Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de abril, 2026

O vice enquanto fiador da democracia

No fim de 2015, o então vice-presidente Michel Temer publicou uma longa carta dor-de-cotovelo endereçada à presidente Dilma Rousseff. A intenção era marcar posição publicamente e mostrar que estava rompendo com a gestão petista, sob o lema “verba volant, scripta manent”. Era um momento em que Dilma enfrentava uma série de instabilidades e Temer sinalizava para todos os agentes políticos que ele estava ali, pronto para matar a bola no peito e prosseguir o show, se por um acaso o Congresso Nacional estivesse pensando em um processo de impeachment. Em meio ao chororô do vice-decorativo e etc, Temer afirmou: sei quais são as funções do Vice. De fato, está na constituição que ele deve defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem estar do brasileiro, sustentar a União, a integridade e a independência do Brasil. Um papel que, no fundo, não se distingue do da maioria dos cidadãos brasileiros. No entanto, o que Temer estava inaugurando, ou oficializando, era um novo papel...

Tame Impala & Ben Kweller

O Tame Impala é uma banda que teve certo impacto na bolha da qual eu faço parte, quando o grupo liderado por Kevin Parker estourou no final de 2012. Eles estavam lançando o seu segundo disco, Lonerism , que lapidava a psicodelia bruta e pesada do disco anterior, Innerspeaker . O disco de estreia flertava com a estética lo-fi, com uma psicodelia construída a partir dos bons riffs de guitarra e vocais abafados. Em Lonerism surgiam teclas das mais variadas, texturas psicodélicas e aquilo que se convém chamar de groove. Desde a batida inicial de Be Above It , a viagem de Apocalypse Dreams , o riff de Mind Mischief , o transe de Elephant e a grande obra-prima Feels Like We Only Go Backwards . A jornada psicodélica de 1967 estava de volta. Tudo começou a desandar em Currents , quando Parker começou a abandonar qualquer resquício de organicidade em busca de um som eletrônico, com pegada de R&B moderno e synth-pop. Canções pop triviais receberam texturas psicodélicas eletrônicas. Mas, ok, ...

Correspondente de Guerra Contemporâneo

O correspondente de guerra é uma figura quase mítica do mundo jornalístico. Um repórter que é enviado ao campo de batalha para percorrer escombros, fugir de bombardeios, conversar com refugiados e questionar autoridades em busca de informações sobre o conflito que será noticiado. O jornalismo sempre foi a busca objetiva dos fatos e não há maneira melhor de encontrar a notícia do que vê-la de perto. Já o fato de que um dos postos mais prestigiados do jornalismo é ser um cidadão constantemente ameaçado de morte diz muito sobre as misérias da profissão. No entanto, o papel do correspondente tem mudado nos últimos conflitos midiáticos. Não vemos mais Marcos Losekann desviando de mísseis na Faixa de Gaza. A cobertura das guerras atuais diz muito sobre as tendências do jornalismo atual. Primeiro, é preciso levar em conta que o jornalismo é uma profissão que vive em conflito com o mundo da internet. Há uma crise de credibilidade e uma eterna crise financeira, que leva à busca constante pela e...