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Maldita seja a minha opinião

Foram anos e anos de repressão por parte de um governo autoritário que cerceava a liberdade de expressão de todo e qualquer cidadão. Aliado a isso, não era fácil tornar sua opinião pública, além da mesa de jantar com a família ou da roda de bar com os amigos. Imagino que não era fácil conseguir um quarto de página fora do centro ótico para falar sobre o que quer que você quisesse.

A internet resolveu em parte esse problema. Você pode criar um blog, um site, para publicar suas opiniões. Pode emiti-la em 140 caracteres no Twitter ou em infinitos toques no Facebook. Você pode falar sobre manifestações políticas, eleições, futebol, novela, Big Brother, alienação da sociedade de consumo ou monopólio dos meios de comunicação. Pode montar seu palanque virtual.

Beleza, porque todo mundo tem direito a opinião e essa não é uma conquista fácil de todos os nossos ancestrais.

Mas eis que uma hora enche o saco o fato de todo mundo ter uma opinião. Dar opinião na internet acaba virando uma espécie de fetiche, massagem no ego. Sua opinião pode ser completamente descabida de tudo, mas você opina, apenas para mostrar que você tem opinião. Existem aqueles que, acredito, são viciados em opinar e passam o dia todo destilando conhecimentos sobre os mais variados assuntos. E eles não sabem como parar, não sabem nem que precisam de ajuda.

Fora isso, existe uma espécie de pressão para que você dê opinião sobre os fatos. Está todo mundo falando sobre o assunto da moda e todos expondo seus pontos de vista e você? Não vai falar nada? Não vai opinar? Lá vou eu e me meto a falar sobre a Primavera Árabe, sustentabilidade. Me sinto preso a condição do estudante de segundo grau que precisa falar sobre os mais variados temas. E eu nem queria falar sobre nada.

Dar a opinião no Facebook é o novo aperto no baseado. Vai lá, não vai fazer mal nenhum.

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