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A revolta dos cupins

Há um dia que se repete todo ano em Cuiabá. Talvez se repita em outra cidade de Mato Grosso, do Brasil, ou do mundo. Talvez no mundo inteiro exista esse dia. Não exatamente no mesmo dia cronológico, mas nos acontecimentos que acontecem ele.

O dia é assim: amanhece nublado, depois de um longo período de calor. As nuvens cinzas e escuras se instalam sobre a cidade e logo começam a cair. Cai uma chuva de intensidade diferente ao longo do dia, deve ser assim que funciona em Londres. E então surgem os cupins.

Eles começam a voar desvairadamente e desrespeitosamente pelo céu da cidade, batendo na cara das pessoas, nos carros, se afogando em poças d'água, piscinas e lagos. Você olhará pelo chão e verá uma pilha de asas de cupins que foram por aí.

Todo ano esse dia acontece uma vez. Não sei quando. Tenho impressão de que às vezes é no fim do ano, mas talvez já tenha acontecido no começo, ou no meio. O fato é que sempre acontece. Todo ano acontece um ataque de cupins.

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