Pular para o conteúdo principal

Jamais

Rubens Barrichello jamais será campeão mundial de Fórmula 1. Nunca. E isso não é culpa exclusiva dele. Existem pessoas que simplesmente não nasceram para ganhar. Não foram talhadas para o sucesso.

Não que ele seja um mau piloto. Na F1 pós-94 (ou seja: depois da morte de Senna, e das aposentadorias de Piquet, Mansell e Prost) foram poucos os pilotos mais competentes que ele. Nem mesmo campeões como Damon Hill.

Em seus 15 anos de carreira, Rubinho teve algumas atuações memoráveis, atuações que se ele repetisse com freqüência, fariam dele uma lenda do esporte. Mas o fracasso parece estar sempre impregnado no retrato de Barrichello. Seja por suas feições, pelas suas falas, sua dancinha ridícula no pódio.

E seja pela sua inconstância. Pelas falhas no momento em que as pessoas imaginavam que ele iria embalar. Pelo carro parado na largada, quando ele parecia ir em busca da vitória. Pelo desempenho medíocre no dia em que precisava vencer.

Seu mérito são seus renascimentos. A primeira vitória quando ela parecia improvável. Uma atuação brilhante no momento em que ninguém esperava. Ter sua melhor temporada na carreira, logo após um período em que parecia aposentado.

Mas... o sucesso não está ao seu lado. E Rubens parece não entender isso. Dá declarações polêmicas após a derrota. Culpa o sistema de embreagem pelo seu erro. Não aceita que outro piloto possa ter sido melhor do que ele. O que poderia ser um sinal de confiança acaba passando a imagem de que ele é um lunático, que não enxerga a coisa que os outros mortais parecem enxergar.

Claro que essas são apenas suposições. A única certeza é a de que ele jamais será campeão.

Comentários

Postagens mais visitadas

Os 27 singles do Oasis: do pior até o melhor

Oasis é uma banda que sempre foi conhecida por lançar grandes b-sides, escondendo músicas que muitas vezes eram melhores do que outras que entraram nos discos. Tanto que uma coletânea deles, The Masterplan, é quase unanimemente considerada o 3º melhor disco deles. Faço aqui então um ranking dos 27 singles lançados pelo Oasis, desde o pior até o melhor. Uma avaliação estritamente pessoal, mas com alguns pequenos critérios: 1) São contados apenas o lançamentos britânicos, então Don't Go Away - lançado apenas no Japão, e os singles australianos não estão na lista. As músicas levadas em consideração são justamente as que estão nos lançamentos do Reino Unido. 2) Tanto a A-Side, quanto as b-sides tem o mesmo peso. Então, uma grande faixa de trabalho acompanhada por músicas irrelevantes pode aparecer atrás de um single mediano, mas com lados B muitos bons. 3) Versões demo lançadas em edições especiais, principalmente a partir de 2002, não entram em contra. A versão White Label de Columbia...

Correspondente de Guerra Contemporâneo

O correspondente de guerra é uma figura quase mítica do mundo jornalístico. Um repórter que é enviado ao campo de batalha para percorrer escombros, fugir de bombardeios, conversar com refugiados e questionar autoridades em busca de informações sobre o conflito que será noticiado. O jornalismo sempre foi a busca objetiva dos fatos e não há maneira melhor de encontrar a notícia do que vê-la de perto. Já o fato de que um dos postos mais prestigiados do jornalismo é ser um cidadão constantemente ameaçado de morte diz muito sobre as misérias da profissão. No entanto, o papel do correspondente tem mudado nos últimos conflitos midiáticos. Não vemos mais Marcos Losekann desviando de mísseis na Faixa de Gaza. A cobertura das guerras atuais diz muito sobre as tendências do jornalismo atual. Primeiro, é preciso levar em conta que o jornalismo é uma profissão que vive em conflito com o mundo da internet. Há uma crise de credibilidade e uma eterna crise financeira, que leva à busca constante pela e...

Tame Impala & Ben Kweller

O Tame Impala é uma banda que teve certo impacto na bolha da qual eu faço parte, quando o grupo liderado por Kevin Parker estourou no final de 2012. Eles estavam lançando o seu segundo disco, Lonerism , que lapidava a psicodelia bruta e pesada do disco anterior, Innerspeaker . O disco de estreia flertava com a estética lo-fi, com uma psicodelia construída a partir dos bons riffs de guitarra e vocais abafados. Em Lonerism surgiam teclas das mais variadas, texturas psicodélicas e aquilo que se convém chamar de groove. Desde a batida inicial de Be Above It , a viagem de Apocalypse Dreams , o riff de Mind Mischief , o transe de Elephant e a grande obra-prima Feels Like We Only Go Backwards . A jornada psicodélica de 1967 estava de volta. Tudo começou a desandar em Currents , quando Parker começou a abandonar qualquer resquício de organicidade em busca de um som eletrônico, com pegada de R&B moderno e synth-pop. Canções pop triviais receberam texturas psicodélicas eletrônicas. Mas, ok, ...