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Postagens

Conspiração do destino

Em 2012, pela primeira vez saí de férias com minha namorada. Me debrucei sobre opções, pesquiseis hotéis e passagens e enfim definimos tudo. Compramos as passagens com uns dois meses de antecedência, como manda o figurino, para conseguir preços melhores. Logo depois, quando tudo estava certo, Ben Kweller anunciou dois shows no Brasil. Seus dois primeiros shows no Brasil. Ben Kweller é um dos meus artistas favoritos e é praticamente desconhecido por aqui. Veio bancado pelos seus fãs e tocou no Rio de Janeiro e em São Paulo. Eu estava no Rio de Janeiro no dia em que ele tocou em São Paulo. E estava em São Paulo no dia em que ele tocou no Rio de Janeiro. No ano seguinte, novas férias, novas frustrações com shows não marcados. O Planeta Terra confirmou que teria seu melhor line-up da história, com Blur, Travis e Beck, um pouco depois que as passagens estavam compradas. Estávamos escutando muito o Apanhador Só, mas ele tocou em São Paulo uma semana depois de estarmos lá. Descobrimos o...

Meu voto nulo

Ainda consigo me lembrar de todos os meus votos. Isso não significa lá muita coisa, já que o meu histórico eleitoral é recente, ainda não completou dez anos. Nesse tempo, minha relação com o voto e com os candidatos já mudou muito. Já fui mais adepto ao voto nulo, depois passei a tentar encontrar opções. Hoje, quando não vejo opções, digo que sofro um pouco por anular. Penso se não seria o caso de optar por uma política de redução de danos, mas ainda tento ter como lema que, se nenhum candidato me representa, nenhum deles merece meu voto. Comecei minha vida eleitoral anulando um voto. Foi naquele referendo sobre o desarmamento, quando eu tinha 18 anos e achei que era tudo uma palhaçada, uma tentativa de passar para a população uma decisão que já estava tomada e que, na prática, não ia alterar em nada a vida do cidadão normal. Nas eleições de 2006, minhas primeiras eleições de fato, meu único voto nulo é aquele do qual ainda me orgulho. Para deputado estadual, votei em Luis Soares...

Centímetros e segundos

Nessa vida nós controlamos muita coisa, mas tenho certeza que não podemos calcular os centímetros e os segundos. Menos controle ainda temos sobre os milímetros e os milésimos. Aquele segundo em que achávamos que conseguiríamos pegar um objeto, que dava para atravessar a rua, a bola que bate no aro, que um segundo a mais ou amenos, por uns centímetros a mais ou a menos, tudo teria terminado bem. O acidente de Jules Bianchi no último Grande Prêmio do Japão foi um acidente de centímetros e segundos. A única imagem amadora do evento, mostra que o trator que estava retirando o carro de Adrian Sutil estava voltando para trás, quando repentinamente o carro de Bianchi surge rasgando tudo e se estraçalhando. Por poucos segundos, o caminhão estaria mais a frente e Bianchi se estatelaria contra o muro, ou contra a proteção de pneus sem maiores consequência. Por poucos centímetros, ele não bateu de traseira e saiu ileso do choque. Mas nos segundos e centímetros exatos, ele passou por debaixo...

Sobre as eleições

As manifestações de junho do ano passado continuam sendo um fenômeno difícil de entender. Não existiu um objetivo comum, sequer um objetivo claro, mas o fato é que elas demonstraram insatisfações. A repercussão mudou bastante a avaliação pública sobre o cenário político até então. Dilma navegava em mares tranquilos para a reeleição e tinha um governo bem avaliado pelo povo. Sua aprovação era de 65% em março de 2013 e caiu para 30% no final de junho. Prova também de como nem sempre as pessoas sabem avaliar se o governo é bom ou ruim é o porquê. Outros governadores também sofreram com quedas drásticas de avaliação, sendo Sérgio Cabral no Rio de Janeiro o maior exemplo. Toda essa movimentação gerou uma expectativa para o resultado das eleições agora em 2014. A avaliação é de que poderíamos ter mudanças drásticas no Congresso Nacional (um dos maiores alvos do protesto) e nos executivos estaduais. Passada as eleições e com o povo escolhendo algumas velhas figurinhas carimbadas, a impres...

Resgatando Rascunhos: Sobre as fotos

O Blogger é uma ferramenta que permite que você salve rascunhos de textos que pretende postar algum dia. Algo que é bem interessante, já que em modelos antigos você corria o risco de ver sua sessão expirando a internet caindo e o texto se esvaindo pelo ralo da nuvem. Mas, no caso desse blog aqui, o rascunho não serve para muita coisa. Geralmente posto textos mais espontâneos por aqui e se alguma coisa vai para o rascunho, para ser escrita depois, adeus. Ficara para sempre no limbo da rede mundial de computadores. É o caso desse texto abaixo, rascunho desde março de 2013. Sabe-se lá o que eu pensei na época, devia estar melancólico, vendo fotos antigas. Fotos antigas são sempre melancólicas. Ia filosofar mas devia estar com preguiça e a filosofia foi embora. Um pouco baseado naquele texto do CH3 que eu já fiz, certa vez. Só que aqui, o foco estará no fato de que as fotos digitais não tem a magia das fotos em papel. As fotos em papel capturavam um momento, uma espécie de cerimônia...

Um corpo no asfalto

O congestionamento e as pessoas na calçada indicavam um acidente. Um carro com o para-brisa todo trincado mostrava que havia sido um atropelamento. O camburão do IML mostrava que o acidente havia sido fatal. Muitas vezes nós não temos noção da violência e da brutalidade de um atropelamento. Um impacto capaz de mutilar as vítimas, despedaçar ossos, numa morte horrível e dolorosa. Vi o cadáver, estirado no asfalto escaldante, rígidos e acidentados em frente ao Sesi Papa. Depois vi nos sites que a vítima se chamava Augusto Peixoto dos Santos e tinha 97 anos. Morava na região e costumava a caminhar por ali. Tentou atravessar a rua e foi atingido pelo carro. Viver 97 anos e morrer atropelado. O destino é cruel.

Regressiva dos candidatos a presidência

São onze candidatos a presidência. Falo sobre os 11 em ordem decrescente de preferência. 11 Pastor Everaldo: O pastor do Partido Social Cristão é de longe a pior opção para essas eleições. Suas propostas são baseadas numa teocracia antiquada, mas pior do que isso, é que ele não tem preparo nenhum. Diferente de outros nomes da direita evangélica, ele não consegue nem ser firme em suas opiniões, batendo na questão da família, segurança, corrupção. Mal dá pra se irritar com as besteiras que ele fala. Para piorar, Everaldo tenta incorporar um discurso de direita econômica, falando sobre Estado mínimo, iniciativa privada, privatizações, e claro, não tem o menor preparo para falar sobre isso. 10 Levy Fidélix : Fidélix parece ser uma voz perdida da antiga UDN. Com o curioso slogan de "vamos endireitar o Brasil", nessa eleição ele deixou de ser apenas o cara do aerotrem para adotar um discurso raivoso, citando o Foro de São Paulo (todo mundo que cita isso perde o meu respeito), ...

Cortar o cabelo

Às vezes, penso que uso o cabelo grande por preguiça de ir até um lugar para cortar o cabelo uma vez por mês. Corto o cabelo a cada quatro ou cinco, já é um tempo excessivo que gasto para isso. Ainda mais, porque ultimamente está sendo cada vez mais difícil cortar o cabelo. Antes, era simples ir lá e pedir para um cara passar uma máquina no cabelo. Depois, parecia fácil ir lá e falar para cortar uns dedos e aparar aqui ou ali. Hoje em dia, toda vez que vou cortar o cabelo me deparo com uma discussão técnico-filosófica sobre o corte. Se o cortador, ou cortadora, me faz uma pergunta se eu prefiro que atrás seja reto ou angulado, eu não tenho a menor ideia. Quer que corte em camadas? Eu quero apenas que corte, não tenho muita ideia. Certa vez, expliquei que queria tirar uns quatro dedos de cabelo e também o volume. A mulher ficou me olhando com uma cara séria, penteou pra cá e pra lá, pediu licença e então voltou com uma revista, pedindo que eu apontasse o corte que eu queria fazer....

A magia do quase gol

Acredito que a grande graça do futebol, em relação a outros esportes, é que nele, o que não aconteceu pode ser tão interessante quanto o que aconteceu. Veja o basquete, ou o vôlei. A graça está na concretização do ponto, o time que desperdiça essas oportunidades estará fatalmente condenado a derrota. No futebol, não. Os times que criam muitas oportunidades, e por vezes, perdem muitos gols, são mais festejados do que aqueles mortíferos, que atacam para fazer o gol, apenas. Um 4x0, construído em 4 chances de gol, terá menos charme, ou chamará menos a atenção do que um 3x1 em que o time teve 14 chances de balançar as redes. A bola na trave, o milagre do goleiro, aquela bola que passa em frente ao gol sem ninguém para empurrar... elas tem tanta graça quanto o gol. Principalmente a grande jogada que não entrou por um senão. Os quatro quase-gols antológicos que Pelé não marcou na Copa de 1970 são mais lembradas que os quatro gols que ele fez nessa Copa. O gol é o fato consumado do jogo, ...

A primeira vitória de uma geração

Voltamos ao Mundial de Basquete de 2002, realizado em Indianápolis, porque lá se consolidou a minha paixão por esse esporte - estranha paixão, maior pelos jogos de seleção do que pelos jogos da NBA. O Brasil vivia então os fragmentos da geração pós-Oscar. Um grupo com jogadores experientes como Helinho, Demétrius, Rogério, Sandro Varejão, que passavam longe de serem brilhantes. Um time que rodava a bola muitas vezes, estourava o seu limite de 24 segundos sem arremessar e dependia de Marcelinho Machado, o chutador que assumiu o trono de Oscar. O técnico Hélio Rubens também levou alguns jogadores jovens, que beiravam os 20 anos ou menos, como Leandrinho, Anderson Varejão, Guilherme Giovanoni, Thiago Splitter. Jogadores que precisaram assumir a bucha naquele time inconsistente, que sofreu para vencer Porto Rico, Angola e Turquia, foi massacrado por Espanha e Iugoslávia e perdeu para a Argentina no primeiro mata-mata, nas quartas de final. A Argentina, comandada por Ruben Magnano, era ...

Djokovic x Murray x Nadal x Federer

Enquanto Novak Djokovic e Andy Murray duelavam pelas quartas de final do US Open, na noite de ontem, em uma partida que tendia ao infinito, pude chegar a conclusão: Djokovic e Murray fazem os jogos mais enrolados do tênis mundial. Os dois primeiros sets de ontem foram iguais aos dois primeiros sets da final que eles fizeram em 2012 no US Open, ou no Australian Open em 2013. As razões para isso, é que Murray e Djokovic são versões semelhantes do mesmo jogador. Os dois podem ser considerados ótimos exemplos do Power Baseline: o modelo de jogador que desde Ivan Lendl domina o circuito, com um jogo muito forte do fundo da quadra, onde o jogador se estabelece e distribui pancadas sobre o rival. A quadra dura também é o habitat natural dos dois. Djoko e Murray vão um pouco além disso: são dois dos melhores defensores do circuito mundial. Correm de um lado para o outro, não se cansam e transformam winners adversários em devoluções mortais. É o típico jogo em que o saque não represe...

O debate precisa mudar

Se há algo que este processo eleitoral deixa claro, é que os debates televisivos precisam mudar. Bem, na verdade essa é uma contestação que já vem de pelo menos oito anos, mas é sempre bom falar sobre isso. O debate não é uma espaço de confronto de ideias, no formato que as televisões seguem. Trinta segundos para pergunta, dois minutos para resposta, mais alguns segundos para réplicas ou tréplicas. O que dá para se discutir num tempo tão pequeno? Ainda com temas genéricos? Educação, é claro que todos querem que ela seja boa. Todo mundo quer que a saúde funcione. O debate é um show de "vamos fazer", "vamos construir", "o atual governo não fez". E o debate não deveria ser um confronto entre quantos leitos de UTI serão construídos. Há também, o espaço para os ataques pessoais. A hora mais esperada por todo mundo, a hora da baixaria, quando a falta de caráter alheia será discutida em público. Acrescenta pouca coisa. Penso que o debate poderia separar a...

O Brasil e a maldição do lance livre

Às vezes é difícil de lembrar, mas o Brasil é bicampeão do mundo no basquete. Os títulos da brilhante geração de Wlamir Marques e Amaury Passos ficaram perdidos no tempo, lá atrás. A visão do basquete brasileiro atual é altamente influenciada pelo time de Oscar e Marcel. Um time que tinha um jogo de transição, que abusava dos arremessos, até porque tinha dois dos mais brilhantes chutadores da história. Um time que viveu um período no qual o Brasil começou a perder espaço no cenário mundial do basquete, não teve grandes resultados em mundiais e Olimpíadas. Mas que obteve uma vitória sensacional. Você com certeza já viu dezenas de vezes as imagens e a história da final do Pan-americano de 1987. Os norte-americanos jamais haviam perdido em seus domínios, terminaram o primeiro tempo com uma boa vantagem e acabaram atropelados pelo Brasil no segundo tempo. Uma vitória conquista nos chutes e choro de Oscar. Uma vitória que criou um paradigma no basquete brasileiro: é assim que se venc...

RIP Seu Pedrinho

Seu Pedrinho era daqueles alcoólatras que não fazia mal para vida de ninguém, exceto a sua própria. Morava no fim da minha rua e ocupava aquele clássico posto de bêbado do fim da rua, acredito que todas tenham o seu. Muitas vezes, saia de manhã para ir para Academia e encontrava Seu Pedrinho já de pé. Ou melhor, ainda de pé, voltando para casa de alguma bebedeira nos bares da região. Sempre simpático, cumprimentava os outros. Era conhecida pela rua inteira, pelo bairro inteiro. Andava por aí acompanhado de seu cachorro, conhecido - talvez não oficialmente - como Barbosinha. Na sexta-feira da semana passada, como já era de costume, encontrei Seu Pedrinho ainda de pé, andando pela rua. Nesta sexta-feira de hoje, descubro que Seu Pedrinho morreu. Sumiu por alguns dias e algumas pessoas notaram sua ausência. Pularam o muro de sua casa e encontraram seu corpo já em estado de decomposição. Não se sabe se deixa família, se deixa herança. Seu corpo será levado ao IML e depois para um...