Pular para o conteúdo principal

Traduções in the air

Os tradutores de nome de filme adoram sacanear. Existem sim, alguns poucos casos em que a tradução alterada fica boa. É o caso de Mystic River, filme de Clint Eastwood, traduzido como "Sobre meninos e lobos". O nome original, Rio Mystic não tem muita poesia. O Mystic era o rio que cruzava a cidade e que escondeu alguns segredos. Sobre meninos e lobos diz muito mais sobre o filme, e é bem auto-explicativo. "Onde os fracos não têm vez" também foi uma boa adaptação para "No Country for old men".

Mas no geral as traduções são péssimas. Como é o caso de "Hangover" traduzido como "Se beber não case". Uma vez que o casamento não é o assunto principal tratado no filme, era bem melhor a simples tradução como "A Ressaca". Os produtores devem ter achado pouco comercial. "The Hurt Locker" traduzido como "Guerra ao terror" também é péssimo.

Mas o pior caso que eu realmente me lembro foi o de "Up in the air" que virou um medonho "Amor Sem Escalas". Ao ser convidado para assistir "Amor sem escalas" fiquei sem expectativas, achando que era uma comédia romântica qualquer. Mas de fato o filme passa longe do amor sem escalas. O filme é muito mais sobre as escalas, do que sobre o amor. Se "Alto no céu" era um nome estranho, eles podiam tentar outra coisa com escalas, mas definitivamente não o amor.

Comentários

Postagens mais visitadas

Os 27 singles do Oasis: do pior até o melhor

Oasis é uma banda que sempre foi conhecida por lançar grandes b-sides, escondendo músicas que muitas vezes eram melhores do que outras que entraram nos discos. Tanto que uma coletânea deles, The Masterplan, é quase unanimemente considerada o 3º melhor disco deles. Faço aqui então um ranking dos 27 singles lançados pelo Oasis, desde o pior até o melhor. Uma avaliação estritamente pessoal, mas com alguns pequenos critérios: 1) São contados apenas o lançamentos britânicos, então Don't Go Away - lançado apenas no Japão, e os singles australianos não estão na lista. As músicas levadas em consideração são justamente as que estão nos lançamentos do Reino Unido. 2) Tanto a A-Side, quanto as b-sides tem o mesmo peso. Então, uma grande faixa de trabalho acompanhada por músicas irrelevantes pode aparecer atrás de um single mediano, mas com lados B muitos bons. 3) Versões demo lançadas em edições especiais, principalmente a partir de 2002, não entram em contra. A versão White Label de Columbia...

Correspondente de Guerra Contemporâneo

O correspondente de guerra é uma figura quase mítica do mundo jornalístico. Um repórter que é enviado ao campo de batalha para percorrer escombros, fugir de bombardeios, conversar com refugiados e questionar autoridades em busca de informações sobre o conflito que será noticiado. O jornalismo sempre foi a busca objetiva dos fatos e não há maneira melhor de encontrar a notícia do que vê-la de perto. Já o fato de que um dos postos mais prestigiados do jornalismo é ser um cidadão constantemente ameaçado de morte diz muito sobre as misérias da profissão. No entanto, o papel do correspondente tem mudado nos últimos conflitos midiáticos. Não vemos mais Marcos Losekann desviando de mísseis na Faixa de Gaza. A cobertura das guerras atuais diz muito sobre as tendências do jornalismo atual. Primeiro, é preciso levar em conta que o jornalismo é uma profissão que vive em conflito com o mundo da internet. Há uma crise de credibilidade e uma eterna crise financeira, que leva à busca constante pela e...

Tame Impala & Ben Kweller

O Tame Impala é uma banda que teve certo impacto na bolha da qual eu faço parte, quando o grupo liderado por Kevin Parker estourou no final de 2012. Eles estavam lançando o seu segundo disco, Lonerism , que lapidava a psicodelia bruta e pesada do disco anterior, Innerspeaker . O disco de estreia flertava com a estética lo-fi, com uma psicodelia construída a partir dos bons riffs de guitarra e vocais abafados. Em Lonerism surgiam teclas das mais variadas, texturas psicodélicas e aquilo que se convém chamar de groove. Desde a batida inicial de Be Above It , a viagem de Apocalypse Dreams , o riff de Mind Mischief , o transe de Elephant e a grande obra-prima Feels Like We Only Go Backwards . A jornada psicodélica de 1967 estava de volta. Tudo começou a desandar em Currents , quando Parker começou a abandonar qualquer resquício de organicidade em busca de um som eletrônico, com pegada de R&B moderno e synth-pop. Canções pop triviais receberam texturas psicodélicas eletrônicas. Mas, ok, ...