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Sugestão de jogos

Pensei em uma lista de jogos de Copa do Mundo que o SporTV poderia reprisar por esses dias e cheguei a 30. Dá um mês de preenchimento da grade do canal. Só jogos de 1970 pra cá, quando há imagens disponíveis. Alemanha 3x2 Inglaterra 1970 Revanche da final de 1966, foi uma espécie de aquecimento para o jogo do século. Os ingleses abriram 2x0, mas os alemães reagiram nos 25 minutos finais em grande atuação de Beckenbauer e Overath. O gol da vitória só veio na prorrogação e rendeu críticas ao goleiro Bonetti, que substituiu o mito Gordon Banks, fora do jogo por comer pimenta mexicana demais. Alemanha 3x4 Itália 1970 Há uma placa no estádio Azteca informando que este foi o maior jogo do século XX. Bem, a verdade é que boa parte do jogo foi disputada entre momentos de chateação e por pouco, bem pouco, o que não ficou para a história foi uma vitória italiana por 1x0, gol marcado logo no início por Boninsegna. Mas, o gol de empate de Schnellinger aos 47 do segundo tempo abriu as portas da emo...

Sugestões de reprises de corridas para o SporTV

O SporTV precisa deixar qualquer cerimônia de lado e passar a resgatar corridas do passado sem nenhuma necessidade de introdução ou encaixe no formato do programa Túnel do Tempo. O Esporte não vai voltar massivamente tão cedo e ninguém aguenta mais as reprises preparadas para temporadas anteriores do programa, exibidas originalmente durante o fim de ano. Pensei em algumas corridas que poderiam ser retransmitidas pelo canal. Grande Prêmio da Alemanha de 1986 Dobradinha brasileira com vitória de Piquet e Senna na segunda colocação. As grande retas cortadas por chicanes de baixas velocidade consumiram o combustível dos líderes. A McLaren partia para uma dobradinha com Keke Rosberg e Alain Prost, mas primeiro o francês e depois o finlandês precisaram economizar combustível e tiraram o pé. Não adiantou, eles não completaram a prova. Piquet assumiu a liderança faltando seis voltas e Senna, que a duas do fim estava em quarto, cruzou em segundo balançando o carro para encontrar combustív...

Documento

Sempre fui uma pessoa melancólica, mas acho que nunca me senti como agora, como se estivesse assistindo ao crepúsculo da civilização. Como se estivéssemos em 1987 e Michael Stipe não parasse de cantar “It's the end of the world as we know it”. Mas eu não me sinto bem. Lembro que quando eu tinha oito anos todo dia o Jornal trazia uma notícia sobre o Ébola, essa doença que até hoje é sinônimo de morte, essa febre misteriosa que sangrava até a morte os seus infectados. O filme epidemia com Dustin Hoffman e cenas de pessoas suando sangue em filas de conveniências não parava na prateleira da videolocadora. Mas o Ébola é tão mortal que nunca se espalhou para fora da África. Depois vieram a Gripe Suína, Gripe Aviária, Influenza, H1N1, Sars, Mers, Antrax, mas tudo sempre ficou meio restrito, pareceu mais uma paranoia que sumiu do noticiário da mesma maneira como surgiu. *** Tão inesquecível quanto o 11 de setembro foi o 12 de setembro. O Dia Seguinte. O dia em que só se falava dos ...

TBT de Carnaval

Sei que chegamos um pouco depois do almoço e logo estávamos almoçando em um restaurante mais ou menos natural do plano piloto. Fomos para Brasília para o aniversário de uma amiga e como era Carnaval, resolveram que devíamos ir em um bloco. Estava desconfiado, porque o carnaval sempre me pareceu uma coisa muito opressora, que não se adequava muito ao meu perfil. Quando fui ver já estavam todos se arrumando e passando glitter na cara. Fui apresentado a Skol Beats, que eu nem sabia o que era. O gosto era realmente diferente, aquilo não se parecia nem um pouco com cerveja, mas deixava bêbado bem rápido e só depois eu fui descobrir que o teor alcoólico daquilo era o dobro de uma cerveja comum. Então estávamos todos sendo deixados pelos seus respectivos motoristas de Uber em algum lugar amplo de Brasília, onde um trio elétrico tocava músicas engraçadas, de tão saudosistas. Cada Skol Beats ingerida como se fosse uma cerveja normal aumentava minha embriaguez. Alguém foi ao banheiro e se pe...

Terry Jones

Caio em um vídeo de Michael Palin falando sobre Terry Jones, fundador do Monty Python e que morreu na última semana. Dentro da dinâmica estabelecida no grupo de humor, formado por seis integrantes, Jones e Palin formavam uma dupla criativa, enquanto Graham Chapman e John Cleese formavam outra. (Eric Idle e Terry Gillian precisavam se virar por conta própria). Palin lembra que conheceu Jones em 1962, quando os dois entraram na Universidade de Oxford. Viraram amigos e trabalharam juntos por anos. Palin lembra que eles trabalharam muito, com a pressão de ter um programa semanal na BBC, faz os elogios ao seu amigo, uma pessoa muito franca, mas que sempre ajudava muito. Lembrou que, mesmo em seus projetos solos pós-Python, Jones sempre esteve presente, dando palpites. Lá pelas tantas, após uma série de elogios, Palin é perguntado sobre o que ele sentirá mais falta em Jones. Ao invés de citar um desses valores genéricos, Michael Palin é sincero: de saírem juntos para beber, dos jantares,...

Top 8 - Corridas sem chuva nos anos 2010

Assim que década acaba - ou não - dezenas de listas surgem por aí. Uma das que mais me chamou a atenção é a lista de melhores corridas de Fórmula 1 dos últimos 10 anos. Nessa lista há uma grande predominância de corridas na chuva e parece que o automobilismo só pode ser divertido quando há chuva. Sete das dez provas escolhidas no site oficial da categoria ocorreram com pista molhada. De fato, para que uma corrida entre para a eternidade, é preciso que uma as circunstâncias criem uma série de dificuldades que permitam que os pilotos exibam seu talento. A chuva é a maneira mais fácil de embaralhar as cartas, mas, separei uma lista - em ordem cronológica - de oito corridas que foram capazes de prender o espectador em frente da TV. (Outro problema das corridas de Fórmula 1 é que as memórias recentes tendem a se sobrepor as passadas. Por isso o GP do Brasil de 2019 entra a frente do de 2012 - provavelmente a melhor corrida da década - assim como a Alemanha em 2018) Itália 2010 Contex...

Top 20 - Discos dos anos 2010

A década acaba só no ano que vem, mas os anos 2010 acabam daqui a poucos dias. Meus 20 discos favoritos dos últimos 10 anos, ou, o período em que escutei cada vez menos música nova e não consegui me sentir representado por quase nenhuma banda nova. Sinal inequívoco de que envelheci? Provavelmente sim. 20) Alabama Shakes - Sound & Colour (2015): Depois da excepcional estreia, o segundo disco não consegue manter o nível, mas aponta alguns novos rumos e grandes canções. 19) Tulipa Ruiz - Tudo Tanto (2012): Pop de primeira qualidade, com algum experimentalismo. 18) Noel Gallagher's High Flyin' Birds - Noel Gallagher's High Flyin' Birds (2011): A estreia solo de Noel Gallagher provavelmente seria um disco médio do Oasis, mas tem algumas daquelas melodias que só ele sabe fazer. 17) Ryan Adams - Ashes & Fires (2011): Ryan Adams voltando a fazer um disco bom e centrado depois de uma década e voltando a ter alguma relevância musical. 16) Jack White - Blunderbluss ...

Vida e obra de um papagaio

Entre o ano de 1984, quando apareceu na casa dos meus pais no Piauí, e o dia 16 de dezembro de 2019, quando morreu em Cuiabá, a vida do papagaio Cacá foi bem documentada. Apareceu já falando e assoviando algumas coisas, aparentemente perdido e com um dono jamais encontrado. Viveu mais algum tempo no Piauí até se mudar para o interior do Rio de Janeiro. Se mudou para Cuiabá em março de 1988, ao lado da família da qual já fazia parte. Chegou a dividir um viveiro com outros três papagaios: Keké - que desapareceu em determinado momento do ano de 1992, Azul - que precisou ser doado, e Kikinho, seu parceiro extremamente violento, que não aceitava o convívio de outros papagaios, além de Cacá. Na peregrinação por consultórios médicos em busca de atendimento para sua moléstia que acabaria se mostrando fatal, descobri que papagaios são seres monogâmicos. Então, de certa forma, Cacá e Kikinho eram um casal. A informação faz ainda mais sentido se levarmos em conta que em algum momento do ano...

Pink Floyd de 1 a 15

Pioneiros do rock psicodélico, lançaram alguns dos melhores discos da história, passando por alguns períodos atribulados. Uma breve análise da discografia do Pink Floyd. Arnold Layne / Candy and a Current Bun (1967) Primeiro single da banda, Arnold Layne é uma viagem no ácido e uma dos melhores rocks psicodélicos já escritos, apesar de ser uma coisa muito louca para ser lançada como um single. Som marcante da fase inicial do conjunto sob a batuta de Syd Barrett. See Emily Play (1967) Segundo single do grupo, See Emily Play traz outra das características das composições de Barrett: aliterações. Canção mais pop da fase inicial do Pink Floyd, com os efeitos sonoros encaminhando uma melodia bem linear com um refrão claro e simples de cantar. The Piper at the Gates of Dawn (1967) A estreia do Pink Floyd entra em qualquer galeria de discos clássicos, por mais que não seja fácil. Não há nada aqui que seja tão palatável quanto os dois primeiros singles. A abertura, com Astronomy...

Essas memórias

Sentando no meu colo, meu filho começa a rir por algum motivo qualquer. Pode ser um barulho que eu fiz, ou alguma impressão visual que o deixou excitado. Tento observar algum padrão, mas, com raras exceções, o humor de um bebê de cinco meses é um tanto quanto imprevisível. Mas o fato é que sua risada é a coisa mais empolgante do mundo. Realmente nada mais importa e, se fosse possível, eu ficaria o dia inteiro ali esperando que ele risse ou emitisse barulhos engraçados enquanto descobre a imprevisibilidade do mundo. Ter um filho pequeno te faz pensar no passado. Pensar que um dia você foi esse bebê encantado com um monte de coisas que hoje parecem completamente previsíveis e repetitivas. Um dia você mediu 65 cm e ficou rodando de um lado para o outro, tentando descobrir padrões e sentindo alegria, medo, ou o que é que fosse, da luz que se acende misteriosamente, de objetos inominados que estão sempre presentes ao seu redor, girando, fazendo barulhos, estáticos, monótonos ou ameaçado...

O medo com Fernando Diniz

Desde que Fernando Diniz foi anunciado como o novo treinador do São Paulo, os torcedores da equipe vivem em uma espécie de pavor constante. O nome de Diniz também tem sido rejeitado por uma pequena maioria dos torcedores, por mais que não haja um consenso sobre quem deveria ocupar este posto. Há sim alguma razão para se temer Fernando Diniz no comando da sua equipe e a principal delas é que ele conquistou apenas cinco vitórias em suas duas passagens por clubes da primeira divisão do campeonato brasileiro. Seu Fluminense deste ano venceu apenas três partidas, duas delas em atuações memoráveis (Grêmio e Cruzeiro), mas fora isso acumulou uma série de derrotas agradáveis. Diniz é um dos treinadores mais falados do Brasil desde pelo menos meados de 2014, quando seu Audax fez bons jogos no campeonato paulista. Em 2016, no seu auge, a modesta equipe de Osasco foi vice-campeã paulista, derrotando alguns gigantes pelo caminho e mantendo seu estilo pessoal: toque de bola, correndo riscos...

Abbey Road 50

Lá pelos idos de 2001 a vida não fazia sentido se eu não escutasse o Abbey Road. O último disco gravado pelos Beatles, com sua icônica capa até hoje imitada para desprazer dos motoristas londrinos, era o único lançamento dos Fab Four presente na coleção dos meus pais. Não sei se por alguma razão ou por oportunidade de negócio - custou R$ 8,90. Fato é que eventualmente minha mãe colocava esse disco para tocar e eu não dava muita atenção. Até que um dia eu fui para Barcelona, assisti uma apresentação de fantoches dos Beatles na Rambla e aquilo não saiu da minha cabeça. Na volta pra casa passei a prestar atenção. E aí aconteceu, eu descobri Oh! Darling. Hoje eu sei que Paul McCartney tentava gravar essa música sempre pela manhã, quando sua voz ainda aguentava o tranco, mas naquela época nada disso importava. Aliás, nada importava, apenas o disquinho rodando interminavelmente nesta música. Era minha obsessão. Os gritos de Paul aliviavam qualquer angústia adolescente. Há muito mitol...