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Os CDs

Sou um colecionador de CDs. Tenho uma centena em casa, das minhas bandas favoritas, de outras que não escuto mais tanto. Mas gosto de tê-los enfeitando minhas prateleiras, por mais que muitas vezes eu não os escute.

Quando viajo, sempre gosto de ir às lojas de CDs, as verdadeiras lojas. Perder horas em meio as intermináveis prateleiras, em busca de algum preço sensacional, uma raridade quem sabe. Em Cuiabá esse prazer foi deixado de lado, as lojas não existem mais.

Sempre existiu um problema: o preço. CDs sempre foram caros. Eu sempre relutei em comprar discos que custassem mais do que 30 reais. Considero que 25 reais já seria um valor justo, muito justo.

Pelo preço, pelo advento do rapidshare, megaupload e a consequente facilitação do download, a venda de CDs caiu vertiginosamente. Comprar CD virou um ato de pessoas como eu, colecionadores, que lamentam o fato de que nunca conseguirão comprar um CD do Big Star, Black Rebel Motorcycle Club e tantas outras bandas. Porque esses discos nunca foram feitos no Brasil.

Por isso, me surpreendo com a popularização dos digipacks e com o aviso de uma gravadora sobre uma coletânea do Creedence Clearwater Revival "Music Pac. Você paga menos pelo que realmente interessa: a música".

Ora, queridas gravadoras. Não é de se surpreender que vocês estejam tendo prejuízo. Já foi notável a falta de noção das gravadoras na briga para tentar frear os downloads. Algo que não há como parar. Ao invés de tentar agregar algum valor à nova realidade, eles tentam controlar tudo, em nome do lucro, lucro, lucro. Em vão.

A música não é o mais importante para quem compra um CD. O que é o Music Pac? O CD em uma embalagem de papelão, com um acabamento indecente. Sem encarte e com a impressão de que aquilo vai rasgar logo mais. A música não é o mais importante. Quem compra um CD quer olhar as fotos. Quer ter o encarte com as letras e informações técnicas. Quer que ele fique bem na sua prateleira.

Um CD com músicas num acabamento porco não atrai ninguém. É mais fácil baixar na internet e gravar num CD virgem de 89 centavos. Economizar 15 reais.

A estratégia é oferecer a opção porca de papelão, ou então, uma versão mais completa, com encarte e tudo mais. Tudo o que um CD sempre foi. Só que mais caro, uns 10 reais mais caro. Ou seja, você paga mais pelo mesmo produto, ou um pouco menos um produto terrível. Bela estratégia.

A indústria fonográfica (principalmente a nacional) merece falir. Merece o prejuízo que anda tendo. Para infelicidade do simples colecionador, que nunca vai conseguir comprar um CD do Big Star.

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