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Tame Impala & Ben Kweller

O Tame Impala é uma banda que teve certo impacto na bolha da qual eu faço parte, quando o grupo liderado por Kevin Parker estourou no final de 2012. Eles estavam lançando o seu segundo disco, Lonerism, que lapidava a psicodelia bruta e pesada do disco anterior, Innerspeaker.

O disco de estreia flertava com a estética lo-fi, com uma psicodelia construída a partir dos bons riffs de guitarra e vocais abafados. Em Lonerism surgiam teclas das mais variadas, texturas psicodélicas e aquilo que se convém chamar de groove.

Desde a batida inicial de Be Above It, a viagem de Apocalypse Dreams, o riff de Mind Mischief, o transe de Elephant e a grande obra-prima Feels Like We Only Go Backwards. A jornada psicodélica de 1967 estava de volta.

Tudo começou a desandar em Currents, quando Parker começou a abandonar qualquer resquício de organicidade em busca de um som eletrônico, com pegada de R&B moderno e synth-pop. Canções pop triviais receberam texturas psicodélicas eletrônicas. Mas, ok, The Less I Know the Better tem um ritmo irresistível e Let It Happen é uma joia de psicodelia eletrônica.

Mas, qualquer esperança acabou quando veio The Slow Rush e sua releitura da disco music dos anos 70, misturada com o soft-rock e pop progressivo da época (Alô Supertramp). Um disco bem esquecível. Só que tudo ficou ainda pior com Deadbeat, quinto álbum do Tame Impala, lançado em 2025.

Dracula, a música de trabalho poderia ser uma música banal da Rihanna. Ethereal Connection poderia estar em uma coletânea Summer Electro Hits da Jovem Pan da virada do século. O álbum reproduz a experiência de fazer compras em uma loja de departamentos. Difícil ter qualquer esperança que Kevin Parker volte a gravar música relevante qualquer dia.

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Ben Kweller, por outro lado, nunca teve muito impacto. Na estrada desde que era um adolescente prodígio tocando no Radish, ele nunca esteve perto de ter qualquer tipo de sucesso comercial. Sua carreira solo tem trabalhos brilhantes, mas que sempre fizeram sentido apenas ao seu pequeno grupo de fãs.

Os três primeiros discos são incríveis e captam um jovem amadurecendo rapidamente, saindo do interior do Texas para Nova York e depois voltando para casa. Depois disso seus álbuns sempre revelaram algumas boas canções, mas sem a urgência e pungência dos trabalhos iniciais.

Cover the Mirrors, lançado em 2025, muda um pouco este cenário. O disco é envolvido em uma tragédia pessoal, afinal, foi gravado após Kweller perder seu filho de 16 anos em um acidente de carro. Da dor inimaginável surge uma arte potente, que talvez conforte o autor e o ouvinte.

As letras intimistas sempre foram uma característica de Ben e ele não foge disso aqui. O luto é tratado em Going Insane, Depression e Letter to Agony. A esperança aparece em Brakes e Don’t Cave - linda balada que diz para não desistir quando o coração dói - e que arremata com uma frase despedaçante: “Não estamos perdidos, estamos à beira de um adeus que não deveríamos dizer”. Dilacerante, mas há algum tipo de esperança.

Kweller pisa no acelerador em Optymistic, mas o grande momento é a última música: Oh Dorian, um tributo ao seu filho que celebra a vida, apesar da morte. Tipo de música para abraçar todos os seus entes queridos e aproveitar a vida, apesar da dor declarada no verso “mal posso esperar para te encontrar de novo”.

Se o último disco do Tame Impala mostra aquele amigo que foi ficando mais estranho e distante com o passar dos anos, o de Ben Kweller é outro tipo, é o amigo que você encontra depois de muito tempo e descobre que, apesar de todas as dores, vocês continuam tendo muito em comum.

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