Eis que então acontece: apareceu uma bola no quintal. Primeiro fui tomado pelo susto. Não tenho mais nenhuma bola. As que eu tinha foram devoradas pelos cachorros ou pelo tempo. Ressecadas pela chuva e pelo sol, se desfizeram. Envelheceram, tais quais as coisas envelhecem e chegam ao seu fim. Não demorou muito para perceber que esta bola veio de algum outro lugar. Da casa de trás, talvez, mas o muro é alto. Mais provável que tenham sido as crianças da casa da frente, os novos vizinhos que chegaram. Deve ser. Tais crianças jogam bola de dia, de tarde e de noite, no gol do portão. Fico na dúvida. Mas porque não vieram pedir a bola? Ela acabaria sendo devolvida, sem maldade. Penso se deveria tomar a atitude de devolver, não sei. Não tenho certeza se a bola é de lá. A bola acaba ficando e logo é meio devorada pelos cachorros. Lá está uma bola, ainda uma bola, mas parcialmente destruída com sua câmara exposta. Imagino que mesmo se os vizinhos pedissem a bola, não teria coragem de devolver a...
Op. Cit, Ô psit, Ópio City