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Questão de Tempo

Seiscentos e sessenta e quatro milésimos. Essa foi a diferença que Lewis Hamilton colocou na concorrência direta no primeiro treino classificatório do ano, na Austrália. Traduzindo, Hamilton será pentacampeão do mundo no fim do ano. Não há de onde as equipes adversárias tirarem essa vantagem. Correndo contra um companheiro, Bottas, claramente inferior, Hamilton só não será campeão se despirocar no meio do campeonato, e olhe lá. Vamos comparar a diferença da Mercedes em relação a concorrência em relação aos últimos anos, exceção feita a 2014, quando choveu na Austrália (depois choveu na Malásia e só no Bahrein, no primeiro treino com condições normais, a Mercedes enfiou quase nove décimos no adversário mais próximo). - Em 2015, quando a Mercedes passeou apesar do incômodo constante de Vettel, a diferença foi de 1,397 para o adversário mais próximo. Nos treinos seguintes a diferença se manteve em uma média de oito décimos. - Em 2016, quando a Mercedes só não venceu todas as corrida...

Quem ganha com a intervenção?

Michel Temer é um senhor idoso que por vezes flerta com a senilidade. Mesmo ostentando recordes de rejeição - é praticamente humanamente impossível alguém ser tão rejeitado quanto o senhor Elias Lulia - ele sonha com a possibilidade de ser candidato a re-eleição. Possibilidade, claro, que só pode ser aventada por pessoas com falhas cognitivas e que vivam completamente alienadas do mundo. Durante muito tempo o nosso presidente pensou que conseguiria o sucesso por meio de medidas impopulares que lá na frente se mostrariam eficazes e fariam que o povo brasileiro, em massa, o aclamasse presidente. A re-eleição, era só isso que ele queria, nem fazia questão dos pedidos de desculpas. No entanto, com o tempo passando e sua aprovação patinando no lodo do fundo do poço, ele percebeu que medidas impopulares não aumentam a popularidade e resolveu apelar para um novo artifício, mexendo com um assunto que está sempre pulsando na mente humana: a insegurança. Até o momento a economia parecia ser ...

Estatísticas da Copa: Maiores Artilheiros

Eis uma lista dos 50 maiores artilheiros, entre os jogadores que podem disputar a Copa do Mundo de 2018. Constam na lista jogadores convocados no último ano pelas 32 seleções classificadas para a disputa. Por isso aparecem alguns jogadores que provavelmente não estarão lá (David Villa e Diego Tardelli) e ficam de fora àqueles que aparentemente não estarão lá, apesar de ainda jogarem futebol (Ibrahimovic). Nessa lista (que sim, confirmo, não é a mais exata do mundo e pode ter distorções) também ficam de fora vários jogadores badalados, mas ainda jovens, ou mesmo àqueles que fazem muitas jogadas e poucos gols. Entram uma série de centroavantes natos e bem desconhecidos, artilheiros cuja vida foi construída na base de gols no campeonato panamenho. A ordem decrescente: 50) Jamie Vardy (Inglaterra) 149 gols - 31 anos 49) Shinji Kagawa (Japão) 152 gols - 28 anos 48) Alfreð Finnbogason (Islândia) 153 gols - 29 anos 47) Giovanni Moreno (Colômbia) 155 gols  - 31...

Intervenção

Os números do anuário de segurança pública mostram que o Rio de Janeiro é o 10º Estado mais violento do Brasil. Os dados estatísticos mostram que o número de ocorrências policiais na capital Rio de Janeiro caíram um pouco em relação ao ano passado e despencaram em relação a dois anos atrás. Os números, portanto, mostram que não há nenhuma excepcionalidade na situação de violência do Rio de Janeiro. Isso mesmo com a superexposição das imagens de arrastões, roubos e ataques violentos contra as pessoas no carnaval, imagens que se somam a sensação de caos generalizado provocado pela crise econômica que arrasa o Estado. Não há nada científico que justifique uma intervenção militar por lá, pois o problema é o mesmo de sempre. No entanto, a violência do Rio de Janeiro é mais assustadora pelo fato de que ela é visível. É visível por ser uma cidade enorme, cartão-postal brasileiro no exterior, e é visível porque a violência ocorre nas áreas ricas da cidade. Ao contrário de outras capitais bra...

MC Loma

Depois de décadas de domínio da música produzida na Bahia com Ivete Sangalo, Asa de Águia, Daniela Mercury, Chiclete com Banana e seus derivados, ocorreu um processo de descentralização do Hit do Carnaval, que já passou pelas mãos de Michel Teló e abraçou cada vez mais o sertanejo universitário e o funk.  Além de sair de sua terra natal - fruto talvez do crescimento do carnaval de rua em várias outras cidades do país? - a popular música festeira brasileira saiu da mão de seus hitmakers consagrados e passou a cair nos colos de One Hit Wonders, como Psirico (Lepo Lepo), Banda Vingadora (cujas metralhadoras desapareceram) e o saudoso MC G15, que talvez tenha morrido de tanta onda e nós nem ficamos sabendo. Artistas que acertam apenas um tiro certeiro e alcançam o estrelato nacional proporcionado por emplacar um Hit de Carnaval (matérias nos jornais, convites para festas e shows, dinheiro, superexposição midiática). Parecia ser justamente o caso de Juju Toddynho que pareceu su...

Amsterdã

Havíamos acabado de cruzar a fila da imigração e a sensação era a de ter conquistado o mundo. O enorme aeroporto com seus corredores iluminados e idiomas misturados, as placas com uma língua incompreensível. Sento no banco para conectar o wi-fi e me certificar do trajeto do trem, com a sensação de que há uma vida inteira para ser vivida. Ali eu estava, em Amsterdã, com a pessoa que eu mais gosto no mundo prestes a iniciar os 20 dias da viagem mais planejada de todos os tempos. Observava o Albert Heijn sem saber como eles dominam o país. O trem era algo tão diferente para nós que só tivemos certeza que tinha dado certo quando chegamos no hotel. Deixamos nossas coisas por lá e saímos. Era um dia de sol, de um sol maravilhoso que não iríamos ver pelos próximos dez dias. Caminhamos pelo De Pipj e já estávamos suficientemente encantados com aquelas muralhas de prédios cor de telhado e o tram que passava o tempo inteiro e as pessoas tão bonitas em suas incontáveis bicicletas. Então chega...

Geografia da Copa

Uma compilação de dados inúteis   curiosos relacionados a geografia, geopolítica, economia na Copa do Mundo de 2018. Área A Rússia, anfitriã do torneio, é o país com maior dimensão territorial. São mais de 17 milhões de km². 1) Rússia 17.075.200 km² 2) Brasil 8.515.767 km² 3) Austrália 7.692.024 km² 4) Argentina 2.780.400 km² 5) Arábia Saudita 2.149.360 km² Por outro lado, com apenas 30 mil km², a Bélgica é o menor país da Copa. Ou seja, dentro da Rússia cabem 559 bélgicas. 1) Bélgica 30.528 km² 2) Suíça 41.285 km² 3) Dinamarca 42.931 km² 4) Costa Rica 51.000 km² 5) Croácia 56.594 km² O território da Rússia é equivalente ao de outros 29 países do torneio. População Com 208 milhões de habitantes, o Brasil é o país mais populoso do torneio. 1) Brasil 208.243.982 2) Nigéria 185.989.460 3) Rússia 144.463.451 4) Japão 126.672.000 5) México 119.530.753 Já o país com a menor torcida do torneio é a Islândia, com 332 mil habitantes. Portanto, para cada islan...

Cidadão exemplar

O síndico do meu condomínio - nem sempre ele foi síndico - mas ele sempre despertou uma sensação estranha em mim, um desconforto com alguma coisa que eu não sabia explicar direito. O jeito como ele falava nas reuniões - mesmo quando ele não era síndico - me passava uma sensação de que ele se considerava um cidadão exemplar. Sabe aquele cara que adora contar para os outros como ele é totalmente correto e justo em suas ações. Um dia, encontrei ele no restaurante do bairro e percebi que ele tinha uma tatuagem em cada um de seus antebraços. Percebi que eram nomes de um homem e de uma mulher. Do seu casal de filhos, de sua esposa e do seu filho, dos seus pais, não sei, não perguntei. Isso só me reforçou que ele além de um cidadão exemplar ainda é um cara que faz tudo para defender sua família. Posso imaginá-lo irritantemente em uma reunião com amigos usando seu senso de justiça e correção para justificar todo e qualquer ato. "Você sabe que eu faço o que é certo", diz. Acuso...

Vitórias contra o Big Four

Depois de definidas as quartas-de-final do Australian Open, com uma pré-definição da repetição da final do ano passado entre Federer e Nadal, algumas pessoas chamaram a atenção para um nome que poderia evitar isso: Tomas Berdych. O tcheco está há anos no top-20 mundial, passou outros tantos no top-10 e costuma sempre a fazer campanhas dignas nos Grand Slams. No entanto, tem uma estatística ruim contra os tenistas do Big Four. No entanto, quem tem bons números contra esses caras? Fiz um apanhado para saber quem são os tenistas que tem melhores resultados contra os quatro jogadores que dominam o esporte há mais de uma década. Estabeleci alguns critérios: ter enfrentado Federer, Murray, Nadal e Djokovic pelo menos duas vezes cada, em um total de pelo menos 10 jogos contra os nomes do Big Four. Pré-selecionei os tenistas entre o top-20 atual e aqueles que disputaram os ATP Finals desde 2006. No total, 31 nomes se estabeleceram nos critérios e entre ele, o que tem o melhor desempenho é:...

(Sem Assunto)

Se há alguma verdade na minha vida, é que passei os últimos 10 anos imerso em uma grande maré de tranquilidade e felicidade. Naveguei na calmaria de não enfrentar o medo de um dia se ver sozinho diante do mundo. Vivi com a certeza de que sempre teria alguém para contar nos momentos em que a loucura mundana parecesse incontrolável e que quando o futuro parecesse intransponível, teria alguém para ajudar a decifrar os caminhos e manter o controle da vida. Estou há 10 anos ao lado da Ana Rosa, arrastando malas por calçadas alheias, descobrindo como queijos são melhores no dia seguinte – depois de passarem uma noite enrolados em guardanapos dentro de uma bolsa, levantando de restaurantes quando percebemos que estamos diante de uma cilada – sim estamos há anos descobrindo juntos as ciladas da vida e aprimorando nosso feeling para evitá-las. Conhecendo tantos lugares e voltando a tantos outros, na expectativa que um dia todas as esquinas do planeta tenham uma lembrança de nós dois. Mas ta...

2017 - o ano que parecia que não ia existir

Para mim, 2017 parecia ser o ano que nunca iria existir. Falávamos tanto sobre a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, que parecia que quando esses grandes eventos terminassem, o mundo iria acabar junto. Às vezes, sem perceber me pego chamando 2017 de 2018. Completei 30 anos em 2017 e não vi muita diferença. Finalmente tirei do papel uma viagem que planejava faz algum tempo e poderia aqui contar em detalhes as maravilhas da torta de maçã de Amsterdã, ou sobre toda a carga histórica que senti ao ver o Muro de Berlim, a estação de Grunewald ou a Casa de Anne Frank. De como é impressionante ver as pinturas de Van Gogh (o maior perdedor da história) e Monet, ou como a Mona Lisa é superestimada. Ou ainda sobre meu amor por Barcelona, mesmo tendo sido pela primeira e pela segunda vez na minha vida (com uma diferença de apenas dois dias) atingido por fezes de pombos enquanto eu estava lá. O ano foi terrível no meu trabalho, com um ambiente completamente destruído pela presença de um líder...

Ta lá o corpo estendido no chão

Saio para correr de manhã e na primeira subida, vejo que ocorreu um acidente no primeiro cruzamento. Há um Honda Civic parado bem no meio do cruzamento, a ponta do carro invadindo a pista, um senhor mexe no carro, uma mulher de calça de ginástica e tênis está em pé na calçada utilizando chapéu, uma criança de sete anos sentada na posição de buda no chão da calçada, um homem sentado no asfalto, encostado em sua moto. No chão há uma peça que parece um vidro lateral estourado e duas peças que não consigo identificar, mas que se parecem com apêndices da motocicleta que se perderam durante o impacto. Faço o contorno lá em cima, começo a descer e vejo novamente a cena, que permanece aparentemente imóvel, exceção feita a criança, que parece sentada virada para outro lado e a ao homem que já não está no carro, mas parado na calçada olhando tudo aquilo. Enquanto desço, faço uma espécie de reconstituição mental do lance e penso que o carro avançou o cruzamento sem perceber a aproximação da...

Pesquisa Datafolha

Fui olhar a planilha da última pesquisa do Datafolha para a eleição presidencial do ano que vem, sempre naquela tentativa de entender na segmentação o que os dados gerais omitem. Certo que a situação é muito incerta, uma vez que o líder das pesquisas pode ser impedido judicialmente de concorrer e muitos dos cenários não traziam Marina Silva, que decidiu anunciou oficialmente ser candidata depois que a pesquisa já havia sido divulgada. Além disso, há uma série de nomes que é difícil acreditar que realmente irão para a disputa, como Álvaro Dias, Manuela D'Ávila, Guilherme Boulos e o Paulo Rabello de Castro. Impressiona nos dados como realmente Lula é uma fortaleza no nordeste. Votação expressiva, tão expressiva, que os cenários sem ele trazem 40% de votos branco, nulos o indecisos na região. Todos candidatos são mais desconhecidos no nordeste do que nas outras regiões, exceção feita ao Lula: 100% da população local o conhece. As simulações de segundo turno são todas um massacre n...

O Instant Karma de Rodrigo

O quanto o resultado de uma ação é importante para julgarmos se ela foi correta ou não? Penso nisso lembrando do zagueiro Rodrigo, que foi expulso de campo no domingo depois de ter dado uma dedada no ânus do atacante argentino Trellez do Vitória. Sua expulsão mudou completamente o rumo da partida, uma vez que o seu time, a Ponte Preta, levou a virada após abrir 2x0 em 15 minutos de jogos e acabou rebaixada para a segunda divisão, revoltando a torcida que quebrou o estádio. Rodrigo foi devidamente massacrado e demonizado por seu gesto obsceno e violento. De fato, não dá pra defender um sujeito que resolve enfiar o dedo na cavidade anal alheia e não cabe nenhum discurso de defesa sobre a provocação no futebol, malandragem ou qualquer coisa do tipo. Nenhuma violência é justificável, não importa o seu objetivo. No entanto, é extremamente fácil massacrar o zagueiro, uma vez que sua atitude foi corretamente observada e julgada pelo árbitro, resultando em sua expulsão e na consequente ...