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Andei Escutando (17) (Edição Extra Grande)

Dead Kennedys – Frankechrist (1985): O som do primeiro disco dos Kennedys era tosco, por conta do barulho e da mensagem visceralmente irônica. Já neste terceiro disco, é tosco por outros motivos. At my job tenta simular o efeito de um robô cantando, como uma crítica ao trabalho? Ok, mas nem por isso deixa de ser insuportável. Crianças cantando em algumas faixas também não facilitam. Difícil saber por que as bandas punks se deixaram levar por esse lado, cedo ou tarde. Melhores: This Could Be Anywhere (This Could Be Everywhere) e Soup is a good food . Eagles of Death Metal – Death by Sexy (2006): O projeto paralelo de Josh Homme do QOTSA tem bons momentos – justamente quando se parece com a banda principal. Mas no geral, você mão perceber a presença de Homme e o que prevalece são as bizarrices do vocalista Jesse Hughes . Melhores: Cherry Cola e I Want you so hard! Eric Clapton (1970): Um disco competente de blues, feito antes de Clapton se apaixonar pelo Reggae. Melhor que seus tra...

2010: Considerações Finais

Minhas considerações finais sobre o meu quase finado ano de 2010. - Passei no concurso público que eu fiz. A perspectiva de ser chamado e começar a trabalhar em breve é boa. - Ter assistido a todos os jogos possíveis da Copa do Mundo. E foram todos os 56 jogos assistido (exceção feita a 10 minutos do jogo entre Austrália e Gana) e mais boa parte das reprises dos 8 jogos simultâneos. Imagino que não terei a oportunidade de fazer isso tão cedo, talvez quando eu estiver aposentado na longínqua copa de 2054. E ah, o melhor: foi uma copa muito boa. - Ter tido uma boa relação com as pessoas que conheço. Ter conhecido minha afilhada. Não ter me decepcionado com ninguém. Em compensação, o primeiro semestre do ano foi o pior semestre da minha vida. Começando por um pequeno problema pessoal e depois, pela minha saúde. Problemas com açúcar uma época, problemas intestinais, queimaduras de sol que me fizeram sentir a maior coceira da história da humanidade. E então a virose que me deixou de cama po...

A foto não funciona

Vejo que não tenho gostado muito das fotos que eu tenho tirado. Houve uma época em que eu tirava fotos de tudo, pegava minha máquina e tentava captar as cores e a profundidade. Me fascinava com a luz e o contraste. Tentava captar a visão diferente dos dois olhos. Com o tempo, o gosto pelas fotos foi passando. Como um geral. Máquinas digitais viraram um item normal e perdeu-se a necessidade de se registrar todo e qualquer momento. Para um certo mau. Acho que desaprendi a fotografar. Minhas últimas fotos não têm tantas cores, ângulos óbvios. Não dizem nada para os meus olhos.

Nada (Como?)

Acordo e ele não está lá. Ligo a TV a procura de notícias, mas não encontro. Nada de interessante. Assisto programas que nunca assisti. Faço coisas que não fazia. Vejo sites, mas não tenho notícias boas. Enrolação, procura de pauta, assuntos irrelevantes. Existem similares estrangeiros, mas eles não estão presentes no meu cotidiano. Servem para passar o tempo, mas não ocupam o vazio. Tudo parado, tudo parado. Como faço para sobreviver o fim de ano, sem o futebol? Me imagino em breve, rastejando pelos cantos em busca de um jogo inglês. De olho nas revelações do São Bento no campeonato sub-18. As retrospectivas sobre o ano. Me vejo amordaçado, crise de abstinência. Futebol, futebol, futebol. Repito inconsciente durante o meu sono.

Florianópolis

Floripa, para os íntimos, é um lugar exótico. Dentro da extensa ilha, parecem conviver várias cidades. O Norte da Ilha é similar a várias cidades praianas. Comércio de artigos de praia, restaurantes a quilo. No meio disso, o Jurerê, uma ilha de exibicionismo com suas mansões californianas. O leste é uma área de Surfistas. A Joaquina parece uma praia rural isolada. Do lado de longas dunas, dignas de um cenário nordestino. A Lagoa parece um bairro boêmio, com seu cenário agradável e diversos bares e cafés. O sul parece o interior. O Pântano Sul é uma comunidade de pescadores. O mar meio sujo, as gaivotas de olho nos restos de peixe, os barcos estacionados, as redes. A Ilha ainda tem pântanos no seu meio. Lagoas com mata-virgem. Praias isoladas, que necessitam trilhas de horas para serem alcançadas. Há a Baia Norte, com sua mistura de construções antigas com casas de madeira e seus restaurantes infinitos. O Ribeirão da Ilha, que parece uma cidade histórica mineira. E no meio o centro. Que...

Mano

"Se tivesse ficado no Corinthians ia ser campeão heim!". O sujeito interpelado sorriu amarelo. Era Mano Menezes, técnico da seleção brasileira. Sentou-se a minha frente. Sim, técnicos existem. Eles também esperam vôos sentados em cadeiras meio duras. Eles também são vítimas do reposicionamento de aeronaves, e tem que andar do portão 8 para o portão 4, para conseguir chegar no Rio de Janeiro. E mais. Eles também brigam com suas esposas. Vi Mano Menezes, ao lado de sua mulher, esta com cara amarrada e sem olhar para um desolado Mano, que tentava acalmá-la. Técnicos também são seres humanos, veja você.

Viajar

Atenção! Este post contém idéias desconexas e inacabadas. É apenas um teste para ver como funciona a programação de postagem do blog. Viajar faz bem para cabeça, para ter novas idéias. Conhecer novos lugares traz inspiração. O CH3 surgiu de verdade depois de umas férias. Foram férias necessárias na época, porque quem cursou o quinto semestre de jornalismo, sabe o inferno que essa época é. Pois depois de incontáveis resenhas, matérias interpretativas, informativas, leituras milhares, seminários, fui ver a família, assistir filmes diferentes em São Paulo, conhecer Florianópolis. Voltei com umas 4 idéias de post, incluindo uma sobre o Dia do Feriado , post que considero como um marco inicial na rotina do blog. Nas férias seguintes, uma viagem ajudou a organizar a monografia. Acho que o ser humano produziria melhor, com viagens semanais. Deveria estar na declaração universal dos direitos humanos.

Andei Escutando (16)

Albert Hammond, Jr. – Yours to Keep (2006): O guitarrista dos Strokes não tem hábito de compor para a sua banda. Estranho, porque seu primeiro disco solo tem um estilo parecido com os Strokes. Um pouco mais tranquilo, uma audição fácil e descompromissada. Único problema é o excesso de efeitos na sua voz, que não é lá grande coisa. Melhores: In Transit e Blue Skies . Elliott Smith – Figure 8 (2000): Mais um disco que mostra a evolução sonora de Smith. No começo, suas gravações eram bem simples, apenas voz/violão. Aqui ele já mostra o uso de vários instrumentos e overdubs. O som é o característico seu: uma melancolia meio eufórica. O último disco lançado por ele, antes de cometer suicídio. Melhores: L.A . e Happiness Pulp – We Love Life (2001): Como todo disco do Pulp, é meio excêntrico. Temas excêntricos, vocais excêntricos. A única diferença é uma presença maior de violões, onde normalmente se notava um violino elétrico. Melhores: Bad Cover Version e The Birds in Your Garden . Th...

Três

Textos que fiz para minha namorada. Nesses três anos em que estamos juntos. "Será que um dia me lembrarei onde eu estava nos primeiros dias de 2008? Eu diria que minha vida é um jardim, com apenas uma flor, mas que eu amo tanto, que parece que eu tenho várias. Primavera. Mas eu não diria que estava do seu lado, eu mentiria se falasse que estava. Estamos longe, estou tão longe da minha mente". "Eu sempre tive uma blusa vermelha de frio. Não que eu a chame assim, mas eu sempre tive no meu armário uma camiseta vermelha de mangas compridas, que então, só serve para ser usada no frio. Vermelha. Um dia você me fala que a cor dela lembra laranja com acerola. Mas ela sempre foi vermelha. De noite eu vou escovar os dentes e vejo: realmente ela nunca foi vermelha. Você mudou a cor das minhas roupas. E eu nunca estive com uma camiseta vermelha no frio. Passei todos esses anos enganado pelos meus olhos, que viam vermelho ao invés de algo entre laranja com acerola". "Um dia...

Tropa de Elite 2

Não vê que é sua vida que se encerra numa nota fria nos jornais Assisti ontem a "Tropa de Elite 2". E assim que os letreiros começaram a subir, ao som de "O Calibre" dos Paralamas do Sucesso, a vontade era de ver o filme de novo. Há um bom tempo que eu não saia do cinema tão empolgado com um filme, desde Gran Torino, acho eu. Ha violência, há crueldade, há ação, frases de efeito e a atuação sensacional de Wagner Moura. Mas por trás disso, o filme e sua narração em off (as vezes exagerada), é quase um guia sobre o Sistema. Essa coisa tão abstrata, mas que existe, que mantem mesmos grupos sempre no poder e que engole quem tenta enfrentá-lo. Um filme que cai bem na época de eleições. E soa irônico, que tantas pessoas que aplaudem o Capitão Nascimento dando uma surra num deputado, que muitas dessas pessoas ajudam a colocar outros iguais lá. Mas o filme é frustrante. Porque ele se parece com a vida real (muitos jornalistas vão sentir culpa em um certo trecho). E por mais...

Os Beatles e eu

No meu mundo, não residem dúvidas de que os Beatles são a maior banda da história. A maior que já existiu e que nunca será superada. Existem conjuntos que fizeram mais sucesso? Talvez. Mais inovadores? Com certeza. Que fizeram discos, músicas melhores que os quatro? Sim. Mas nenhuma banda conseguiu juntar isso com tanta qualidade. Os Beatles conseguiram em pouco tempo ter uma carreira marcante, com tantas fases, que é impossível acreditar que eles lançaram discos durante apenas sete anos. O grande mérito dos quatro é ter um som atemporal. Existem bandas que são o retrato de uma época. O Queen é a cara do exagero dos anos 70. Os Beatles são a cara dos anos 60, sem dúvida. Mas os anos 60 foram anos tão loucos para a música e para a sociedade, que eles se tornam a cara/base do nosso mundo contemporâneo. Em sete anos eles saíram das músicas simples sobre amores juvenis e passaram pelas orquestrações, pela maconha, pelo LSD, pelo movimento hippie, pela música indiana. Os Beatles foram a pri...

Caderno

E lá estava. Vários livros do colégio que seriam doados, meio tardiamente eu sei. De dentro da caixa, resolvi recuperar algumas coisas. Resolvi poupar meus cadernos. Não quero que tudo o que eu escrevi seja jogado fora. Não quero que ninguém vasculhe o que lá foi escrito. Resolvi salvar também um livro de filosofia - descrevia as correntes filosóficas de maneira simples, isso às vezes pode ser importante. Também uma gramática, mesmo que a ortografia tenha mudado. Uma prova de história que estava perdido ali. Apenas porque eu havia tirado uma nota boa e a professora Vera - gostava dela - escreveu um "Parabéns. Você tem futuro!". Me senti emocionadamente nostálgico com essa nota. Bom saber que a professora Vera confiava em mim. E principalmente, salvei uma pérola da sexta série "Caderno de Poesia". Já deve ter acontecido com tudo mundo. A professora de português simplesmente resolvia mandar os alunos escrever poesias. Quatro versos sobre fadas. Quatro estrofes sobre o...

Reflexões sobre as eleições (2)

Comecei a votar em 2006. Não quis votar em 2004, porque sou contra o voto antes dos 18 anos. Pois bem. Lembro de ter anulado meu voto para o governo e para o senado. Votei em um amigo do meu pai para deputado estadual e no cargo federal votei em Manoel Olegário. Uma espécie de herói de juventude, com seus programas políticos que eram tão bizarros, que beiravam a genialidade. Lembro dele, candidato a prefeitura, fazendo propaganda sobre os cemitérios abandonados. Indo ao local em que um jovem morreu em um showmício, mostrando a mancha de sangue, e dizendo "um jovem, que queria apenas se divertir e perdeu a sua vida". Na seqüência ele dava a entender que não fazia showmícios por conta disso. Não pelo fato de ser de um partido minuúculo sem dinheiro. Sim, foi uma espécie de voto de protesto. Sempre gostei de eleições. Acho divertido acompanhar a apuração, as pesquisas, os resultados. Lembro de torcer pela vitória do Lula em 2002. Ainda em 2006, dei início a uma pequena marca pes...

Gente Boa

Conhece uma pessoa que seja "gente boa"? Uma pessoa que você conhece, às vezes indiretamente, que talvez a pessoa nem saiba o seu nome, mas você diz "esse aí deve ser gente boa". Tinha essa impressão do Clóvis Roberto, jornalista e apresentador da Gazeta que morreu ontem. Acho que o vi pessoalmente umas três vezes, quando estava com meu pai - que o conhecia. Em uma delas, no estúdio, meu pai o fez entrar no Cadeia Neles despreparado. Não assistia o programa, mas tinha essa impressão, muito provavelmente por conta do meu pai que sempre dizia "ele é um cara legal, gente boa". Pode ser um cara que você via na faculdade, o porteiro do prédio, o atendente do colégio. Existem várias pessoas que são (pelo menos tem jeito de ser) "gente boa" por aí. Quando um deles morre, você pensa "coitado, ele era gente boa".