Pular para o conteúdo principal

Se beber não case

Três amigos estão em um carro. Eles foram para uma despedida de solteiro em Las Vegas e não se lembram de nada do que aconteceu na noite. Só sabem que o noivo Doug desapareceu.

Começam a procurar no carro alguma pista sobre o paradeiro do noivo. Descobrem um sapato perdido e uma camisinha usada, que ainda está úmida. Com nojo, a camisinha é jogada para lá e para cá até ser jogada pela janela. Eles acabam no acostamento. É quando escutam o barulho de alguém se debatendo no porta-malas. Pensam “é o Doug” e vão correndo abrir.

Para a surpresa deles, não é o noivo e sim o um chinês de cuecas que pula e começa a aplicar golpes com um pé de cabra, para depois fugir.

Essa é uma das boas cenas do filme mais engraçado que eu vi em algum tempo. O grande pecado é a tradução do título. “The Hangover” ou “A Ressaca” ganhou esse nome de comédia com Ashton Kutcher. Sim, é uma comédia com momentos de humor grotesco. Mas a grande graça são as cenas surreais (o que é o tigre no banheiro?), o politicamente incorreto (“veja, o bebe está se masturbando”) e a loucura em geral.

O roteiro também é interessante. Os fatos não passam em tempo real. O filme começa pelo esquecimento, e pela tentativa de lembrar tudo o que aconteceu na noite. A motivação do filme está em ligar o que todas aquelas situações doidas tem em comum. E, propositalmente acredito, algumas coisas permanecem sem explicação. A ligação entre elas é a possível moral da história de que “afinal, as pessoas fazem muita merda quando estão bêbadas, mesmo”.

Comentários

Postagens mais visitadas

Top 25: meus artistas obscuros

Uma lista com os artistas que eu gosto - ou que pelo menos escuto com alguma frequência - menos populares no Spotify.  25 The Action - 36.355 ouvintes mensais A invasão britânica dos anos 60 não colecionou apenas histórias de sucesso. Muitas bandas passaram pelo período sem atingir as massas. O Action é um grande exemplo. Mas, vamos ser sinceros: o grupo liderado por Reg King está longe de ser brilhante e vale mais apenas pela curiosidade se você for um obcecado pela cena londrina da época. De qualquer jeito, escute In My Lonely Room e I’ll Keep Holding On . Sim, eles nunca chegaram a lançar um disco, apenas uma série de singles entre 1965 e 1967. 24 The Boy Least Likely To - 36.001 ouvintes Grupo britânico de indie pop, uma espécie de versão genérica do Belle & Sebastian. Conheço apenas The Law of the Playground , que tem a boa música de abertura Saddle Up . Fora isso, não é nada que valha muita dedicação. 23 Fanfarlo - 35.995 Banda britânica fortemente influenciada por Arcad...

Uma vitória e as memórias de infância

No dia 28 de março de 1993, Ayrton Senna ganhou o Grande Prêmio do Brasil pela segunda e última vez em sua carreira. Para mim, a imagem inesquecível deste GP está registrada aos 5:45 deste vídeo. Ayrton Senna ganha a corrida e é obrigado a parar na reta dos boxes, impedido de passar por uma multidão que invadiu a pista. Após algum tempo lá dentro, Senna saí do carro, sobe sobre ele e ergue os braços comemorando em meio a multidão em êxtase. Imagem digna de pôsteres. Naquela época, o Grande Prêmio do Brasil era um evento. A Fórmula 1 estava no seu auge e o GP brasileiro acontece na hora do almoço. Era a oportunidade de juntar a família toda em volta da televisão para torcer pelo Senna. Para mim, a vitória de 1993 foi muito mais emblemática do que a de 1991, heroica, com seu carro quase quebrando. Em 1993, Senna tinha um conjunto bem inferior a Williams de Alain Prost e esteve claro desde sempre que Prost conquistaria o tetracampeonato. As vitórias de Senna neste ano foram todas ...

(...)

Existem textos que não deveriam ser escritos, simples assim. No mundo perfeito, um texto sobre a morte de alguém não deveria ser feito. Quando esse alguém era um amigo muito querido, a situação é pior ainda. Eu não queria ter que escrever sobre o Dyolen. Mas percebi que precisava. Eu devia fazer essa homenagem a ele, antes que o tempo cicatrizasse as feridas de um fim-de-semana que mais pareceu um pesadelo. Pensei em tantas coisas. Pensamentos abstratos sobre a vida. Mas tentei ser objetivo. E listar momentos marcantes nesses cinco anos em que convivi com ele. 1 Festa do Calouro: Era uma festa do calouro organizada pela nossa turma, estávamos no segundo semestre em 2006. Em certo momento, Dyolen foi nos ensinar três movimentos básicos da dança “atira, defende, a faca”. Não dá para explicar os movimentos em palavras. Mas a dança do Dyolen foi um marco. É quase impossível se lembrar do Dyolen sem pensar em “divertido”. Dyolen me cumprimentava rindo. Sempre ria ao encontrar qualquer pess...