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Algumas poucas palavras sobre Naná

Naná morreu um dia antes do aniversário de Cuiabá, vítima de leucemia felina. Repentinamente me peguei sem palavras para falar sobre esta gatinha com quem convivi durante 14 anos.

Talvez porque depois que eu me casei e sai de casa, eu mal a tenha visto. Naná não superou muito bem a minha traição, o fato de eu ter abandonado o nosso relacionamento construído arduamente após uns bons três anos em que ela me ignorou.

Lembro dela ainda filhote agarrada na janela do meu quarto. Eu havia acabado de chegar do colégio, um pouco mais cedo, muito provavelmente porque era semana de provas. Ao abrir o portão me deparei com ela grudada na janela do meu quarto e miando, enquanto os cachorros babavam de ansiedade embaixo. Ela ainda não estava enturmada com os cachorros, tinha pouco tempo de casa e nem era para estar ali, devia ter fugido.

Depois que eu a resgatei, o que ficou de mensagem para ela não era que ela não deveria encarar os cachorros ou o que fosse: ela entendeu que toda vez que pulasse na minha janela e começasse a miar, um portal mágico se abriria e alguém a colocaria para dentro de casa. Sendo assim, durante umas duas ou três semanas, todo dia, religiosamente, ela se jogava na minha janela e começava a miar às 5h da manhã.

Quando vi que isso não iria mudar, tive que começar a jogar água nela para que ela não me acordasse de maneira apoteótica  toda madrugada.

Isso talvez ajude a explicar porque ela me ignorou durante uns bons três anos.

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