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Trabalho silencioso

Carlinhos Cachoeira optou pelo silêncio. Diante das inúmeras perguntas feitas a ele durante a CPI que leva o seu nome, Cachoeira preferiu dizer que se reservava ao direito de não responder. Uma frase repetida eternamente. Tenho a impressão de que Cachoeira reafirmou o seu silêncio durante um século. Chegou a ser constrangedor.

Foi um daqueles momentos de descrédito geral da nação, um momento em que todos passam a acreditar que a CPI não vai dar em nada, que terminará em uma famosa pizza. Igual a tantas outras. Tantas comissões que se reuniram e que ninguém se lembra de nada. Os motivos, as investigações, os resultados. Será que alguma CPI já teve um resultado prático? Parece que o esquecimento vence pelo cansaço.

E para o que serve uma CPI? Normalmente, espera-se que os parlamentares investiguem as possíveis infrações de seus pares, que também cumpram a função de fiscalizar o executivo. Quando uma Comissão Parlamentar é criada, cria-se também a expectativa de que os problemas do país serão solucionados, que tudo começa a mudar.

Mas, todas essas possibilidades se perdem em um mar corporativista. Mais do que os andamentos da investigação, o que ganha destaque durante uma CPI são as manobras políticas. Acusados que desfilam por Brasília, negociando sua absolvição.

E qual seria a competência dos parlamentares para investigar essas ações? Penso se não existem outros órgãos mais competentes e mais preparados para investigar ações contraventoras. E não há problema nenhum nisso, não creio que ninguém seja eleito por sua capacidade de preparar inquéritos. E, mesmo que o inquérito seja bem feito, o Parlamento não terá como aplicar punições que estejam fora do regimento da casa.

A CPI acaba por se transformar em um palco, onde o que importa é aparecer. Lembro-me da famosa CPI do Futebol, surgida das sombras do fracasso da seleção brasileira na Copa de 1998. O atacante Ronaldo foi chamado a depor e foi questionado sobre quem era o marcador de Zidane durante as cobranças de escanteio. Qual seria a importância de saber isso? Foi também, um desses momentos de descrédito, momento em que se imagina que as Comissões Parlamentares deveriam ser extintas, visto que não dão resultado.

Mas a culpa não deve estar no mecanismo. Deve estar em todo o sistema corporativista, na troca de mensagens de celular. As CPIs deveriam ser extintas, apenas para que elas não criem a falsa impressão de que podem resolver todos os problemas do país.

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