Pular para o conteúdo principal

Reconstrução

Luciano Hulk "copiou" por assim dizer, duas idéias de programas internacionais. Reformar carros e casas de pessoas. Em um caso, o resultado é bom e no outro é péssimo.

O Lata Velha é o Overhaulin brasileiro. Pega o carro velho de alguém e o deixa novo. Existem diferenças no formato, é claro. O Overhaulin esconde a reforma do seu dono e faz ele acreditar que o carro foi roubado, apreendido. O Lata Velha costuma a escolher carros de pessoas mais humildes.

Mas o resultado é ruim. Os carros ficam feios e monstruosos. Imagino que fiquei difícil para os beneficiados manter o carro depois. Carros com TV de Plasma, pintados de laranja, roxo, fosforescências. Fora as tunadas, as labaredas, a tinta com textura. O Overhaulin faz algo mais sóbrio.

Mas o que me motivou a escrever foi o outro caso. O "Lar Doce Lar" se inspirou no Extreme Makeover, provavelmente. E estava a pouco vendo o episódio do Extreme Makeover. É uma bobagem. Já não bastasse o apresentador, Ty ser um ser incrivelmente chato. Daqueles chatos irritantes. Daqueles que você acha que mereceria apanhar de tão chato.

O LDL (por assim abreviar) costuma a respeitar o espaço da casa, faz algo dentro do padrão da família que vive lá, e tenta de alguma maneira devolver a dignidade àqueles que lá vivem.

Já o Extreme Makeover... ok, eles também ajudam alguém que precisaria ser ajudado. Mas no geral, as pessoas têm uma boa casa e precisam de... uma rampa de acesso, carpetes antialérgicos ou o que seja. Mas são boas casas. Grandes e espaçosas. E eles destroem tudo. Põe abaixo e constroem uma mansão faraônica. Daquelas que para se manter você precisaria viver numa novela do Manoel Carlos, em que famílias sempre tem quatro, cinco empregados.

É muito gasto pra esse mundo.

Comentários

Postagens mais visitadas

O Glorioso Retorno de Relâmpago McQueen

Quando meu filho tinha uns três anos, nós apresentamos para ele a série de filmes Carros, da Pixar, aquela protagonizada pelo Relâmpago McQueen. Era um assunto que ele adorava - carros e corridas - então, meu filho rapidamente ficou aficionado. Assisti os três filmes mais de uma dezena de vezes. Diria que mais de 40 (sim, incluindo a bomba de Carros 2). Cheguei a decorar diversas passagens do filme e, se fosse o caso, me sentiria preparado para fazer aquelas dublagens que viralizaram na época da pandemia. Um dos grandes sucessos dos filmes da Pixar é conseguir falar ao mesmo tempo para crianças e adultos. Esse claramente não é o exemplo de Carros, um filme feito exclusivamente para crianças, que pode ensinar alguns valores sobre humildade e respeito, mas que no fim das contas é pura aventura juvenil. (Ok, o terceiro filme é um pouco mais bonito). Mas, para além disso, as franquias da Pixar muito provavelmente se mantém pela incrível quantidade de produtos licenciados que eles conseguem...

Os Beatles e a Irlanda

As raízes irlandesas estão entre as muitas coisas que uniram John Lennon e Paul McCartney. John era bisneto de irlandeses e McCartney, como o nome não pode esconder, também descendia de imigrantes da ilha vizinha. (Bem, George Harrison também tinha parentes lá, o que diz muito sobre a portuária Liverpool). Os conflitos entre britânicos e irlandeses são conhecidos, apesar de serem difíceis de entender para quem não vive nas ilhas. Diferenças religiosas, sentimentos opostos em relação à monarquia, um longo tópico que eu seria incapaz de resumir em poucas linhas. Um dos ápices desse confronto foi o evento conhecido como “Domingo Sangrento”, ocorrido em 30 de janeiro de 1972 na Irlanda do Norte. Vinte e seis civis, não armados, foram atingidos por soldados britânicos durante um protesto pacífico, sendo que 13 deles morreram. Todos católicos. Este foi o quarto evento denominado Bloody Sunday na história irlandesa. Há um período de quase 30 anos conhecido como “The Troubles”. O Domingo Sangr...

Por onde andará o Walfredo?

No competitivo e violento ambiente da pré-escola, o Walfredo se destacava. Ele era um pequeno torturador psicopata que espalhava o terror entre seus coleguinhas. Walfredo mostrava o pinto para os outros, rolava na grama, ficava gritando, batia nas crianças e tinha um umbigo esquisito. Tenho certeza que essa era a razão para toda a maldade. Olhando agora, em retrospectiva, parece claro que Walfredo era a encarnação do mal, um garoto possuído pelo demônio. Mas, de qualquer forma, acho que não deveria ser legal saber disso aos seis anos, mesmo. Walfredo foi expulso do colégio antes do final daquele fatídico ano de 1993. A gota d'água, acredito eu, foi o dia em que ele aproveitou o momento em que uma das crianças bebia água no bebedouro e empurrou a nuca do garoto, fazendo com que o pobre coitado quase engolisse o bico do bebedouro, batesse os dentes e tudo mais. Terrível. Aquilo ali deve ter feito com que a diretoria percebesse que Walfredo era incapaz de conviver em sociedade. Se...