Pular para o conteúdo principal

Top 8 - Interpretações

Um bom cantor não necessáriamente é um grande interpréte. Não basta ter uma bom timbre, um bom alcance na voz. É preciso sentir a música e transmitir isso de algum jeito. Existem os grandes interprétes e também existem aqueles que acertam de vez em quando, ou até mesmo uma vez. A seguir, oito interpretações musicais, na minha opinião, inesquecíveis.

8 Mick Jones em Train in Vain, do The Clash
A música que começa com o ritmo de um trem no trilho, atinge outro patamar graças a interpretação insegura e com o vocal dobrado. O tema é a desconfiança do fim de um relacionamento. Traições, ultimatos, ameaças. Todas inseguras, como esses momentos são.
"But you don't understand my point of view. I suppose there's nothing I can do"

7 Liam Gallagher em Don't Go Away, do Oasis
A mãe do vocalista e do seu irmão e compositor da canção, Noel, estava com suspeita de câncer. Diante dessa situação o pedido é "não vá embora". Liam canta prestes a chorar (dizem que ele realmente chorão ao fim da gravação). Não poderia ser melhor.
"Me and you what's going on?".

6 Richard Ashcroft em The Drugs don't work, do The Verve
O vocalista de despede do pai, morrendo, com a triste constatação de que os remédios não são mais suficientes para mantê-lo vivo. Ashcroft canta como se estivesse sozinho em um quarto, num desabafo que ninguém deveria realmente escutar.
"Cause baby, oooo, If heavens calls, I'm coming too".

5 Michael Stipe em Everybody Hurts, do R.E.M.
No fim da noite Stipe traz alguns conselhos para o seu amigo, amigo, que está magoado. É exatamente esse o clima da música que o vocalista consegue traduzir com seu vocal conselheiro.
"Don't throw your hands, oh no, don't throw your hands, If you feel like you're alone, no, no you're not alone".

4 Thom Yorke em Fake Plastic Trees, do Radiohead
Uma letra sem sentido e até meio brincalhona vira tema emotivo de comerciais e emociona quase todo mundo que a escuta. Mérito da bela melodia? Também. Mas a música não seria quase nada se não fosse a interpretação espetacular de Yorke. A pequena fábula surreal tem momentos de cansaço e emoção e é difícil não se emocionar.
"She looks like the real thing, she tastes like the real thing, my fake plastic love".

3 Marcy Mays em My Curse, do Afghan Whigs
Uma letra sobre um amor doentio, pervertido, obsessivo. E Marcy Mays consegue ser incrivelmente doentia, pervertida, dramática em sua interpretação. Ela é convincente em seus pedidos e exclamações. Só escutando para acreditar na maneira em que ela canta "Hurt me baby".
"And there's blood on my teeth, when I bite my tongue to speak".

2 Ian McCulloch em Ocean Rain, do Echo and the Bunnymen.
A impressão da letra é de que ela foi feita do ponto de vista de alguém que está em um cais distante de frente para o mar distante, sozinho. E a interpretação de Ian dá justamenta essa sensação, distante e sozinho. O pequeno efeito eco na voz aumenta essa sensação.
"Screaming from beneath the waves".

1 Jeff Buckley em Mojo Pin, dele mesmo
Sua voz alcançava patamares quase inimagináveis. Em Mojo Pin ele se supera. O sonho bizarro ganha ares de dependência louca. Buckley consegue acompanhar a música em todas as suas variações ritimicas.
"Don't wanna weep for you, I don't wanna know, I'm blind and tortured the white horses flow. The memories fire, the rythims falls slow".

Comentários

Postagens mais visitadas

Os 27 singles do Oasis: do pior até o melhor

Oasis é uma banda que sempre foi conhecida por lançar grandes b-sides, escondendo músicas que muitas vezes eram melhores do que outras que entraram nos discos. Tanto que uma coletânea deles, The Masterplan, é quase unanimemente considerada o 3º melhor disco deles. Faço aqui então um ranking dos 27 singles lançados pelo Oasis, desde o pior até o melhor. Uma avaliação estritamente pessoal, mas com alguns pequenos critérios: 1) São contados apenas o lançamentos britânicos, então Don't Go Away - lançado apenas no Japão, e os singles australianos não estão na lista. As músicas levadas em consideração são justamente as que estão nos lançamentos do Reino Unido. 2) Tanto a A-Side, quanto as b-sides tem o mesmo peso. Então, uma grande faixa de trabalho acompanhada por músicas irrelevantes pode aparecer atrás de um single mediano, mas com lados B muitos bons. 3) Versões demo lançadas em edições especiais, principalmente a partir de 2002, não entram em contra. A versão White Label de Columbia...

Correspondente de Guerra Contemporâneo

O correspondente de guerra é uma figura quase mítica do mundo jornalístico. Um repórter que é enviado ao campo de batalha para percorrer escombros, fugir de bombardeios, conversar com refugiados e questionar autoridades em busca de informações sobre o conflito que será noticiado. O jornalismo sempre foi a busca objetiva dos fatos e não há maneira melhor de encontrar a notícia do que vê-la de perto. Já o fato de que um dos postos mais prestigiados do jornalismo é ser um cidadão constantemente ameaçado de morte diz muito sobre as misérias da profissão. No entanto, o papel do correspondente tem mudado nos últimos conflitos midiáticos. Não vemos mais Marcos Losekann desviando de mísseis na Faixa de Gaza. A cobertura das guerras atuais diz muito sobre as tendências do jornalismo atual. Primeiro, é preciso levar em conta que o jornalismo é uma profissão que vive em conflito com o mundo da internet. Há uma crise de credibilidade e uma eterna crise financeira, que leva à busca constante pela e...

Tame Impala & Ben Kweller

O Tame Impala é uma banda que teve certo impacto na bolha da qual eu faço parte, quando o grupo liderado por Kevin Parker estourou no final de 2012. Eles estavam lançando o seu segundo disco, Lonerism , que lapidava a psicodelia bruta e pesada do disco anterior, Innerspeaker . O disco de estreia flertava com a estética lo-fi, com uma psicodelia construída a partir dos bons riffs de guitarra e vocais abafados. Em Lonerism surgiam teclas das mais variadas, texturas psicodélicas e aquilo que se convém chamar de groove. Desde a batida inicial de Be Above It , a viagem de Apocalypse Dreams , o riff de Mind Mischief , o transe de Elephant e a grande obra-prima Feels Like We Only Go Backwards . A jornada psicodélica de 1967 estava de volta. Tudo começou a desandar em Currents , quando Parker começou a abandonar qualquer resquício de organicidade em busca de um som eletrônico, com pegada de R&B moderno e synth-pop. Canções pop triviais receberam texturas psicodélicas eletrônicas. Mas, ok, ...