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Sexta-feira 13

Sob a sombra de uma árvore, um gato preto enterrava suas necessidades no gramado do Palácio Paiaguás. Satisfeito, ele saiu correndo e só não passou pela minha frente porque eu cheguei antes ao espaço pelo qual ele pretendia passar. Para os supersticiosos, um preságio de azar. No meu caso, apenas o preságio de um almoço muito ruim.

Mais tarde, atiradores e homens bomba matariam mais de 150 pessoas em Paris numa série de ataques terroristas coordenados. Os corpos ainda estavam quentes quando a internet começou a ser inundada por comentários preconceituosos e xenófobos, de pessoas que não tem o mínimo de compaixão.

O Brasil ainda se recupera do mar de lama tóxica que invade Minas Gerais e o Espírito Santo, devastando toda forma de vida pela frente, quando um terremoto atinge o Japão e passa desapercebido pela situação francesa.

Enquanto isso, em Cuiabá, Jair Bolsonaro desfila seu discurso de ódio em uma palestra sobre Direitos Humanos em um evento de produtores de calcário. Pode não parecer, mas tudo tem muita ligação.

O ódio move boa parte da humanidade. São dias terríveis de se viver.

A culpa não é do gato preto.

O azar é do mundo.

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