Pular para o conteúdo principal

Três

Textos que fiz para minha namorada. Nesses três anos em que estamos juntos.

"Será que um dia me lembrarei onde eu estava nos primeiros dias de 2008? Eu diria que minha vida é um jardim, com apenas uma flor, mas que eu amo tanto, que parece que eu tenho várias. Primavera. Mas eu não diria que estava do seu lado, eu mentiria se falasse que estava. Estamos longe, estou tão longe da minha mente".

"Eu sempre tive uma blusa vermelha de frio. Não que eu a chame assim, mas eu sempre tive no meu armário uma camiseta vermelha de mangas compridas, que então, só serve para ser usada no frio. Vermelha. Um dia você me fala que a cor dela lembra laranja com acerola. Mas ela sempre foi vermelha. De noite eu vou escovar os dentes e vejo: realmente ela nunca foi vermelha. Você mudou a cor das minhas roupas. E eu nunca estive com uma camiseta vermelha no frio. Passei todos esses anos enganado pelos meus olhos, que viam vermelho ao invés de algo entre laranja com acerola".

"Um dia ainda te levo a um jardim com flores e coisas bonitas, ou uma esquina sem cor, ou qualquer lugar que me lembre a você. Com um sol bonito, um céu sem nuvens, ou com nuvens se você preferir. Te vejo no cinema, com você na tela, no filme que eu vou assistir eternamente. Te imagino no meu sonho, aquele sonho bonito que eu te contei. Eu, você, o guarda-chuva, a chuva o mundo e nada mais. Te levo por uma rua, aquela, uma dessas todas ruas que me lembram você. Não há lugar em que você não esteja".

"Creio que todo mundo espera um dia encontrar o amor. E que seja um amor poético, inspirado. Que se possa enxergar a poesia em qualquer movimento do dia-a-dia. Que seja euforia. Um amor sem brigas, ou que depois das breves brigas, cresça ainda mais. Um amor que renasce e se renova fortemente a cada dia. Como uma flor que brota em rachaduras. Que não se pergunte o porque. Que não haja dúvidas sobre a euforia, a poesia. Um amor que não exija significados".

"Eu sei que existe um lugar em que nós poderíamos deitar nossas cabeças e esperar pelas estrelas. Em que nós não teríamos tempo para acordar e poderíamos fazer nossas vidas na cama. Eu sei que está lá o lugar onde nós não temos nada para entender, além das linhas que mantém as nossas mãos juntas. E então nos acharemos, e quando nos acharmos, eu só espero que nós tenhamos sorte o suficiente, você sabe. Eu sei que existe uma boa vida, atrás do arco-íris, na curva do céu, ao seu lado, com olhos perdidos. A sorte, você sabe, para ainda termos tempo para nós".

Comentários

Postagens mais visitadas

O Glorioso Retorno de Relâmpago McQueen

Quando meu filho tinha uns três anos, nós apresentamos para ele a série de filmes Carros, da Pixar, aquela protagonizada pelo Relâmpago McQueen. Era um assunto que ele adorava - carros e corridas - então, meu filho rapidamente ficou aficionado. Assisti os três filmes mais de uma dezena de vezes. Diria que mais de 40 (sim, incluindo a bomba de Carros 2). Cheguei a decorar diversas passagens do filme e, se fosse o caso, me sentiria preparado para fazer aquelas dublagens que viralizaram na época da pandemia. Um dos grandes sucessos dos filmes da Pixar é conseguir falar ao mesmo tempo para crianças e adultos. Esse claramente não é o exemplo de Carros, um filme feito exclusivamente para crianças, que pode ensinar alguns valores sobre humildade e respeito, mas que no fim das contas é pura aventura juvenil. (Ok, o terceiro filme é um pouco mais bonito). Mas, para além disso, as franquias da Pixar muito provavelmente se mantém pela incrível quantidade de produtos licenciados que eles conseguem...

Os Beatles e a Irlanda

As raízes irlandesas estão entre as muitas coisas que uniram John Lennon e Paul McCartney. John era bisneto de irlandeses e McCartney, como o nome não pode esconder, também descendia de imigrantes da ilha vizinha. (Bem, George Harrison também tinha parentes lá, o que diz muito sobre a portuária Liverpool). Os conflitos entre britânicos e irlandeses são conhecidos, apesar de serem difíceis de entender para quem não vive nas ilhas. Diferenças religiosas, sentimentos opostos em relação à monarquia, um longo tópico que eu seria incapaz de resumir em poucas linhas. Um dos ápices desse confronto foi o evento conhecido como “Domingo Sangrento”, ocorrido em 30 de janeiro de 1972 na Irlanda do Norte. Vinte e seis civis, não armados, foram atingidos por soldados britânicos durante um protesto pacífico, sendo que 13 deles morreram. Todos católicos. Este foi o quarto evento denominado Bloody Sunday na história irlandesa. Há um período de quase 30 anos conhecido como “The Troubles”. O Domingo Sangr...

Por onde andará o Walfredo?

No competitivo e violento ambiente da pré-escola, o Walfredo se destacava. Ele era um pequeno torturador psicopata que espalhava o terror entre seus coleguinhas. Walfredo mostrava o pinto para os outros, rolava na grama, ficava gritando, batia nas crianças e tinha um umbigo esquisito. Tenho certeza que essa era a razão para toda a maldade. Olhando agora, em retrospectiva, parece claro que Walfredo era a encarnação do mal, um garoto possuído pelo demônio. Mas, de qualquer forma, acho que não deveria ser legal saber disso aos seis anos, mesmo. Walfredo foi expulso do colégio antes do final daquele fatídico ano de 1993. A gota d'água, acredito eu, foi o dia em que ele aproveitou o momento em que uma das crianças bebia água no bebedouro e empurrou a nuca do garoto, fazendo com que o pobre coitado quase engolisse o bico do bebedouro, batesse os dentes e tudo mais. Terrível. Aquilo ali deve ter feito com que a diretoria percebesse que Walfredo era incapaz de conviver em sociedade. Se...