Pular para o conteúdo principal

Postagens

Sentimentos maternos bovinos

Viaje por qualquer estrada de Mato Grosso e se assuste com a quantidade de animais atropelados no meio-fio. Desde os cachorros e gatos, passando pelas emas e dependendo do lugar você verá patos, capivaras, quatis, tamanduás, tatus, cobras e toda e qualquer espécie de animal que tenha falhado na tentativa de atravessar a estrada, seja ela movimentada ou não. Foi indo para Santa Cruz do Xingu por um rodovia qualquer que eu vi um bezerro morto. Seu corpo jazia no meio da estrada, ossos quebrados mas o couro ainda intacto, significando que o atropelamento ainda era recente. Seu pescoço quebrado fez com que o bezerro morresse olhando para cima, com seus olhos opacos encarando o céu nublado, poucas moscas rondavam seu focinho. A cena do pobre bezerro já era suficientemente impactante, me sensibilizo com qualquer animal atropelado, ainda mais em uma estrada tão vazia e tão distante. Só que havia uma vaca na beira da estrada. Com suas tetas cheias ela observava com seus olhos triste...

Fumaça Não Identificada

O começo da Avenida Itália fica num lugar alto, que proporciona uma visão ampla do céu. Não da cidade, porque existem algumas construções na frente. O céu estava em um azul profundo com alguma nuvens esparsas na frente. Observei lá na frente um pequeno rastro branco de fumaça. Lembro quando eu era pequeno e pela primeira vez vi uma formação assim no céu. Pensei que era fruto de alguma Esquadrilha da Fumaça, ou algo assim, mas meu pai me explicou que isso acontecia com os aviões normais. Algo sobre condensação do ar, já nem me lembro. Pois, era uma fumaça de avião. No entanto, a fumaça não seguia uma linha horizontal, como é normal nos aviões. Era um pequeno rastro vertical. Segui adiante até a Avenida das Torres e o rastro de fumaça estava a minha direita agora. E ele aumentava lentamente. Foi observando aquilo a medida em que chegava até o Jardim Universitário, e a fumaça já estava na minha frente. Provavelmente já estava no chão. O que seria? Um avião em seu pouso mortal? ...

O crescimento do congestionamento

No período das festividade de fim de ano, a cidade está vazia. Metade da população está curtindo a vida adoidado em lugares turísticos e os que poucos que restam na cidade podem curtir um trânsito bom. Trajetos encurtados pela metade, semáforos vazios, lugares para estacionar. Uma maravilha. A medida que o ano vai começando, o movimento vai crescendo dia-a-dia. Não, os carros dos ausentes durantes as festas não voltam de uma vez só. A cada dia uma pequena leva volta até a cidade. Alguns já estão aqui no dia 2, outros voltam na primeira segunda-feira útil, outros deixam a volta para depois da primeira quinzena e as mais variadas férias vão terminando até os primeiros dias de fevereiro. Dessa forma, no dia 2 você já vê três carros esperando para cruzar uma rotatória. Na segunda-feira já eram 8, na semana seguinte já passávamos de vinte e o inferno já estava de volta desde ontem, com tendência a piorar até o final do mês. Na rua do Sesi Park, o congestionamento matinal foi voltando...

O Gato na Janela

Observo a gata que agora mora com minha namorada e que deve ter menos de dois meses. Minúscula, poderia guardá-la dentro de um tênis meu. Mas é inegável ver que ela evoluiu neste pouco menos de um mês que ela habita a casa da minha namorada. Mais esperta a cada a dia, ela agora sobe no sofá, sobe no apoio do braço e até sobre o apoio da cabeça. Fica de lá observando a imensidão do mundo em sua pequenez. Olho a Runna no topo do sofá e de súbito sou tomado por uma imagem do futuro e a imagino daqui a cinco anos, grande, no mesmo lugar ainda observando o mundo. Penso que daqui a 10 anos, ainda irei no apartamento da minha namorada e verei a gata no mesmo lugar. Que de hoje em diante, toda vez essa cena irá se repetir. Lembro da gata aqui de casa que já está com quase 10 anos e lembro que uma época ela sempre ficava parada na janela observando o mundo lá fora, não vendo mais nada além do que estava na sua cabeça. Com o tempo ela abandonou esse hábito. A gata aqui de casa tem o costume ...

John x Paul x George

Não há como negar que os três Beatles compositores foram corajosos no começo de suas carreiras-solos. George Harrison lançou um disco triplo, com pelo menos dez canções excelentes, como se quisesse mostrar do que ele era capaz e o que não o deixavam fazer. John Lennon exorcizou seus demônios internos em canções cruas e sofridas. Paul McCartney teve a coragem de limpar a gaveta e gravar um disco sozinho, com um punhado de besteiras e quatro boas canções. É claro que o fim dos Beatles não foi amigável. Os últimos anos da banda, após a morte de Brian Epstein, foram marcados por vários abandonos temporários de um dos integrantes e quando o sonho acabou em meados de 1970, havia um clima de ódio entre alguns membros. Principalmente entre George Harrison e Paul McCartney e futuramente entre John e Paul. (Ringo não. Ringo tocou bateria nos discos de George e de John e não no do Paul. Talvez isso diga alguma coisa também). (As coisas parecem que não estavam boas entre John e George, mas logo ...

Os dois filhos de John

Se eu fosse filho de John Lennon, a última coisa que eu tentaria é ser cantor. Pensaria em ser jogador de futebol, pintor, frentista ou faxineiro. Jamais cantor. Porque minha carreira sempre seria comparada com a do meu pai. E pior, por mais que eu pudesse ser um grande músico, meu trabalho jamais seria reconhecido da maneira correta. Sempre falariam que meu pai era meu melhor (e como ser melhor que seu pai quando seu pai era o John Lennon?) e ainda diriam que eu só estava ali por ser filho de quem eu sou. Por outro lado, existem alguns benefícios. Você sempre terá as portas abertas no meio e o sobrenome irá atrair a curiosidade de muitas pessoas e, vai que elas gostam. Bem, como eu não sou filho de John Lennon e seus filhos não pensam como eu, eles resolveram seguir carreiras musicais. Julian (filho do primeiro casamento de John) e Sean (filho de Yoko) lançam seus discos aqui e ali e tentam de alguma forma sair da sombra do pai. Julian lança discos de maneira irregular desde os an...

Terezinha

Durante um ano da minha vida eu tomei injeções todos os dias, incluindo domingos e feriados. Fui uma criança alérgica e asmática, com quase 100% de aproveitamento naquele exame de alergia. Minha primeira infância foi marcado por visitas a médicos, internações e faltas de ar. Até conhecer um médico alergista e começar um tratamento que envolvia vacinas diárias. Tratamento que me curou. O nome do médico eu não me lembro, mas quem me aplicava as injeções se chamava Terezinha. Naqueles idos de 1990 e pouco, não deveriam existir muitas farmácias no Coxipó e a Drogaria Coxipó era a mais perto de casa. Aliás, Drogaria Coxipó é apenas o jeito de falar. Todos a conheciam como a Drogaria da Terezinha, um ponto de referência de uma personalidade do Coxipó. Durante aquele ano, toda vez Terezinha me perguntava em qual lado eu preferia a injeção e ela a aplicava. Ela tinha uma mão reconhecidamente leve e talvez isso tenha contribuído para o fato de que eu nunca tive medo de agulha. Foi assim tod...

Avaliação dos grupos da Copa 2014

Antes, um parêntese inicial: Como uma boa entidade que entende de negócios, mas não de futebol, a Fifa contribuí para avacalhar um pouco a Copa do Mundo. Sempre existem grupos mais difíceis do que outros, mas nesta Copa parece sacanagem. Alguns grupos tem até três times que poderiam sonhar em chegar nas semifinais, enquanto outros são formados totalmente por equipes que parecem talhadas a eliminação na primeira fase. O motivo? O critério para escolha dos cabeças de chave. Uma vez que a Copa do Mundo acontece a cada quatro anos, acho muito mais justo que se premiem as seleções que foram melhores ranqueadas ao longo desse período. A Suíça e a Colômbia jamais poderiam ser cabeças de chave. A Itália jamais poderia deixar de ser. (Outra coisa: se for para usar o ranking, que se utilize o ranking do começo ao fim, terminando com essa divisão geográfica que coloca Costa do Marfim e Argélia no mesmo nível). Grupo A : Brasil, Croácia, México e Camarões. O Brasil caiu num grupo tranquilo. Não...

Barba Ensopada de Sangue

Um homem sem nome chega até uma cidade de pessoas sem rostos. Carrega a dor de ter perdido sua namorada para o próprio irmão, o peso do suicídio noticiado de seu pai e a cadela que seu pai deixou. Carrega também a dúvida sobre o que aconteceu com seu avô, morto nesta cidade (Garopaba), em uma situação muito estranha e cuja morte se transformou num tabu, incapaz de ser apagada pelo tempo. Barba Ensopada de Sangue é a jornada épica deste homem sem nome, recomeçando a vida num lugar em que não é bem-vindo, movido pelo mistério sobre a morte do avô que nunca conheceu. Mas, mesmo quando este mistério é resolvido, a história não acabada. Para mim, o livro é sobre encontrar seu destino. As discussões entre o homem sem nome e sua ex-namorada sobre o livre-arbítrio e o determinismo acabam por ser o plano de fundo da história. Todos buscam seu destino, mesmo quando se está escolhendo o que se quer. As coisas simplesmente acontecem. O avô malvisto, o pai suicida, o irmão traíra, a ex que ar...

Antes que tu conte outro disco melhor

Tenho que dizer que eu mesmo tenho um preconceito com o rock nacional. Com o tempo, elaborei uma explicação para isso que é relacionada ao ritmo dos idiomas. Acredito que o rock combina melhor com a fluência da língua inglesa, da mesma forma que o samba fluí em português. Os meus discos favoritos do rock nacional são aqueles em que as letras casam melhor com o ritmo. Não acho que as letras em português fiquem boas com o rock com um pé na distorção, vocais abafados. Me irrita não entender o que está sendo cantando. Assim sendo, o Apanhador Só acertou o ritmo e seu segundo disco. Antes que tu conte outra , é o melhor disco do ano que eu escutei, em qualquer idioma. Se a estreia homônima do grupo gaúcho é um disco bom, mas bobinho, Antes que tu conte outra é um disco denso, cheio de detalhes, letras enigmáticas e que melhora a cada audição. Não é daqueles trabalhos de consumo rápido e descartável. A cada vez você descobre alguma coisa nova e as músicas entram melhor nos ouvidos, tor...

Santos

Gilmar; Djalma Santos, Bellini e Nilton Santos; Orlando, Zito; Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagallo. Acrescente De Sordi, titular nos cinco primeiros jogos da campanha, ausente apenas da final. O primeiro a partir foi Garrincha, vítima do alcoolismo em 1980. Didi, o melhor jogador da copa de 58, morreu de câncer 2001. O artilheiro Vavá sofreu um infarto em 2002 e em 2010 foi a vez de Orlando. Já 2013 foi cruel. Djalma Santos invejava pela sua saúde, mas não resistiu a uma pneumonia em 23 de julho. No dia 24 de agosto De Sordi morreu e Gilmar também se foi no dia seguinte. E na última quarta-feira, 27 de novembro, Nilton Santos morreu aos 88 anos. A Enciclopédia do Futebol, o maior lateral esquerdo de todos os  tempos, um revolucionário da posição. De tantas jogadores do passado, Nilton Santos é um daqueles que sempre me pareceu uma entidade. Poucas vezes um jogador foi tão unânime, ainda mais em uma posição coadjuvante do futebol. Nos últimos anos sofria com o Alzheimer e fi...

Balanço da Temporada 2013 da Fórmula 1

A temporada 2013 da Fórmula 1 terminou ontem em Interlagos, em uma corrida que resumiu o que foi a temporada. Sebastian Vettel dominante, em uma Red Bull dominante, com Fernando Alonso fazendo seus milagres e a Mercedes fogo de palha. Abaixo, uma avaliação da atuação dos pilotos em 2013. Sebastian Vettel: Temporada consagradora. Igualou o recorde de vitórias em uma temporada, com a incrível sequência de nove vitórias nas últimas nove corridas. Mais, venceu 11 das últimas 13 corridas do ano, massacrando a concorrência após um começo de temporada equilibrado. Quando a Red Bull não está bem, Vettel corre para os pontos e não se afasta dos líderes. Quando a Red Bull está bem, não dá para ninguém. Muitas de suas nove vitórias finais foram conseguidas de maneira humilhante, abrindo uma vantagem esmagadora sobre a concorrência logo no começo, para depois administrar o resultado. (A corrida de Cingapura foi especialmente humilhante, ele era 2 segundos mais rápido por volta em relação aos out...

Memórias do GP do Brasil

Acompanha Fórmula 1 desde quando tinha quatro anos, ou seja, desde 1991. Nesse período então, já acompanhei 22 temporadas, 22 grandes prêmios disputados no Brasil. O que será disputado amanhã, será o 23º, no fechamento da 23ª temporada. A corrida no Brasil sempre é um evento especial, daqueles que até quem liga mais ou menos para as corridas acaba acompanhando. Até porque, a corrida sempre acontece ali, bem perto da hora do almoço. A seguir, minhas memórias sobre essas 22 corridas (quando elas existirem). 1991: Lembro de ter assistido a corrida e de que Ayrton Senna a venceu. Mas, sinceramente, não lembro de mais nada, sobre a situação da corrida. Acredito que estou cheio de memórias adquiridas sobre o problema no câmbio, a rodada do Mansell, a perseguição do Patrese, a chuva. Mas, da hora mesmo, não lembro de nada. 1992: Mansell ganhou de maneira fácil. Mas não tenho nenhuma recordação em especial. 1993: Agora sim me lembro bem. Prost liderava, a Williams tinha um carro de out...

Os ninfomaníacos do 401

- Nesse banheiro dá para escutar tudo o que as outras pessoas fazem no quarto do lado - comentei com minha namorada. - Sim, escutei eles fazendo sexo. - Bem... deviam ser outros hóspedes, porque eu escutei uma mãe conversando com a filha em espanhol. Bem, pelo menos era melhor imaginar isso. Não era agradável pensar em pais que faziam sexo no banheiro enquanto a filha lia gibi no quarto. A noite, escutei uma pessoa assoando o nariz e uma voz falando em português. Cheguei a conclusão de que a janela do banheiro dava acesso a uma espécie de duto de ar, que ligavam vários banheiros daquele lado do hotel. Assim sendo, existia um quarto com um casal fazendo sexo, outro com uma menininha falando em espanhol com a mãe, outro com pessoas assoando o nariz e por aí vai. Estávamos no quarto andar do Hotel London Palace, na calle Rio Negro em Montevidéu. Bem localizado no centro da cidade, com quartos confortáveis e um café da manhã sensacional. Sofre com os banheiros, que ficam encharcados ...