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Favoritos para Roland Garros

Único Grand Slam do Tênis disputado no saibro, Roland Garros durante muito tempo funcionou como uma espécie de mundo paralelo do restante da turnê do tênis. Em suas quadras lentas, diferentes das quadras rápidas em que são disputadas a maioria dos grandes torneios, líderes do ranking mundial sofriam diante de espanhóis desconhecidos que tinham como grande tática jogar a bola para o outro lado e correr de maneira alucinada. Os tempos hoje são outros, mas Roland Garros ainda é um torneio diferente. Abaixo, uma lista dos 10 favoritos para o torneio masculino, numa opinião pessoal e baseada em resultados recentes. 1) Novak Djokovic: O sérvio nunca ganhou no saibro francês. Sua temporada no saibro europeu também não foi das mais empolgantes: título em Roma, derrota bizarra em Monte Carlo e vice-campeonato em Madrid, jogando muito mal. Mesmo assim, ele é Novak Djokovic, líder do ranking mundial, que tem como maior motivação no momento conquistar o grande título que lhe falta. Costuma a ser...

Lembranças mortais

Quando a bola foi em direção a mão do Maicon, ou do Bruno, confesso que não sei direito, aos 50 minutos do segundo tempo as piores lembranças possíveis vieram à minha cabeça. Perder um jogo de futebol nunca é bom, mas entre todas as derrotas possíveis, aquela com um gol marcado no último minuto é a pior. A intensidade da dor de um gol sofrido aumenta em progressão geométrica a cada segundo que passa. O torcedor sãopaulino tem duas péssimas lembranças, duas experiências traumáticas que envolvem gols sofridos no último instante possível da partida. Quase 50 minutos e a falta a dois passos da área. No gol o inseguro Dênis. Se a bola entra, acabou, não há mais tempo nem para recomeçar a partida. Como não lembrar de Washington aos 46'19 do segundo tempo fazendo o gol que eliminou o São Paulo da Libertadores em 2008. Pior ainda, o gol de Geovanni aos 45 do segundo tempo na final da Copa do Brasil em 2000. Numa falta, também em Belo Horizonte. Jogo controlado, uma bola recuado equ...

Lembranças do São Paulo na Libertadores

Puxo pela cabeça os mata-matas que o São Paulo disputou na Libertadores desde 2004. 2004 OF: Rosario Central, se classificou decidindo em casa. QF: Deportivo Tachira, se classificou decidindo fora. SF: Once Caldas, decidindo jogando fora. 2005 OF: Palmeiras, se classificou decidindo em casa. QF: Tigres, se classificou decidindo fora. SF: River Plate, se classificou decidindo fora. Final: Atlético-PR, ganhou decidindo em casa. 2006 OF: Palmeiras, se classificou decidindo em casa. QF: Estudiantes, se classificou decidindo em casa. SF: Chivas, se classificou decidindo em casa. Final: Internacional, perdeu decidindo fora. 2007 OF: Grêmio, eliminado jogando fora. 2008 OF: Nacional do Uruguai, se classificou decidindo em casa. QF: Fluminense, eliminado jogando fora. 2009 QF: Cruzeiro, eliminado decidindo em casa. 2010 OF: Universitario, se classificou decidindo em casa QF: Cruzeiro, se classificou decidindo em casa. SF: Internacional, eliminado decidindo em ca...

Somos todos Leicester

O que era inacreditável, o que parecia impossível agora é verdade. O Leicester é o campeão inglês da temporada 2015-16. Incrível que o título tenha vindo de maneira até confortável, com duas rodadas de antecedência. Incrível que mesmo com a folga na tabela e a liderança estável nas últimas rodadas, era impossível acreditar que o título realmente viria. Parecia que a qualquer momento os Foxes poderiam desabar. O que mais falar sobre esse time? Formado por uma série de refugos, jovens que jamais explodiram, uma ou outra promessa. Filho de goleiro, zagueiro jamaicano e zagueiro alemão grosso, atacante japonês, atacante que até outro dia jogava no futebol amador. Não há nada parecido com o que Leicester fez nesse ano na história do futebol. Talvez na história do esporte. O título do Leicester é uma das maiores façanhas da história da humanidade. Não há o que falar, o que teorizar. Só resta olhar esse momento histórico e aceitar que às vezes o impossível acontece. Que realmente nada é i...

Rosberg no caminho inevitável da história

Em todas as 66 temporadas da Fórmula 1, poucas vezes um piloto conseguiu vencer as três primeiras corridas. Nessas poucas vezes, o autor da façanha acabou se tornando campeão do mundo. Na 67ª temporada da Fórmula 1, Nico Rosberg conseguiu vencer as três primeiras corridas. O que acontecer de agora em diante entrará inevitavelmente para a história. Se for campeão, Nico será o segundo filho de campeão a repetir a façanha do pai. O segundo piloto a conquistar o título após dois vice-campeonatos em sequência (Prost foi o primeiro) e talvez a estatística mais impressionante: o piloto que precisou correr mais corridas para ser campeão pela primeira vez. Nigel Mansell é o atual recordista com 176 corridas antes de conquistar o título e Rosberg já largou 188 vezes. Nico não será o campeão mais brilhante de todos os tempos. Aproveita-se de um carro muito superior em relação a concorrência e mantém a calma enquanto Lewis Hamilton mantém o hábito de entrar em combustão espontânea ainda nas pr...

A Pampa das múltiplas interpretações

Após o quebra-mola me aproximo de uma Pampa preta, caindo aos pedaços como era de se esperar, que se arrastava pela Avenida das Torres. Carregava alguns equipamentos, alguns canos, como também era de se esperar. Quando chego mais perto, vejo a escrita na tampa traseira, que parecia feita de Errorex. "Fora Dilma". Penso em um instante que uma foto desse caro seria daquelas que faria sucesso em páginas do Facebook como a do Movimento Brasil Livre, mostrando que o pedido de impeachment não é um desejo apenas das elites, é uma vontade enraizada na sociedade brasileira. Que até aquele pobre cidadão, sofrido em sua Pampa preta está comungando nessa corrente para frente, ou para fora. Antes que concluísse os pensamentos vejo que um pouco a baixo, de maneira não muito simétrica, está o complemento ao "Fora Dilma": "Sua Vadia". Penso então que a foto faria sucesso nas páginas da socialista morena, mostrando o machismo que existe por trás do impeachment, de como...

Cruyff

O ano, se eu não me engano, era 1999. A revista placar publicou uma série de edições especiais e uma delas continha a sempre pretensiosa e polêmica listagem: os 100 maiores jogadores de todos os tempos. Como era uma espécie de consenso naqueles tempos, Pelé aparecia em primeiro lugar e Maradona em segundo. A partir daí é que a polêmica sempre aumentava e o terceiro lugar era ocupado por Johan Cruyff. Lembro de ter ficado fascinado com aquele holandês magrelo que na foto aparecia sentado sobre a bola, envergando a diferente, mas sempre bela camisa do Ajax. Magro, cabelos longos, parecia até um pouco desengonçado. Não parecia um atleta. O texto colaborava com essa impressão. Cruyff era filho de uma faxineira do clube e passou a treinar futebol por incentivo da mãe, para ver se ele conseguia superar uma má-formação em seus pés. Johan também fumava de maneira alucinada, incluindo um cigarro no intervalo dos jogos. Mesmo assim era o terceiro maior jogador da história. Poucos jogadores...

Leicester rumo ao improvável

Neste momento a humanidade inteira pode ser dividida em dois grupos: de um lado estão aqueles que torcem para que o Leicester FC seja o campeão inglês desta temporada. Do outro lado estão as pessoas ruins, sem coração, pessoas desprezíveis que não merecem nenhuma felicidade na vida. Nesses meus 28 anos de vida eu nunca vi nada parecido com o que o Leicester vem fazendo na atual temporada e imagino que algumas outras pessoas mais velhas jamais tenham visto. No futebol existem zebras, é claro, mas não vejo nenhuma que se compare ao que o time azul do norte de Londres está fazendo. O Blackburn foi campeão inglês em 1995. Mas o Blackburn recebeu um grande investimento, tinha Alan Shearer no comando de ataque, Kenny Dalglish no banco de reservas, e vinha realizando boas campanhas no campeonato inglês. Derby County, Ipswich, Burnley, vários outros times menores foram campeões nos anos 60 e 70, mas eram tempos diferentes, o campeonato inglês não era milionário e sempre foi marcado pelo eq...

Mercedes: o maior domínio da história?

Muitas temporadas da história da Fórmula 1 ficaram marcadas pelo domínio absoluto de uma equipe sobre as adversárias. Mas, ao que tudo indica, a Mercedes atual está prestes a estabelecer o maior domínio que uma equipe conseguiu exercer ao longo da história da categoria. A equipe e seus dois pilotos, Lewis Hamilton e Nico Rosberg, partem para o terceiro ano seguido conquistando a dobradinha no campeonato, o que seria um fato inédito. Mas há mais razões para afirmar que esse seria o maior domínio da história. Vamos a eles. Foi só a partir dos anos 70 em que a Fórmula 1 passou a adotar o padrão de dois carros por equipe. Desde então é possível lembrar de alguns carros históricos, algumas grandes equipes, mas nenhuma delas conseguiu fazer o que a Mercedes faz agora. Recentemente, a Red Bull conquistou quatro títulos seguidos com Sebastian Vettel. Dois títulos foram conquistados no sufoco da última corrida e dois foram bem fáceis, com ampla superioridade e recorde de vitórias, em 201...

Antologia de George Martin

Anthology, o documentário dos Beatles, é um dos poucos DVDs que eu assisti mais de uma vez na minha vida. Todos os cinco DVDs duplos. Gosto da maneira como a narrativa é construída, das imagens raras, do material conseguido para a montagem e, claro, o assunto é a minha banda favorita em todos os tempos. Mas se o documentário fosse ruim, dificilmente teria me dado ao trabalho de assistir novamente. As primeiras partes mostram um olhar nostálgico para os primeiros dias dos seus integrantes e para os primeiros passos do conjunto. Os shows em bares em Liverpool e em Hamburgo, as viagens em um furgão quando a fama começou a chegar, o espanto com essa fama, com o fato de tocar no Paladium. Histórias de garotos legais, vivendo uma vida que nunca imaginaram que viveriam. Mas há uma parte especial no documentário que é justamente a que retrata o período mais fértil dos Beatles, que começou em 1965. As histórias hilárias e assustadoras sobre as primeiras experiências com as drogas e o proces...

Mamonas Assassinas, um fenômeno em nossas vidas

Não me lembrava a data exata, mas as efemérides me lembram que foi em um dia 02 de março, um sábado. Dia em que a TV estava ligada na Globo de manhã, como costumava a estar em todos os sábados para assistir algum desenho ou alguma programação esportiva, quando veio a terrível música do plantão: um acidente na Serra da Cantareira com um avião, onde provavelmente estavam os integrantes da banda Mamonas Assassinas. A certeza foi quase imediata de que eles haviam morrido e realmente, é difícil ter sobreviventes em um acidente de avião. Os dias seguintes foram de comoção com a exibição do vídeo do tecladista, que dois dias antes do acidente sonhou com a morte em um acidente de avião, reportagens especiais em todos os canais de TV tentando explicar o acidente, para muitos inexplicáveis (estaria o Dinho no comando da aeronave? Me lembro dos relatos sobre as imagens dos corpos vistas por especialistas da terceira série). Os Mamonas Assassinas foram provavelmente a banda com a carreira m...

By The Way, 14 anos depois

Quando foi lançado em 2002, By The Way deu sequência ao sucesso que o Red Hot Chili Peppers havia conquistado com seu lançamento anterior, Californication . Deu início também a um processo de decadência da banda que, digamos, amadureceu, e foi se afastando de suas raízes no funk rock, funk metal, ou seja lá o que for. Lembro bem de quando a música By The Way  foi lançada, com seu clipe bizarro na MTV. Era o melhor do RHCP. Baixo frenético, vocais acelerados, refrão melódico. A faixa título foi seguida por outros dois singles muito bons, The Zephyr Song - uma balada romântica embalada por um clipe lindo e caleidoscópico - e Can't Stop , outro funk rock com refrão grudento. Mas nem tudo era perfeito e o resto do disco me pareceu bem ruim na época. Lembro de escutá-lo no Terra Rádio, talvez na Usina do Som, numa época em que o streaming parecia uma solução paliativa ao poder da MP3, tanto que os principais sites de streaming faliram logo depois e, estranhamente, uns dez anos depo...

Tia Iraci

Leio o noticiário e vejo que um acidente vitimou três pessoas na BR-364, uma das rodovias mais perigosas do Brasil, na altura da cidade de Jaciara. Entre as vítimas estava uma pessoa chamada Iraci Romagnolli. Seu nome poderia não me dizer nada, mais sua foto não me deixaria não saber quem era. Tia Iraci, minha professora de pré-escola, minha primeira professora no colégio Patronato Santo Antônio. Tia Iraci com seu jeito tranquilo, seus cabelos loiros e seu fusca vermelho me ensinou, lá em 1993, quando é que o M ou o N deveriam ser usados antes de outras consoantes. Contou longas histórias sobre cada uma das letras do alfabeto e o que elas faziam, como elas deveriam ser usadas. Me colocou para fazer caligrafia, mas não adiantou muita coisa. Fiz parte da primeira turma de Pré-Escola do Patronato Santo Antônio e quando eu deixei o colégio em 2004, ela ainda estava trilhando os alunos nos primeiros caminhos da vida escolar. Pelo o que vi no noticiário, ela continuava trabalhando por ...

Não deve ser fácil ser Andy Murray

Ali está Andy Murray. É um grande tenista, não um tenista perfeito, mas um dos melhores que já vimos nos últimos anos. Se defende muito bem, tem um jogo de fundo quadra muito bom, bate muito bem de esquerda e ainda tem qualidade para subir na rede. O principal problema de Andy Murray é sua cabeça, que muitas vezes viaja além da conta. Nos jogos do escocês, suas reações, lutando contra seus demônios internos, muitas vezes são uma atração a parte. Andy Murray conquistou dois títulos de Grand Slam na carreira. É um bom número, mas talvez seja pouco para alguém com o talento que ele tem. Andy Murray deve se atormentar ainda mais, lamentando ter nascido em 1987 e por ser obrigado a jogar com adversários que fazem parte de uma espécie de Segunda Era Dourada do tênis. Assim como no início dos anos 80 o esporte foi dominado por Bjorn Borg, John McEnroe e Jimmy Connors, o tênis desde a metade da década passada foi dominado por Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic, nessa ordem. Murra...