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O Vácuo das Ideias

A ideia surge de maneira espontânea, em uma espécie de milagre aristotélico. Estou ingenuamente tomando banho, escovando os dentes, lavando a louça, quando a ideia chega! Genial! Que ótimo texto isso vai dar!

O texto começa a ser desenvolvido em minha cabeça, com suas múltiplas variáveis, seu encaminhamento lógico. Provavelmente fiz isso quando a ideia sobre o vácuo de ideias me surgiu.

No entanto, eu não posso largar o que eu estou fazendo para começar a escrever, porque, como eu já disse, estou escovando os dentes, lavando a louça ou tomando banho. Sigo matutando tudo aquilo e começo a me policiar para se lembrar de tudo isso quando chegar a um lugar em que eu possa pelo menos anotar a ideia. As vezes dá tempo, muitas vezes não dá. A ideia desaparece.

Fico agoniado tentando me lembrar que ideia é essa. Sei que ela existiu, sei que eu pensei sobre ela, mas ela simplesmente foi embora, se transformou em vácuo. Só me resta a pertubação de uma ideia que morreu antes mesmo de se concretizar.

Dirijo tentando me lembrar, faço meu prato tentando me lembrar, arrumo a minha cama tentando me lembrar, penso em ir escovar os dentes novamente... é isso! Me lembrei! Aonde é que esta ideia esteve durante esse tempo todo?

Tristemente, eu já não me lembro de todo o desenvolvimento. Tudo o que me pareceu genial enquanto secava as mãos não faz sentido. Ou será que há algo mais que agora eu não me lembro? Nunca saberei. Ou talvez sim, um dia talvez o vácuo volte a se transformar em um texto pronto. Por enquanto, corro o risco de olhar o título do texto anotado amanhã e não ter a menor ideia do que eu queria dizer com isso.

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