu duas delas. Estava sendo superado pelo não tão brilhante assim Wolfgang von Trips, até o trágico aciden...

Doze discos especialmente diferentes

Alguns artistas lançam ao longo de suas carreiras discos que se destacam absolutamente em relação ao resto que foi produzido. Não só pela qualidade, mas pela sonoridade, temática e enfim. Não se trata apenas de ser o melhor disco, mas de ser um disco diferente. Mas um diferente que não foi pensando (tipo igual o Radiohead faz), mas um diferente quase acidental. Não pretendo falar de bandas que tem um álbum excelente e outros que seguiram o mesmo estilo, só que menos inspirado (tipo Television ou Strokes). Ou artistas que tem fases bem marcadas com um grande disco dentro delas (Pink Floyd e David Bowie), ou ainda dos camaleões como Bowie, Beck e Neil Young. Ainda tento evitar a armadilha de citar muitos discos de estreia, em que essa sonoridade era fruto da inspiração e angústia da juventude, bandas que começaram muito bem e depois apenas tentariam repetir a fórmula mas sem tanta inspiração (Black Crowes, Fratellis). Bert Jansch - Bert Jansch (1965) Disco de estreia do monstro sagrado d...

Prazeres Desconhecidos

Estou eu na academia em uma manhã de domingo, um dia providencialmente bom para fazer exercícios com tranquilidade, sem precisar encarar uma longa espera pela oportunidade de utilizar o peck deck ou a puxada na frente. Historicamente, o domingo é um dia em que as pessoas não estão acostumadas a treinar já que tradicionalmente as academias não abriam neste dia. Foi só com o advento das grandes redes, como SmartFit, que as pessoas pararam de guardar o domingo. Mesmo assim, o domingo é um dia propício para se estar de ressaca, com preguiça ou outros planos que não sejam adentrar um espaço fechado e levantar pesos de maneira repetitiva ao som de um bate-estaca aleatório - que ninguém escuta mais, já que não há quem não esteja com fones de ouvido lá dentro. O único dia que é tão bom quanto o domingo é a sexta-feira, quando as pessoas também resolvem sextar e emendar o trabalho com um chopp ou coisa parecida, em vez de malhar.  As segundas, por sua vez, são terríveis, com todo mundo tent...

Três homens e um destino na F1

Ou, quando a Fórmula 1 chegou a sua última corrida com pelo menos três pilotos disputando o título. Alguém fez o levantamento esses dias: em 75 temporadas de Fórmula 1, apenas 30 vezes o título foi decidido na última corrida, ou em 40% da vezes. O que mostra que títulos decididos no fim não são assim tão comuns. Mas, em algumas dessas 30 vezes fomos premiados com uma disputa aberta entre três pilotos. Vamos lembrar essas ocasiões. EUA 1959 Brabham x Moss x Brooks Após a vitória de Stirling Moss na penúltima corrida do ano, em Monza, o campeonato chegava para sua decisão com o seguinte cenário: 1) Jack Brabham (Cooper-Climax) 31 pontos 2) Stirling Moss (Cooper-Climax) 25,5 pontos 3) Tony Brooks (Ferrari) 23 pontos. Naquele campeonato de 9 corridas, apenas os 5 melhores resultados contavam, ou seja, havia 4 descartes. Brabham e Moss já tinham cinco pontuações, o que significa que o australiano precisava marcar pelo menos 6 pontos para melhorar sua situação, enquanto que Moss iria descart...

Um reencontro com Richard Ashcroft

Não haveria escolha melhor para abrir um show do Oasis do que Richard Ashcroft. O ex-vocalista do The Verve sempre esteve associado aos irmãos Gallagher e durante muito tempo, conhecer o grupo de Wigan era o passo seguinte para os fãs do Oasis. Afinal, o Verve também tinha baladas grandiosas, refrões épicos e aquele senso de grandiosidade Britpop que marcaram o grupo dos irmãos. Bem, pelo menos quando falamos do Urban Hymns, grande sucesso do Verve. Quem se atrevia a ir além geralmente quebrava a cara, batendo nas paredes de guitarras reverberando, letras depressivas e experimentações psicodélicas que marcaram os primeiros discos do grupo liderado por Ashcroft, que também contava com Nick McCabe nas guitarras, Simon Jones no baixo e Peter Salisbury nas baterias. Ashcroft era um tipo diferente dentro do universo Britpop. Ele era o que se pode chamar de gênio atordoado, esse arquétipo tão comum no meio da música. Enquanto Liam e Noel Gallagher eram hooligans com algum senso comunitário, ...

Oasis e a Cápsula do Tempo

Não dá para entender o Oasis pensando apenas na relevância das suas músicas, nos discos vendidos, nos ingressos esgotados ou nas incontáveis exibições do videoclipe de Wonderwall na MTV. Além das influências musicais, das acusações de plágio e das brigas públicas, o Oasis faz parte de um fenômeno cultural (um pouco datado, claro), mas é uma banda que captou o espírito de uma época e transformou isso em arte, promovendo uma rara identificação com seus fãs. Os anos 1990 foram marcados por problemas econômicos no mundo inteiro. Uma juventude já desiludida não via muitas perspectivas de vida. A Guerra Fria havia acabado, uma nova revolução tecnológica começava, o Reino Unido vivia uma crise pós governo Thatcher e nesse cenário surge um grupo cantando letras incrivelmente ousadas para meros desconhecidos.  Definitely Maybe, primeiro disco do grupo, fala sobre curtir a vida de maneira meio sem propósito e sem juízo. A diversão que só vem com cigarros e álcool, o sentimento supersônico de...