Pular para o conteúdo principal

Postagens

15 minutos decisivos

Com 15 minutos de jogo é difícil você ter a certeza que seu time irá ganhar o jogo. O começo pode ser bom é motivador, com a equipe marcando forte, tendo volume de jogo, criando oportunidades. Mas, tudo pode acontecer. Alguém pode se machucar. Um zagueiro pode dar uma engrossada e entregar um gol. Alguém pode ser expulso logo no começo da partida. O time pode fazer o gol, mas o adversário poderá reagir. Agora, com 15 minutos de jogo, você tem certeza quando o seu time não irá ganhar um jogo. Com 15 minutos, você pode ver que seu time não irá marcar um gol e, por mais óbvio que seja, sem marcar gol é impossível ganhar um jogo. Como é possível perceber isso? Difícil falar. São vários fatores juntos. A displicência, a imobilidade dos jogadores, um jogador especial disperso em campo, marcação frouxa, o relógio passando rápido e você não enxergando por onde o time conseguiria marcar um gol. Quarta-feira, contra a Penapolense, tive certeza que seria impossível o São Paulo marcar um gol...

Três filmes deste último Oscar

Ela: Um cara é abandonado por sua mulher e num momento difícil da sua vida se apaixona por uma garota. Ela completa sua vida, faz seus dias melhores e parece que os dois foram feitos um para o outro. Só que essa garota é a voz de um sistema operacional avançado, dublado por Scarlett Johansson (convenhamos, como resistir a voz de Scarlett?). Ela é um romance sensível e, mais do que isso, uma história sobre relações humanas e como a interação com as máquinas muda completamente a nossa existência. O visual instagramado do filme também é um barato, alertando que todos viraremos hipsters. O meu favorito. Clube de Compras Dallas: A história é muito boa, um caubói durão que pega AIDS e precisa lidar com a fama de ser viado e com os seus pouco dias de vida, 30, segundo os médicos. O final dos anos 80 era uma época difícil para os soropositivos e mostrar isso é um dos méritos do filme. Outro, é mostrar como a indústria farmacêutica não está necessariamente preocupada com a saúde dos seus paci...

Um Corpo que Cai

Do alto do viaduto da UFMT vejo um corpo caindo. Na verdade, a noção de que o corpo caiu foi construída com o tempo. Percebi alguma coisa diferente em frente a uma concessionária da Honda e logo percebi que havia uma pessoa caída no chão enquanto uma moto fazia uma curva. A mente começa a processar os dados, se a pessoa havia caído da moto, se houve um acidente, o que era aquilo. Parecia que era um menino. Um carro para e oferece socorro a uma mulher. Sim, era uma mulher. Outro carro encosta e acabo encostando também, com o pisca alerta ligado. Uma mulher desce do carro para ajudar a acidentada. Pergunta se tudo está bem, se precisa de ajuda. Ao que parece, ela não desmaiou, sofreu um infarto, um AVC ou uma crise epilética. Tropeçou apenas e caiu de cara no chão. Uma cena sempre patética, mas que acontece. Por sorte, não havia nenhum carro do Google Maps para eternizar o momento. A mulher se levanta e segue sua caminhada até o ponto de ônibus. Sem ferimentos sérios, além do orgulho...

Predicados

Não sou lá de cometer muitos erros de português. Confesso que tenho uma dúvida insistente toda vez que eu vou escrever encher e mexer, sei com um é com ch e o outro é com x, mas na hora sempre me bate uma dúvida. Por sorte, o corretor do Word sempre corrige minha digitação, mas quando escrevo a mão (coisa cada vez mais rara nesse mundo tecnológico), me bate uma dúvida cruel e eu acabo procurando um sinônimo. Da mesma forma, nunca sei qual por que usar e a regra aprendida na segunda série já fugiu da minha cabeça faz tempos. Acentuação sempre foi um terror na minha vida, mas melhorei consideravelmente nos últimos anos e hoje posso dizer que erro pouquíssimo nesse assunto. Não sei por que, mas sempre me confundo em Olimpíadas. Talvez tenho me confundido agora. Acho que os dois "is" em sequência acabam comigo. A razão para isso? Desconheço todas as regras do português. Sabe, aqueles negócios de regência, classificação de advérbios, predicados? Não sei nada. Lembro que aprend...

Rewind The Film, Manic Street Preachers

Pare para pensar: quantas bandas você conhece que possuem longas e impecáveis discografias? Que lançaram mais de meia dúzia de discos e que não tem motivo para não se envergonhar de nenhum deles? Poucas, não é mesmo? Pense que o Radiohead tem suas bombas no meio do caminho, que o primeiro disco do Blur era insignificante, que o Oasis lançou Heathen Chemistry . Isso para ficar nas contemporâneas dos Manic Street Preachers. Olhe a discografia dos galeses e tente apontar um disco ruim. Não há. Existem discos menores, como os dois primeiros desse século, o segundo, Gold Against the Soul , mas eles estão longes de serem ruins. Os últimos três discos podem não ser brilhantes, mas estão acima da média do que é lançado anualmente no mundo da música. Certo, temos que dizer que eles nunca mais lançaram nada igual ao espetacular Everything Must Go do longínquo ano de 1996. Isso faz com que os Manics sejam uma espécie de porto seguro da música, mas traz uma pressão pra cada lançamento. Afin...

Rodrigo

Quando eu era um aluno de pré-escola lá nos idos de 1993 no colégio Patronato Santo Antônio, um dos meus colegas de sala se chamava Rodrigo. Era um de tantos ali, junto com tantos outros colegas que sabe-se lá aonde passaram. Rodrigo era diferente. Rodrigo reprovou na pré-escola. Não sei dizer se alguém reprova na pré-escola ou se ele simplesmente não é aprovado, não está preparado para entrar no fabuloso mundo da primeira série. Durante as aulas, a professora passava vários exercícios na lousa, coisas de quem está sendo alfabetizado e alguns copiavam mais rápido, outros mais devagar. Havia uma competição para ver quem terminava primeiro, mas todos sabiam quem seria o último. Seria o Rodrigo. As pessoas se irritavam com ele, ele não era legal, ele atrapalhava a aula. A professora perguntava porque ele não copiava mais rápido, ele respondia que ele preferia ir devagar. Talvez ele tivesse dislexia, déficit de atenção ou alguma dessas coisas. Mas o fato é que ele reprovou e esse mit...

Discos da minha vida 1 - Abbey Road

Você tem 14 anos e pela primeira vez na vida começa a ter alguns amigos. Gosta de alguma garota, mas prefere nem pensar nisso porque sabe que jamais seria correspondido e a dor da rejeição seria maior que qualquer coisa. E isso aqui não é um roteiro de filme besta, é a vida real, você não pode fazer nada. O ano está próximo do fim e você começa a sentir saudade das coisas que nunca viveu. O que te sobra? Escutar Oh! Darling e tentar expulsar todos os seus demônios internos juntos com os gritos de Paul McCartney. Abbey Road sempre será um disco atual e em meados de 2001 era o único disco dos Beatles existente aqui em casa, sei lá porque motivos. Até hoje ele tem um selo na parte de trás, quase apagado, indicando que ele custou R$ 8,90. Inacreditável. Vivia com os Beatles uma relação normal, como a de qualquer cara que sabe alguma coisa no mundo. Sabe que eles eram famosos, que John era o revoltado e Paul era o romântico e mais um monte de informações que você não tem certeza de...

Alta Fidelidade

5 Diferenças entre o livro e o filme: 1) O personagem principal se chama Rob Fleming no livro e Rob Gordon no filme. 2) No livro não há nenhuma cena em que Rob pergunta se Laura faz isso com ele, porque ele é fã de Supertramp. 3) Ian (Ray), não vai na loja de discos tirar satisfações com Rob. 4) Rob e Laura não chegam a fazer sexo dentro do carro após o velório do pai, no livro. 5) A banda de Barry (Jack Black) não toca Let's Get It On do Marvin Gaye. Fora isso, o livro é ainda mais undeground, citando bandas ainda mais desconhecidas do que as que são citadas no filme. E Rob é um pouco mais babaca no livro, talvez pelo fato de que os pensamentos dele são mais expostos. Mas isso não tira os méritos da adaptação cinematográfica. Ela capta o espírito do livro e isso é o mais importante num roteiro adaptado. Assisti "Alta Fidelidade", o filme em algum momento do ano de 2008. Estava no começo de namoro e depois disso gravei um CD para minha namorada, inspirado nas fit...

Tangos e Tragédias

Em algum momento perto da virada do século eu fui com minhas primas ao teatro da UFMT aqui em Cuiabá para assistir um espetáculo. Não sabia do que se tratava, Tangos e Tragédias era o seu nome. Eles já haviam ido no Jô Soares, me diziam. Não me lembrava. Uma prima minha já os havia visto em Porto Alegre. Aliás, eles eram do Rio Grande do Sul. Fui sem tanta confiança e me sentei lá pelo fim do teatro. Bem, não deixava de ser interessante ir em alguma coisa em Cuiabá, não era sempre que alguma coisa acontecia por aqui. Bem, se hoje já tem pouca coisa, imagina como era anos atrás. Logo me diverti com a cara de maniaco de um dos dois músicos, que parecia ser o coadjuvante. Me diverti imensamente com as aventuras do Reino da Sbornia, que era grudada ao continente por um istmo e onde se dança o Copernico (e é preciso pescoço para conseguir dançar). As músicas se gravaram no meu inconsciente e mesmo sem nunca mais ter tido qualquer acesso as canções gravei mais de meia dúzia delas no meu ...

O trânsito e a sociedade

Tenho cá pra mim que o trânsito é um reflexo da sociedade. Imagino que naqueles países, tipo a Noruega, com baixíssimos índices de corrupção, o trânsito deva ser uma maravilha. Que ninguém fure o semáforo na Noruega e que na Alemanha as pessoas sempre dão seta para entrar nas rotatórias. Em compensação, a Rússia, Índia e México têm um trânsito comprovadamente pavoroso. Assim como no Brasil. Creio que a ética de uma pessoa se reflete na maneira como ela dirige um carro. Vejo aquele cidadão que durante um congestionamento monstruoso resolve cortar caminho pelo acostamento. Não tenho dúvida que essa pessoa seria capaz de desviar a verba para a construção de um hospital contra o câncer infantil. Viajaria para a Disney com um avião da FAB e tudo mais. Vejo como dirigem os donos das últimas e possantes caminhonetes lançadas no mercado. Com aqueles veículos enormes, queimando óleo diesel e tentando passar pela direita, por cima e por baixo dos outros carros, dando farol sobre todos que at...

Desapego literário

Quando você se aproxima do final de um livro, acaba sendo sugado até o fim. Um pouco pelo crescente do ritmo do livro, um pouco porque o movimento das páginas te mostra inconscientemente que o fim está próximo. Então você acaba. As ideias na cabeça, a reflexão sobre tudo aquilo. E então vem o momento de guardar o livro na estante. É sempre um momento difícil, praticar esse desapego literário. Por vezes, a vontade seria de ainda continuar olhando para o livro, para reforçar a reflexão. Mas ele vai pra estante, virar decoração.

Sentimentos maternos bovinos

Viaje por qualquer estrada de Mato Grosso e se assuste com a quantidade de animais atropelados no meio-fio. Desde os cachorros e gatos, passando pelas emas e dependendo do lugar você verá patos, capivaras, quatis, tamanduás, tatus, cobras e toda e qualquer espécie de animal que tenha falhado na tentativa de atravessar a estrada, seja ela movimentada ou não. Foi indo para Santa Cruz do Xingu por um rodovia qualquer que eu vi um bezerro morto. Seu corpo jazia no meio da estrada, ossos quebrados mas o couro ainda intacto, significando que o atropelamento ainda era recente. Seu pescoço quebrado fez com que o bezerro morresse olhando para cima, com seus olhos opacos encarando o céu nublado, poucas moscas rondavam seu focinho. A cena do pobre bezerro já era suficientemente impactante, me sensibilizo com qualquer animal atropelado, ainda mais em uma estrada tão vazia e tão distante. Só que havia uma vaca na beira da estrada. Com suas tetas cheias ela observava com seus olhos triste...

Fumaça Não Identificada

O começo da Avenida Itália fica num lugar alto, que proporciona uma visão ampla do céu. Não da cidade, porque existem algumas construções na frente. O céu estava em um azul profundo com alguma nuvens esparsas na frente. Observei lá na frente um pequeno rastro branco de fumaça. Lembro quando eu era pequeno e pela primeira vez vi uma formação assim no céu. Pensei que era fruto de alguma Esquadrilha da Fumaça, ou algo assim, mas meu pai me explicou que isso acontecia com os aviões normais. Algo sobre condensação do ar, já nem me lembro. Pois, era uma fumaça de avião. No entanto, a fumaça não seguia uma linha horizontal, como é normal nos aviões. Era um pequeno rastro vertical. Segui adiante até a Avenida das Torres e o rastro de fumaça estava a minha direita agora. E ele aumentava lentamente. Foi observando aquilo a medida em que chegava até o Jardim Universitário, e a fumaça já estava na minha frente. Provavelmente já estava no chão. O que seria? Um avião em seu pouso mortal? ...

O crescimento do congestionamento

No período das festividade de fim de ano, a cidade está vazia. Metade da população está curtindo a vida adoidado em lugares turísticos e os que poucos que restam na cidade podem curtir um trânsito bom. Trajetos encurtados pela metade, semáforos vazios, lugares para estacionar. Uma maravilha. A medida que o ano vai começando, o movimento vai crescendo dia-a-dia. Não, os carros dos ausentes durantes as festas não voltam de uma vez só. A cada dia uma pequena leva volta até a cidade. Alguns já estão aqui no dia 2, outros voltam na primeira segunda-feira útil, outros deixam a volta para depois da primeira quinzena e as mais variadas férias vão terminando até os primeiros dias de fevereiro. Dessa forma, no dia 2 você já vê três carros esperando para cruzar uma rotatória. Na segunda-feira já eram 8, na semana seguinte já passávamos de vinte e o inferno já estava de volta desde ontem, com tendência a piorar até o final do mês. Na rua do Sesi Park, o congestionamento matinal foi voltando...