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Postagens

Desconexões sobre Beatles

Escutei a discografia dos Beatles no carro e senti vontade de falar sobre Beatles. Como não sentir vontade de falar sobre Beatles após escutá-los? Mas o que ainda pode ser dito sobre Beatles? O que eu posso falar ainda sobre Beatles? Que o começo com I Saw Her Standing There é genial? Que o final, lá em The End é ainda melhor? Que suas músicas, com dois minutos de duração impressionam porque parecem durar uma vida? Eleanor Rigby tem apenas dois minutos, mas conta uma saga que faz jus a história da humanidade. Sobre como eles eram bons instrumentistas? Não eram virtuoses, mas funcionam bem como banda. Escute eles ao vivo na BBC e veja como os instrumentos podem ser percebidos, cada um em sua singularidade e todos em unidade. Como o Ringo era competente. Que apesar de tudo, eles deram mole nas escolhas de singles. Que Lady Madonna não é melhor que 20 músicas do White Album e Ballad of John & Yoko é bobinha? O que mais eu poderia falar? Que, caramba, em 1963 eles c...

Entre 140 caracteres e o infinito

Por vezes eu tenho uma ideia para escrever alguma coisa. Resolvo tuítar essa ideia e percebo que ela não cabe em 140 caracteres. Poderia dar dois tuítes? Penso um pouco e isso daria um post. Começo a desenvolver a ideia para um texto nesse espaço. Penso mais um pouco e logo vejo: isso poderia dar um post no CH3. Post no CH3 tem o costume de ser gigantescos  e a ideia para lá. Em outros casos, o processo é o inverso. Tenho uma ideia para um post no CH3. Tento desenvolver e não dá muito certo. Penso em escrevê-la aqui, mas a coisa não vai. O que acontece? Vai para o Twitter. E nem ocupa os 140 caracteres. A diferença entre 140 caracteres e o infinito não é tão grande assim. Esse post mesmo é um exemplo.

Sapos da caverna

De vez em quando aparecem uns putas sapos aqui em casa. Criaturas tão imensas que acredito até que sejam pré-históricas. Sapos que descendem diretamente dos dinossauros. Criaturas tão imensas e mal encaradas, que até o mais viril dos homens sente algum temor quando percebe que ele está no meio do seu caminho. Sempre que vejo esses sapos, com cara de Astolfo, me pergunto de onde eles surgiram. Olho o terreno aqui de casa e ele é todo murado, sem nenhum buraco nesse muro. Temos dois portões com frestas inferiores, mas logicamente frestas em que um bicho daquele tamanho não conseguiria ultrapassar. A hipótese mais lógica, é que os anfíbios chegam por aqui quando tem um tamanho menor, então crescem e evoluem até se transformar nessas criaturas parrudas. Ok. Mas Lavosier e todos nós sabemos que na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Para esse sapo chegar nesse tamanho ele teve que ter alguma fonte de alimento. Dizem que eles se alimentam de insetos. Será que temo...

Nunca sei se já escrevi

Eu já escrevi muito na minha vida. Uma frase presunçosa para um cidadão de 27 anos, mas que carrega um fundo de verdade. Uma frase que também não é nenhuma surpresa para quem é jornalista e vive basicamente de escrever. Não sei dizer quantos textos escrevi nos meus tempos de jornal, nos meus tempos no Governo do Estado e em um ou outro bico que já fiz. Mas tudo bem, nesses casos, agi apenas como um operário das palavras, tentando transcrever matérias por outros e apuradas por mim para o papel. Mas e os textos que surgiram a partir de ideias basicamente minhas? São mais de mil no CH3. Aqui já são mais de 500. Outras tantas em um blog que tive na adolescência, em colunas que escrevi aqui e ali aonde surgia uma oportunidade. Tento escrever com alguma rotina e a única exigência é não me repetir em temas. E isso é difícil. Já são tantos textos por aí, que nunca tenho certeza absoluta se o texto é inédito ou não. Ontem mesmo, enquanto escrevia sobre o Foo Fighters na academia, pensei...

Foo Fighters: Banda de Rock Padrão

Sexta-feira de manhã, chego a minha academia e ela está completamente vazia. A dona do estabelecimento inclusive cochilava, deitada, em um desses aparelhos de exercícios aeróbicos. A TV ligada no Bom Dia Mato Grosso, num volume quase encoberto pelos ventiladores. Assino meu nome na lista de frequência e vejo que realmente sou o único no local. Quando passo pela catraca, ela se assusta e acorda, envergonhada. Não havia como negar que estava dormindo e disse que estava ali desde as seis da manhã, sem nenhuma viva alma por lá. Disse que tudo bem e segui para a bicicleta ergométrica, enquanto ela voltava para seu posto na "recepção". Então, ela colocou uma música para tocar. Música de academia é aquela coisa: remixes dos mais variados, CDs do David Guetta e outras coisas pop, que não sei exatamente quem é que canta. Digo que me mantenho atualizado sobre os lançamentos de Rihanna e similares pela academia. Não dessa vez. Quando a música começa a tocar logo reconheço que é T...

500 dias depois: Abertura do festival do Japão

Em uma vida de assessoria de imprensa de um órgão público, você pega muitas pautas furadas. Inúmeras, principalmente nas pautas noturnas. Uma gama enorme de jantares protocolares, nos quais você tem que se esforçar para espremer algum conteúdo. Vez por outra surge uma pauta legal. O Festival do Japão se enquadra nesse caso, por mais que o “legal” seja uma maneira benevolente de se falar. A pauta é legal, mas, se lhe fosse dada a opção, você preferiria ficar em casa. Estar lá na “pauta legal”, significa apenas que aquele não é o pior dos mundos. O legal do Festival do Japão é a observação de um espaço completamente diferente. Não tenho conhecimento se a colônia japonesa por aqui é grande. Restaurantes japoneses não são exatamente populares, eles passam aquela imagem de sofisticação. Pessoas com paladar refinado conseguem mandar para dentro algum daqueles sushis metidos a besta com cream cheese e cenoura. Pessoas chiques vão ao restaurante japonês da cidade utilizando camisas Brooksfie...

Coca Dois Litros

Chegando na rotatória eu percebo um corpo estranho no chão. Tenho que dizer que sempre tenho dificuldade em reconhecer objetos caídos no asfalto e tenho uma tendência surrealística de interpretação. Folhas secas de coqueiro me parecem um cadáver de um cavalo, pedaços de pano parecem sempre algum animal espatifado. Não sei dizer o que eu achei que era, mas logo percebi que se tratavam de duas garrafas. Quando cheguei perto foi possível perceber que eram duas garrafas de coca dois litros caídas no chão. Uma ainda estava envolta na sacola plástica, a outra se perdera. Não haviam se rompido e, pensando nisso agora, amaldiçoo aquele dia em 1999 quando deixei uma garrafa de coca cair no chão do Big Lar e ela explodiu. Poxa vida, seria muito mais fácil uma garrafa estourar a cair de um veículo em alta velocidade no asfalto. As garrafas estavam suadas, sinal de que a Coca estava gelada. A espuma se acumulava, prova de que a queda ainda era recente. Pensei por um instante que poderia aconte...

O gol do ano

O gol que James Rodríguez marcou na partida contra o Uruguai nas oitavas de final da Copa do Mundo foi realmente espetacular. Quando ele marcou esse gol, todos ficamos impressionados. Já estávamos impressionados com o garoto que arrebentou na primeira fase e havia marcado um golaço contra o Japão, aqui em Cuiabá. Todos pensamos que seria o gol mais bonito da Copa. Mas o tempo, ah, o tempo. Ele não deixa margem de comparação. O gol de Van Persie foi, talvez não mais bonito, mas muito mais espetacular. Chutes com o de James são raros, mas acontecem, já vimos por aí. O peixinho voador de Van Persie é único. Ninguém nunca viu nada parecido. O lançamento de quarenta metros, a corrida solitária, o salto no ar e a cabeçada que encobriu Casillas. Plástico e espetacular. O gol do ano, do século, o gol de uma vida. Um gol simbólico. Não há como negar, esse foi o gol que deu início a Copa do Mundo. Se o torneio estava com um clima estranho entre protestos, aberto com um jogo mediano do Brasil...

Radares

Encher a cidade de radares que controlam a velocidade dos automóveis sempre será uma decisão polêmica. Sim, há um código de trânsito e há um limite de velocidade para cada via de cada cidade brasileira. Mas é aquela história, existem avenidas com velocidade máxima de 50 km/h, onde se poderia andar a 60km/h, sempre se desconfia de que multas são inventadas e há o problema de os radares serem licitados. Basicamente, a prefeitura paga uma empresa para administrar o negócio. E a empresa quer ter lucro, mas multas de trânsito não foram feitas para se ter lucro. São maneiras de punir quem excede os limites, apenas isso. E para onde vai o dinheiro arrecadado pelas multas? Realmente há uma melhoria na condição das estradas? São investidos em campanhas educativas e essas campanhas funcionam? Uma coisa apenas não pode ser negada. Os radares exercem uma forte influência psicológica. Eles foram instalados a pouco tempo em Cuiabá em não mais do que três avenidas. É possível saber a localização ...

Dylan (quantas vezes?)

De repente começo a escutar Oh Mercy , disco que Bob Dylan lançou em 1989 e que os críticos tratam como o renascimento de sua carreira. E acredito que seja mesmo, os discos lançados depois de Infidels de 1983, são pavorosos. Começa a tocar a faixa 7, What Good Am I?, e não dá para não reparar em sua beleza. A faixa é lenta, chega a ser arrastada, mas enquanto ela toca o mundo se silencia. É fantástico. Existem músicas que se completam pelo barulho e canções que preenchidas pelo silêncio. Time Out Of Mind de 1997, o disco da sua ressurreição, é um disco inteiro assim. As canções são formadas por bases repetitivas de órgão, baixo e bateria, riffs que se repetem sob a voz gasta de Dylan. A música valoriza o silêncio e sua voz parece até sobrenatural. Cada verso soa como uma verdade absoluta. Sempre é possível se surpreender com Bob Dylan. Sua discografia extensa, da qual não vale a pena contar a quantidade de discos, sempre reserva uma surpresa boa. Do começo folk, a trilogia rock d...

Resgatando Rascunhos: O Cerco da Violência

Alguns textos você não tem ideia do que é que se passou pela sua cabeça quando você escreveu. Em outros, você sabe exatamente. Esse aqui deveria ser uma coluna para o Centro Burnier de alguma coisa. Escrevi depois que, após algumas mudanças no bairro, a sensação de insegurança aumentou consideravelmente e um assalto passou a parecer uma questão de tempo. É até um bom texto, acho que não soube encerrá-lo. Mas, provavelmente, ele só ficou adormecido até hoje, desde o dia 16 de maio de 2013, porque eu me esqueci completamente de sua existência. Foi em algum dia do ano de 2001 que a vida do meu bairro mudou. O vizinho da casa de trás foi assaltado, rendido enquanto entrava em casa, trancado no banheiro e os assaltantes fugiram levando tudo o que coube no carro. A partir daí, acelerou-se os processos de precaução que já estavam sendo tomados. Se antes o portão só era trancado na hora de dormir, passou-se a trancá-lo o tempo todo, o carro sempre dentro de casa. Alguns meses depois, o viz...

Weezer, Foo Fighters e Pink Floyd

Três bandas que estão entre as minhas favoritas - ou pelo menos entre as que eu mais escutei na minha vida, lançaram discos nesses últimos meses. Discos de qualidade diferente, com expectativas diferentes. O Weezer lançou Everything Will Be Alright In The End , nono disco da carreira. Um disco que recebi com pouca expectativa, porque não dá para ter muita expectativa com o Weezer do novo século. Ainda mais depois do péssimo Hurley e de uns flertes bizarros com o rap. Pois, Everything surpreende positivamente. Não há um hit como Porks and Beans e é claro que não é a mesma coisa dos dois primeiros discos. Mas, EWBAITE consegue se colocar ali no meio da tabela do Weezer, competindo com o disco verde e com Make Believe. Composições fáceis, guitarras pesadas e um outro momento marcante. Música no piloto automático, mas agradável. O Foo Fighters reaparece com Sonic Highways, seu oitavo disco. Depois do excepcional Wasting Light, o disco que fez com que o FF voltasse a valer a pena,...

Sino Errado

Nas manhãs em que eu vou à academia, quase sempre passo pela escola da esquina no horário em que o sino está tocando, o sino que anuncia que a aula vai começar. Sempre saio de casa mais ou menos no mesmo horário, sempre passo mais ou menos por lá nessa hora. Hoje não foi diferente. Escutei aquele barulho familiar, mas, havia alguma coisa diferente. Ao contrário de outras oportunidades, em que a calçada estava cheia de alunos, assim como o pátio do colégio, hoje não havia ninguém por lá. Em um primeiro momento achei estranho, mas logo percebi que estamos no dia 17 de dezembro. Se estamos no dia 17 de dezembro, muito provavelmente estamos já no período das férias escolares. Por isso, não havia estudante nenhum no pátio do colégio, apenas um vigia de braços cruzados e aspecto enfadonho. Não faz o menor sentido que o sino do colégio toque em um dia em que não há sala de aula. Imaginei que isso acontece porquê o sinal deve ser pré-programado e que ninguém lembrou, ou ninguém sabe como f...

Uma ode para Definitely Maybe

Oasis é aquela típica banda cuja apreciação só foi liberada após algum tempo. Logo ali, no auge do sucesso da banda, gostar de Oasis poderia soar como uma crime. Seja pela arrogância dos irmãos Gallagher (tão famosos como polêmicos), polêmicas relacionadas a plágios e principalmente, um sucesso enorme que atingiu várias camadas de público. Wonderwall tocou em novela e pode ser reconhecível até por fãs de Vítor e Léo, um crime. Após dois discos muito bons, a banda entrou numa espiral descendente, lançou discos medíocres enquanto a voz de Liam Gallagher se deteriorava, os shows ficavam cada vez mais frios e os críticos podiam rir da desgraça alheia. Foi só após o lançamento do ótimo Dig Out Your Soul , seguido pelo fim da banda, que o Oasis foi absolvido. Noel Gallagher lançou um bom disco solo e as pessoas puderam admitir sua genialidade. Vinte anos após seu lançamento, podemos ouvir Definitely Maybe sem culpa e escutar como é um disco excepcional. Uma das melhores estreias de ...