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Dez anos de piauí

Lembro-me bem do dia em que eu conheci a revista piauí: 29 de novembro de 2006. Era aniversário de um tio e em sua sala estavam dispostas as duas primeiras edições daquela revista grande, com capas curiosas que eu já havia visto no programa Pontapé Inicial, da ESPN Brasil. Entre uma folheada e outra, me peguei hipnotizado na matéria de Antônio Prata, How do you do, Dutra? Também não consegui me desvencilhar de uma matéria da Vanessa Bárbara sobre os palíndromos. Devo ter sido bem antissocial naquela noite, mas só sei que no mês seguinte eu estava na banca de jornal comprando aquela revista grande e assim o fiz desde então (exceção feita a um breve período em que fui assinante).

Dez anos já passaram e nesse tempo piauí me apresentou alguns dos meus autores favoritos (David Foster Wallace, Daniel Galera), me fez comprar livros, me mostrou que um olhar aprofundado pode mostrar que nem tudo é como parece ser, me fez entender as causas dos acidentes aéreos nacionais, conhecer os vultos da república, me ajudou a votar em uma eleição presidencial e me tornou íntimo dos matemáticos do Inpa e seus sistemas dinâmicos. Me emocionou com tragédias naturais e me fez rir até mesmo com a graça na falta de graça dos quadrinhos do Gotlib e a polêmica que ele provocava na seção de comentários.

Dez anos depois, não sei dizer como teria sido minha vida nesses dez últimos se eu não tivesse ficado tão interessado naquele papai Noel melancólico escutando Osvaldo Montenegro em um shopping de Penedo. Por onde andará esse papai Noel?

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