Pular para o conteúdo principal

Copa 2014: Grupos A e B, 3ª Rodada

Holanda 2x0 Chile
Holanda e Chile fizeram uma partida chata em São Paulo. Para a Holanda não interessava atacar e por isso o time se manteve fechado, esperando que o Chile tomasse a iniciativa. A estratégia tirou o Chile da sua "zona de conforto". Os chilenos gostam de avançar a marcação, sufocar o adversário para roubar a bola e atacar em vinte ou trinta metros. O jogo se arrastou quase até o final, quando em uma bola aérea - deficiência mais grave da zaga chilena - a Holanda abriu o placar. O segundo gol veio em um contra-ataque, sendo que o Chile não conseguiu levar perigo em momento nenhum ao goleiro holandês.
Melhor jogador: Arjen Robben.

Austrália 0x3 Espanha
O jogo realizado hoje em Curitiba entrará para a história por apenas um motivo: a despedida de uma brilhante geração espanhola. Despedida melancólica, em um jogo que não valia nada. A Austrália não se motivou com a possibilidade de dar mais um tapa nos atuais campeões e deixou os espanhóis jogarem a vontade e fazer os gols como queriam. Iniesta jogou com muita liberdade e se confirmou como o único espanhol e ter atuações dignas no Brasil. Casillas, Ramos, Puyol (presente em outros momentos), Alonso, Xavi, Villa e Torres. Geração que ganhou os torneios mais importantes que disputou e, mais do que isso, foram campeões impondo o seu estilo de jogo, algo muito raro nos futebol atual, ainda mais em jogos de seleção. Vai demorar muito para a Espanha conseguir juntar uma dupla como Xavi e Iniesta outra vez. Talvez nunca mais.
Melhor jogador: Andrés Iniesta.

Camarões 1x4 Brasil
A vitória por goleada é ilusória. O Brasil jogou em Brasília o seu pior tempo nesta Copa do Mundo. Primeiro tempo pavoroso, com a defesa dando sustos, com o meio de campo vazio e o ataque dependendo exclusivamente de Neymar - que pela idade e pela pressão, vem fazendo uma copa monstruosa. A troca de Paulinho por Fernandinho mudou a partida. O volante do Manchester City teve a melhor atuação de um jogador brasileiro, fora Neymar, nessa copa. Roubou bolas, se apresentou na frente e ainda ajudou na organização. Pode ser a solução para o Brasil crescer nessa Copa, mas outros problemas tem que ser resolvidos: Daniel Alves, Hulk e Fred. Só Daniel Alves parece ter uma solução razoável. E ah, Camarões é a pior seleção dessa Copa e ainda assim deu um sufoco no Brasil hoje.
Melhor jogador: Neymar.

Croácia 1x3 México
As seleções dos países que formam a antiga Iugoslávia sempre chegaram na com vários jogadores bons e nunca fizeram boas campanhas. Na época da Iugoslávia, isso era explicado pelo racha no elenco entre bósnios, croatas e sérvios, ortodoxos, muçulmanos, enfim. Desde a fragmentação do país, apenas a Croácia de 1998 conseguiu fazer uma campanha. Os croatas decepcionaram em 2002 (perderam do Equador quando só precisavam vencer) e 2006 (perderam da Austrália quando só precisavam vencer), os sérvios em 2006 (saco de pancadas) e 2010, os eslovenos em 2002 e 2010, os bósnios agora. São times incrivelmente sem sangue. Times que não sentem a temperatura do jogo, que conseguem boas vitórias, mas que na hora de decidir não dão conta do recado. O jogo hoje foi equilibrado, a Croácia usou seus jogadores habilidosos para dominar o meio, o México apostou nos contra-ataques. Mas, na hora em que o jogo pegou no breu, o México atropelou.
Melhor jogador: Rafael Márquez.

Comentários

Postagens mais visitadas

Os 27 singles do Oasis: do pior até o melhor

Oasis é uma banda que sempre foi conhecida por lançar grandes b-sides, escondendo músicas que muitas vezes eram melhores do que outras que entraram nos discos. Tanto que uma coletânea deles, The Masterplan, é quase unanimemente considerada o 3º melhor disco deles. Faço aqui então um ranking dos 27 singles lançados pelo Oasis, desde o pior até o melhor. Uma avaliação estritamente pessoal, mas com alguns pequenos critérios: 1) São contados apenas o lançamentos britânicos, então Don't Go Away - lançado apenas no Japão, e os singles australianos não estão na lista. As músicas levadas em consideração são justamente as que estão nos lançamentos do Reino Unido. 2) Tanto a A-Side, quanto as b-sides tem o mesmo peso. Então, uma grande faixa de trabalho acompanhada por músicas irrelevantes pode aparecer atrás de um single mediano, mas com lados B muitos bons. 3) Versões demo lançadas em edições especiais, principalmente a partir de 2002, não entram em contra. A versão White Label de Columbia...

Correspondente de Guerra Contemporâneo

O correspondente de guerra é uma figura quase mítica do mundo jornalístico. Um repórter que é enviado ao campo de batalha para percorrer escombros, fugir de bombardeios, conversar com refugiados e questionar autoridades em busca de informações sobre o conflito que será noticiado. O jornalismo sempre foi a busca objetiva dos fatos e não há maneira melhor de encontrar a notícia do que vê-la de perto. Já o fato de que um dos postos mais prestigiados do jornalismo é ser um cidadão constantemente ameaçado de morte diz muito sobre as misérias da profissão. No entanto, o papel do correspondente tem mudado nos últimos conflitos midiáticos. Não vemos mais Marcos Losekann desviando de mísseis na Faixa de Gaza. A cobertura das guerras atuais diz muito sobre as tendências do jornalismo atual. Primeiro, é preciso levar em conta que o jornalismo é uma profissão que vive em conflito com o mundo da internet. Há uma crise de credibilidade e uma eterna crise financeira, que leva à busca constante pela e...

Tame Impala & Ben Kweller

O Tame Impala é uma banda que teve certo impacto na bolha da qual eu faço parte, quando o grupo liderado por Kevin Parker estourou no final de 2012. Eles estavam lançando o seu segundo disco, Lonerism , que lapidava a psicodelia bruta e pesada do disco anterior, Innerspeaker . O disco de estreia flertava com a estética lo-fi, com uma psicodelia construída a partir dos bons riffs de guitarra e vocais abafados. Em Lonerism surgiam teclas das mais variadas, texturas psicodélicas e aquilo que se convém chamar de groove. Desde a batida inicial de Be Above It , a viagem de Apocalypse Dreams , o riff de Mind Mischief , o transe de Elephant e a grande obra-prima Feels Like We Only Go Backwards . A jornada psicodélica de 1967 estava de volta. Tudo começou a desandar em Currents , quando Parker começou a abandonar qualquer resquício de organicidade em busca de um som eletrônico, com pegada de R&B moderno e synth-pop. Canções pop triviais receberam texturas psicodélicas eletrônicas. Mas, ok, ...