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Balanço da Temporada 2012 da Fórmula 1

A última corrida da melhor temporada que eu vi da Fórmula 1, confirma este fato. A melhor temporada que eu já vi. Interlagos viu uma corrida maluca, cheia de alternativas. Vettel teve todo o azar do mundo: largada ruim, espremido pelo companheiro de equipe, atingido por Bruno Senna na primeira volta, caiu para o último lugar. Fechou a primeira volta na 22ª colocação e no final da sétima volta já era o sexto colocado. Ganhou 16 posições em 6 voltas, um feito impressionante no sabão que estava a pista de Interlagos, durante aquele chove não molha. Daí para a frente, ele contou com a chuva, com ataques de Kobayashi um pit stop completamente equivocada da Red Bull e outra troca de pneus demorada, que o fez cair para a 11ª posição. Teve que ultrapassar Kobayashi e Schumacher com a pista escorregadia para alcançar a sexta posição que lhe daria o título. Atuação sensacional contra um também sensacional Fernando Alonso. Mas, farei aqui uma avaliação da atuação de cada piloto ao longo desta ...

A melhor temporada da Fórmula 1?

Acompanho Fórmula 1 desde 1991, quando fiz 4 anos e ganhei um quadro com o calendário e os pilotos da temporada. Anoitei os vencedores e tenho o quadro afixado na minha parede até hoje. Nos últimos tempos tem ganhado força a teoria de que o campeonato de 2012 tenha sido o melhor de todos os tempos. Existem vários tipos de campeonatos. Existem aqueles em que o piloto corre sozinho para o título, como Mansell em 92, Prost em 93, Schumacher em 95, 2001, 2002 e 2004 ou Vettel em 2011. Existem aqueles em que o piloto abre uma vantagem no começo e passa o resto do ano administrando, como Senna em 91, Hill em 96, Alonso em 2005 ou Button em 2009. E existem aqueles campeonatos absolutamente disputados, são os melhores campeonatos. E é deles, os que eu acompanhei, que tentarei me lembrar aqui, divagando sobre a melhor temporada que já vi. 1994: Foi um ano confuso. Tudo desenhava para um embate épico entre Senna, na Williams, e Schumacher na Benneton, interrompido pelo acidente fatal do bras...

As opções pós-Mano

Mano Menezes não é mais o técnico da seleção brasileira. Seu trabalho foi mediano, mas é difícil saber quem poderia ter feito melhor. O problema maior é com o material de trabalho. Enfim, quem poderia substituir Mano na seleção? Quem são os sete ou oito nomes falados por Andres Sanchez? Tite: O técnico do Corinthians está entre os nomes mais lembrados. Realiza atualmente o melhor trabalho no futebol brasileiro e seria aparentemente o melhor nome para dirigir a seleção. No entanto, seria louco em trocar um grande momento no Corinthians para entrar na fogueira da seleção brasileira. Além disso, Tite é famoso por fazer trabalhos de longo prazo, até implantar sua metodologia. Não seria um nome indicado para treinar um grupo uma vez por mês. Abel Braga: Atual técnico campeão brasileiro, talvez tivesse o perfil para trabalhar em uma seleção. No entanto, está prestes a encarar uma Libertadores com um elenco forte, brigando para ser campeão. É outro para quem não valeria a pena trocar um g...

Andei Escutando (39)

Bert Jansch – Birthday Blues (1969): Arrastado. Melhores : Come Sing me a Happy Song e Promised Land . Blur – Think Tank (2003): Há algo de diferente em um disco do Blur. Quando você escuta, percebe que é o disco de uma grande banda. Mesmo tendo canções arrastadas, irritantes, há uma busca pelo diferente, pela construção do grandioso por vias incomuns, há um brilho que faz com que o disco seja agradável. Por mais que os discos da época de ouro do Britpop tenham feito mais sucesso, não tenho dúvida que essa busca alternativa dos últimos três trabalhos é que tornou o Blur uma banda respeitada. Melhores: Good Song e Sweet Song . Donovan – Fairytale (1965): Disco folk bacaninha. Melhores: To Try For the Sun e Oh Deed I Do. Elton John – Madmand Across the Water (1971): A música de Elton John sempre soa fora de tempo, escutada nos tempos atuais. Um rock com pianos, um pop com guitarras? Se fosse lançado em 2012, que público ele atingiria? Melhores : Levon e Tiny Dance...

O rebaixamento do Palmeiras

O rebaixamento do Palmeiras, ontem, teve um quê de patético, como diria Nelson Rodrigues. O time foi rebaixado dentro de um ônibus. O drama palmeirense não teve um lugar. Não foi em Salvador, Belo Horizonte ou Porto Alegre. Foi em um ônibus nas proximidades de Itatiaia. O rebaixamento não foi em Volta Redonda, local do jogo contra o Flamengo. Quando a partida terminou empatada, o resultado praticamente decretava a queda, mas faltavam os acertos matemáticos, que só vieram com o empate da Portuguesa, quando o time estava dentro do ônibus. A falta de definição deixou o fim da partida ainda mais patético. Não vimos jogadores estirados no gramado, desejando a morte. Sem a imagens de crianças chorando, torcedores desesperados querendo arrancar o próprio intestino para se enforcar com eles. A imagem era de desolação, de não saber o que fazer. O rebaixamento do Palmeiras não teve drama, sofrim...

Sobre Lance Armstrong

(Será que algum jornal deu a manchete Lance Ilegal?) Pensei comigo mesmo: acho que Lance Armstrong deveria ser preso, se confirmada a sua farsa. O ciclista norte-americano era um dos maiores nomes do Esporte, de qualquer modalidade. Superou uma doença terrível, um câncer nos testículos, para vencer a Volta da França, principal competição da categoria por sete vezes, um recorde. Tratava-se da maior história do esporte mundial. Um dos maiores vencedores de sua modalidade com a mais incrível das superações. Some-se a isso, que o ciclismo é um esporte manchado pelo doping, talvez o esporte que mais sofra com o uso de substâncias ilegais. Nesse cenário, Armstrong era praticamente um superhumano, um superatleta. Estátuas suas deveriam ser erguidas em todas as praças públicas do mundo. Eis que toda a história foi por água abaixo, com a descoberta de que ele se dopava. Sim, e mais do que isso, que ele montou uma grande rede para fraudar os resultados dos exames antidoping. Coisa de soc...

O artista é livre

A manchete era simples, mas chamou minha atenção. "Fãs querem que Plant toque mais Led Zeppelin". Robert Plant, lenda viva e vocalista do Led Zeppelin está tocando em São Paulo neste exato momento. Pelo o que eu li, no seu show ele toca cerca de 20 canções, sendo que apenas 7 são do Led Zeppelin. Sim, o LZ é o principal momento da sua carreira, mas Plant tem uma carreira justamente. Seu conjunto não lança discos há 30 anos e nesse período ele teve inúmeros projetos. Em 40 e poucos anos de carreira, o Led Zeppelin não ocupou um 1/3. Creio que nada seja mais natural do que ele dar espaço a tudo o que ele já fez em tantos anos. Os fãs também tem o direito de querer ver as músicas que mais gostam. Mas, não sei se o Robert Plant de hoje é o mesmo de 40 anos atrás. Talvez, o Plant de hoje não escute nada de rock, seu interesse esteja justamente em música indiana, marroquina. Talvez, no carro, ele escute músicas que ninguém imagina que ele escutaria. O artista, em uma carreira...

As Horas Mortas do Horário de Verão

O primeiro dia útil após o começo do horário de verão pode ser o pior dia do resto de nossas vidas. Na noite anterior, o sono não veio como o esperado. Tudo porque você adiantou em uma hora o seu relógio, os seus relógios, mas não adiantou seu relógio interno. O sono veio no horário de sempre. O problema é que no dia seguinte o relógio tocou no mesmo horário de sempre. Ou melhor, no horário mecânico correto, o horário atualizado. Seu corpo não. O horário de verão tira uma hora da sua vida. E não repõe jamais.

O debate lá e aqui

E eis que durante essa semana eu acompanhei o debate entre os candidatos a presidente dos Estados Unidos. Eu nunca fui de dar muita importância para as eleições norte-americanas, que sim, são importantes, mas não acredito que têm o poder de mudar o mundo como as pessoas imaginaram. A vida da maioria das pessoas aqui do Brasil não é minimamente influenciada pelo embate entre democratas e republicanos. Mas este debate me prendeu. Barack Obama e Mitt Romney se enfrentaram diante do público. Sim, durante duas horas eles realmente se enfrentaram, confrontaram ideias diferentes, visões políticas divergentes, propostas diferentes. Geração de petróleo, produção energética, imigração, saúde, os mais variados temas. Foi um debate realmente. Me surpreendeu o fato de que Obama e Romney tinham opiniões divergentes. E eu falo de opiniões. Que ambos sabiam as propostas de seus adversários e sabiam no que se confrontar. Conseguiam citar trechos do plano de governo e as suas falhas. Não de...

Andei Escutando (38)

Bert Jansch (1965): Escutar Bert Jansch é aquela típica coisa que lhe dá um ar de superioridade. Uma conotação de exclusividade, com o charme intelectual que só o folk tem. Ainda mais em um disco gravado só com o violão e de maneira amadora. E, para melhorar, o disco é muito bom. Melhor que o mais famoso Nick Drake, por exemplo. Melhores : Needle of Death e Oh How Your Love is Strong. Cheap Trick (1977): Uma banda cheia de truques vagabundos e clichês de hard rock. Riffs pesados, visual caricato, guitarras de quatro (!!) braços. Chato pra caramba. Melhores: Mandocello e Speak Now Or Forever Hold Your Peace. Idlewild – Warning/Promisses (2005): O Idlewild é uma bandinha. Faz algumas músicas boas, competentes, mas sempre na zona de conforto, dando a impressão de que qualquer um seria capaz de fazer igual. Sem graça. Melhores: I Want a Warning e As If I Hadn’t Slept. Lou Reed – The Blue Mask (1982): Um disco bem pesado, Lou Reed parece desesperado enquanto canta. As mú...

O segundo adeus de Schumacher

O dia 10 de setembro de 2006 foi um dia diferente para a Fórmula 1, o dia em que Michael Schumacher conquistou sua 90ª vitória na categoria. Uma vitória que, somada ao abandono do líder do mundial, Fernando Alonso, colocou o alemão definitivamente de volta à briga pelo título mundial em um campeonato que parecia perdido após o começo arrasador de Alonso. Começo que parecia mostrar que Schumacher deveria se aposentar, pois não seria páreo para a nova geração. Aposentadoria, aquele era o assunto daquele dia 10 de setembro. Ao longo dos últimos meses e daquela semana, esse era o assunto que dominava a categoria. Será que Michael Schumacher, recordista em vitórias, poles, melhores voltas, pontos, pódiuns e tudo o que se possa pensar, iria se aposentar? Sua reação no campeonato de 2006 mostrava que ele ainda era competitivo. O clima era diferente. A vitória, na casa dos torcedores da Ferrari parecia ser a deixa final. Naquele dia, a Rede Globo quebrou seu esquema de transmissão para mos...

As traves separadas

Olha a construção do novo muro e vejo que as traves estão separadas. Sim, as duas árvores paralelas localizadas no quintal da casa da minha tia, árvores que eu usava para demarcar o gol, quando eu era criança. Árvores sob as quais fiz mais gols do que Pelé e inúmeras defesas. As árvores estão sendo separadas agora por um muro. Uma para cada lado, por toda a eternidade. E daqui a 200 anos, as pessoas que passarem por ali, jamais imaginarão que ali, um dia, existiu um Maracanã.

20 anos sem Collor

O impeachment de Fernando Collor em 1992 é dessas lembranças que ficam claras na mente. Lembro de ter cinco anos e estar na casa da minha avó assistindo a votação dos deputados pela sua saída. Me lembro bem da vibração quando alguém votava sim e da reação negativa de quando alguém dizia ser contrário. Cada um que subia na tribuna para falar "não" ganhava automaticamente um carimbo de "corrupto na testa". Mas do que o dia em si, eu me lembro do período que antecedeu sua queda. Lembro daquele clamor popular pela sua saída, das pessoas de preto nas ruas e lembro da minha família, torcendo para que ele caísse. E não tenho dúvida, o clamor pela sua queda foi motivado pelo dia em que ele confiscou as poupanças, o que complicou a vida de muita gente. Por vezes, surge algum defensor de Collor que o classifica como um injustiçado, que nada jamais ficou provado contra ele e que ele foi derrubado pela mídia. De fato, a imprensa contribuiu para sua queda, da mesma forma ...

A Falta de Amor em Revolver

Os Beatles falavam apenas de amor. Romances bobos, declarações juvenis, histórias de amor. Tudo era amor. Mesmo nas melhores melodias. Yesterday era sobre amor. Mesmo nas melhores letras. Norwegian Wood era sobre um caso extra-conjugal, mas amor de alguma forma. Mesmo em temas mais amplos. In My life era sobre memórias, mas era sobre amor. The Word era sobre o amor universal, mas amor. Desta forma, não deixa de ser surpreendente que e1966 o amor convencional desaparecesse da vida dos Beatles. Algo que já havia aparecido no single Paperback Writter/Rain , vejamos, uma música de Paul sobre um novelista e outra de John, contemplando as maravilhas psicodélicas da chuva. E eis então, que Revolver começa com uma música irônica de protesto contra o pagamento de impostos, Taxma n. Impostos? Como um tema tão difícil é transformado em uma canção pop de três segundos, em que o Taxman se dispõe a taxar as ruas de quem dirige e os assentos, se você quiser sentar.  Na sequência ...